Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 53

ImprimirA arte de alongar

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trajetoria_sucesso (1)Conhecido por multiplicar o volume e o comprimento dos cabelos mais comentados do Brasil, o hairstylist Flávio Priscott conta como chegou lá!

texto: Rebeca Alcoba | fotos: divulgação / Igor Rodrigues

Para compreender a história profissional deste expert, é preciso voltar para os anos 1980. Época em que uma das revistas mais vendidas no Brasil era a Manchete, e a garota que aparecia nas capas badaladas era a modelo Monique Evans. Flávio Priscott tinha apenas 16 anos, era fã de Monique e circulava pelas emissoras seguindo sua musa.

Em umas dessas ocasiões, eles se esbarraram e assim começou a empreitada de Priscott no mundo das famosas. A proximidade logo o levou a mexer no cabelo dela. “De tanto ver aqueles alongamentos feitos em tranças, eu tinha assimilado como fazê-los”. Ele chegou a alongar as próprias madeixas, comprimento que mantém até hoje.

No início, Priscott trabalhava em uma loja de roupas, mas era engajado no carnaval: “Quando era garoto, eu fazia as fantasias das madrinhas de bateria”, conta. A Grande Rio é sua escola do coração e ainda conserva uma história com o carnaval. Mas o sonho de ser estilista na Marquês de Sapucaí saiu de cena para dar lugar aos cabelos. “No carnaval existe muito ‘ti-ti-ti’. Já no salão, somos somente eu e a pessoa, não há terceiros”.

Com o passar do tempo, seu trabalho foi sendo notado por quem acompanhava o visual de Monique Evans. “Ela raspava a cabeça e eu aplicava cabelo. Todo mundo queria saber qual era o segredo, qual era a minha técnica”. Essa dinâmica o fez conhecer pessoas importantes no meio artístico, como Silvinho, o cabeleireiro das chacretes, que também produzia as atrizes Claudia Raia e Sandra Brea.

Flávio nunca estudou para ser cabeleireiro, mas, além de megahair, faz corte, escova, química, maquiagem e penteado. É ele quem alisa o cabelo da atriz Isis Valverde e cuida da loirice da cantora Elba Ramalho. “Já sugeriram que eu dissesse que fiz curso em Paris. Mas não preciso disso! Mesmo sem ter estudado, faço o que muitos profissionais não fazem”. Também nunca trabalhou em um salão de beleza que não fosse o seu Espaço Priscott, dentro no Bertini & Bastos Hair Studio, no Rio de Janeiro. Inaugurado em abril de 2011, o local é uma verdadeira concentração de famosos em busca (quase sempre) de cabelões para seus personagens, já que o hairstylist também é contratado da Rede Globo.

A parceria de sucesso com a emissora foi intermediada pela escritora Glória Perez, e por incrível que pareça o cabelo que simboliza esse período é o de um homem. É a cabeleira longa e brilhante da personagem Sarita, interpretada por Floriano Peixoto na novela Explode Coração, de 1990.

Daí para frente, o currículo de Priscott acumulou uma infinidade de megahairs. Os mais comentados no momento são os das atrizes Christiane Torloni e Adriana Birolli, mãe e filha na novela Fina Estampa, e (pasmem!): o cabelo do ator e diretor Wolf Maia, da mesma novela. Além de luzes, o visual de Álvaro ganhou umas madeixas a mais.

trajetoria_sucesso (2)Flávio conta que, às vezes, seus clientes masculinos curtem tanto o novo look que não querem mais retirar o aplique. “Após o final das novelas, o Mário Gomes e o Mário Frias não queriam tirar o cabelão”, revela.

Mesmo sendo referência entre os famosos, Flávio afirma que seus clientes não o procuram em busca de glamour. Tanto que o cabeleireiro faz um trabalho importante junto à pacientes de quimioterapia e radioterapia. “Não sou o que sou por fazer o cabelo de A, B ou C. Meus clientes são estrelas, eu não!”. Ele conta que já recebeu propostas de outras emissoras, mas que vai se aposentar na Globo, a menos que não o queiram mais.

Flávio soma quase 25 anos de profissão e a única vez que o público pôde ver uma referência negativa ao trabalho dele, foi durante a apresentação de um prêmio ao qual a atriz Deborah Secco compareceu com os cabelos presos, deixando aparecer as emendas do megahair. Fato que ele rebate: “O trabalho não era pra ser usado com penteado preso no alto, porque o cabelo da Deborah é muito fininho e o mega foi feito para a Céu, de A Favorita, um personagem que vivia com os fios soltos”. Se tem algum arrependimento nessa trajetória? “Um dia, a Cássia Eller me pediu para arrumá-la em um clipe. Perguntei como estava seu cabelo e ela disse que era moicano. Mas, quando me mandou uma foto com a língua pintada de verde, respondi que não faria”.

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