Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 46

ImprimirA melhor amiga do cabeleireiro

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tesouras (3)Entenda como cada tipo de tesoura influencia no resultado do corte de cabelo

texto: Renata Vieira | fotos: divulgação

Quando o assunto são tesouras, é impossível não se lembrar do filme Edward Mãos de Tesoura, famosíssimo nos anos 1990 e estrelado pelo ator Johnny Depp. Nele, as tesouras passam a ser praticamente uma extensão dos braços do personagem. Para os cabeleireiros, esse instrumento é tão importante que o apego se torna semelhante ao mostrado na película. Dá para dizer que elas são muito mais que meros instrumentos de trabalho: são aliadas. Cada modelo tem sua função e deve ser usado para determinada finalidade.

Há vários tipos de tesouras e com diferentes tecnologias. Por isso, é normal ter dúvidas na hora de escolher. Para simplificar, Luciana Laurito, gerente de marketing da Mundial/Impala, cita três modelos imprescindíveis para qualquer profissional: fio laser, fio navalha e fio desbaste.

A tesoura fio laser apresenta uma microsserilha em uma ou nas duas lâminas. A ideia do nome veio da Europa, quando se descobriu que esse processo de corte dá um resultado extremamente preciso, como de um laser. “Ela prende a mecha e impede que o cabelo escorregue. Por isso, é ótima para cortes retos e feitos com a técnica do pente livre, como o chanel”, diz Luciana.

A de fio navalha é muito mais afiada do que as outras. É perfeita para desfiar os cabelos e fazer repicados com pontas assimétricas. Por outro lado, não é indicada para a estilização de cortes retos, porque suas lâminas funcionam exatamente como duas navalhas.

Já a tesoura com fio desbaste, conhecida como dentada, diminui o volume e faz o acabamento do corte, retirando o peso dos cabelos. Pode ser usada em trabalhos masculinos e femininos, mas com técnicas diferentes. As com mais dentes são para eles, e as com menos para elas. Isso porque, com um número maior de dentes, mais cabelo será cortado e de forma melhor distribuída.

tesouras (1)Um mundo de opções
Além das opções básicas, existem outros tipos de tesoura. Uma delas é a térmica. Quando a lâmina aquecida corta o cabelo (o calor pode alcançar entre 110º C e 150º C), as pontas são seladas, impedindo que se abram. O corte fica mais reto e permite melhor resultado na finalização, sem pontas duplas.

Outra variação é a tesoura dentada com fio navalha. Ela é feita para cortar o cabelo do meio até as pontas, retirando o peso dos fios ao ser apenas encaixada e deslizada. Um erro é usá-la para cortar desde a raiz, já que não é uma ferramenta para diminuir o comprimento.

Para dar praticidade ao trabalho, existe um modelo em que o anel de encaixe do dedo polegar é giratório. Essa característica confere mais flexibilidade durante o corte, principalmente na hora de picotar cabelos curtos e masculinos.

Como escolher a sua?
Diante de tantas opções, Leandro Pires, proprietário do salão Fizz Cabelo e Imagem, lembra que a tesoura é um material extremamente pessoal. Por ser um bem durável muito utilizado no salão de beleza, vale cada centavo. “É um instrumento de trabalho relacionado ao status. Muitos clientes reparam, percebem a troca e elogiam quando há um design diferente. Por isso, a indústria investe cada vez mais na beleza desses produtos”, afirma.

Percebendo essa característica, as empresas estão investindo no design. Um exemplo é a tesoura Blue Titanium, lançamento da ProArt. Ela leva em consideração o conforto e principalmente o visual, que valorizam tanto o profissional quanto o cliente.

Tratando-se da questão anatômica, existem tesouras de 5, 5.5, 6, 6.5 e 7 polegadas. Douglas Moura, técnico cabeleireiro da ProArt, diz que a maneira correta de escolher uma é “vesti-la” e simular os movimentos de corte. “Se a ferramenta for maior ou menor do que a mão, isso causará desconforto imediato”. Leandro deixa outra dica para a hora da compra: tesouras maiores são usadas para definir comprimento, enquanto as menores servem para estilização e corte de franja.

Todas as tesouras possuem cabos com empunhaduras retas ou anatômicas. Estas últimas são mais confortáveis. E sabe aquele ponto de apoio na base da tesoura? Ele serve para gerar mais comodidade ao profissional e evitar agressões ao nervo extensor do dedo mínimo. Se não utilizar o apoio, o cabeleireiro se expõe a sérios problemas, como desgastes e lesões.

E quanto custa essa “brincadeira”? A faixa de preço das tesouras varia de R$ 25,00 a R$ 3.000,00. Como os aprendizes deixam o instrumento cair no chão frequentemente no início da carreira, vale adquirir um modelo mais barato.

Tome cuidado!
A duração de uma tesoura pode ser longa, chegando a quase uma década. Há cabeleireiros que afirmam trocar de ferramenta apenas para acompanhar as novas tecnologias e os modelos lançados. As de aço inoxidável duram, em média, dois anos. As de titânio podem durar até sete.

Mas a durabilidade está diretamente ligada à limpeza e à armazenagem correta: após cada corte, é fundamental abrir o instrumento e retirar os fios de cabelo com uma toalha. Além disso, é indicado que, a cada dez cortes, o profissional faça uma lubrificação com óleo específico. “O ideal é pingar uma gota na parte de trás da lâmina, próximo ao parafuso de pressão, e fazer movimentos de abrir e fechar. Assim, o produto é distribuído de maneira uniforme”, detalha Douglas. Também vale guardá-la  em local apropriado, como uma maleta com divisórias que evitem atritos com outros materiais.

Quando a lâmina vai ficando desgastada e sua capacidade de corte diminui, é hora de levar a ferramenta a um especialista em amolação. “Pela falta de bons profissionais nesse ofício, muitas vezes é melhor efetuar a troca, pois uma amolação ruim compromete a peça e o resultado do corte”, aconselha Douglas. O momento certo de deixar de lado a “companheira” é quando ela começa a “mastigar” os fios, ou seja, ela os dobra em vez de cortá-los.

tesouras (2)Curiosidades
Mãos de tesoura
Foi assistindo ao filme Edward Mãos de Tesoura que o cabeleireiro Déo Rodrigues decidiu transportar a ficção para a realidade. Ele começou a treinar sua técnica segurando várias tesouras de uma só vez e cortando os fios de perucas. Quando conseguiu chegar a dez tesouras, Déo apresentou-se em um programa de televisão. Hoje, Déo faz cortes com até 22 tesouras. Para esse trabalho, ele usa os modelos fio navalha muito bem afiados, que deslizam no cabelo. “Essa técnica fica ótima para cortes desconectados, com dégradê e pontas maiores”, comenta.

Mesmo os trabalhos que utilizam uma só tesoura têm seu toque de autenticidade, podendo ser feitos em apenas 30 segundos. Um corte normal custa entre R$ 95,00 e R$ 150,00. Já o com as 22 tesouras pode chegar a R$ 400,00. Ele ainda tem sua tesoura da sorte: uma com fio navalha toda dourada, com a qual ganhou seu primeiro troféu de corte.

Qual a origem da tesoura?
A tesoura é um utensílio tão comum, que poucas vezes paramos para pensar em suas origens. Acredita-se que as primeiras foram confeccionadas no Egito, em cerca de 1500 a.C., como duas lâminas simples, sem articulação e unidas em uma extremidade. Esse modelo primitivo tinha o formato da letra cê e servia principalmente para cortar a pele de animais. Foi somente no período do “corte à romana”, até o ano 100, que as tesouras de lâminas cruzadas foram aperfeiçoadas.

As tesouras mais antigas eram confeccionadas de ferro e bronze. As primeiras de aço como as atuais, foram manufaturadas em 1761 pelo inglês Robert Hinchliffe.

Como são fabricadas?
Atualmente, o processo de fabricação é mecânico: nele, barras de aço incandescente transformam-se em lâminas inacabadas, que são marteladas para dar forma. Depois, cortam-se suas arestas e as lâminas são temperadas, após aquecimento e resfriamento.

A eficácia das tesouras deve-se mais ao “jeito” que à força. Uma tesoura é uma alavanca. Por isso, quanto mais longe estiverem os cabos, melhor. Se a força aplicada pela mão está duas vezes mais distante da articulação que o ponto de corte, a força ali será o dobro da aplicada pela mão. Matemática pura!

Fonte: Discovery Brasil

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