Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 14

ImprimirAlém das expectativas do cliente

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O simples fato de ir ao salão fazer um corte, uma coloração, ou qualquer outra mudança no visual, não é garantia de satisfação para o cliente, apesar da competência do profissional escolhido. As expectativas do cliente só serão superadas através do conhecimento sobre o visagismo e dos benefícios que ele proporciona.

O cabeleireiro se coloca ao lado, ou atrás da pessoa sentada em frente ao espelho, a cumprimenta e começa a conversar, buscando saber o que ela deseja. Imediatamente surge um grande complicador: a maioria das pessoas não sabe a diferença entre como deseja seu cabelo e o que quer expressar. Se lhe perguntar o que quer, diz logo que quer encurtar, ou não, alisar, mudar a cor, ficar parecida com uma pessoa famosa ou adotar a mais nova tendência que viu numa revista. Muitas vezes o profissional percebe que o que a pessoa pretende não é adequado. Mas como lhe dizer isso? E o que fazer quando ela quer algo "diferente", ou pior, não sabe o que quer?

Essa é a experiência de muitas pessoas quando vão a um salão de beleza para "fazer o cabelo". Podem sair decepcionadas e não muito diferentes de quando entraram. Não se acham muito parecidas com as famosas, nas quais se espelharam e, mesmo que estejam na última moda, muitas vezes percebem que não ficou bom para elas. Isso é frustrante tanto para o cliente, quanto para o profissional.

A experiência de ter sua imagem criada por um visagista é totalmente diferente e, quando o trabalho é bem realizado, o cliente nunca mais vai querer outra coisa. No artigo anterior falei dos benefícios que o visagismo traz ao profissional. Neste, vou falar sobre como o visagismo afeta o cliente. Na realidade, o satisfaz além de suas expectativas.

Até receber o convite do Centro de Tecnologia em Beleza do Senac-SP, para desenvolver um trabalho de visagismo, que resultou na publicação do meu livro Visagismo: harmonia e estética (Ed. Senac-SP) há dois anos, pouco freqüentava salões. Desconhecia a realidade cotidiana dos cabeleireiros, maquiadores e esteticistas. Quando lancei o livro, comecei a conhecer salões de beleza e profissionais da área e logo percebi que o profissional, que desejasse aplicar o visagismo da maneira como o apresentava no meu livro, precisaria mudar seu atendimento.

A primeira modificação, e a mais importante, é descobrir quem é a pessoa, antes de pensar em possíveis soluções para seu cabelo. Na primeira vez em que se atende uma pessoa, o visagismo exige um diagnóstico das características físicas e da personalidade dela. O profissional precisa observar a pessoa caminhar até à cadeira. Assim poderá analisar seu andar, seus gestos, seu porte, sua atitude e a maneira de sentar. Se ela já estiver sentada, o profissional se priva de todas essas informações importantes. Quando o profissional adquire experiência, ele consegue analisar uma pessoa em menos de um minuto e, no retorno, já a conhece, então não precisa repetir essa etapa do processo.

É preciso, também, conversar com a pessoa para conhecer suas necessidades, seu estilo de vida e seus desejos. Isso significa também, que tem de estar predisposto a ouvi-la e, depois, a explicar o que pretende fazer e como isso a afetará, tanto física, quanto emocionalmente. Essa etapa do processo é importante para certificar-se de que atenderá suas expectativas. Pode acontecer que, ao explicar que efeito o cabelo terá, a pessoa perceba que não deseja isso.

No retorno, esta parte do processo é mais rápida, porque a pessoa geralmente já sabe o que deseja expressar e dará um feedback espontâneo sobre como a sua imagem a afetou. É nesse momento que o profissional descobre se realmente atendeu às expectativas do seu cliente. E assim ele cresce se enriquece e aprende.

Para o cliente, o tempo dedicado a ele é de um valor inestimável. Sente-se especial, valorizado e apreciado. Para muitas pessoas, talvez a maioria, é uma experiência rara. Cria um bem-estar, que querem repetir. Na realidade, podemos dizer que exercer o visagismo verdadeiramente é um ato de amor fraterno.

Mas não é só isso que diferencia a experiência. Através do visagismo, a pessoa passa por um processo de autoconhecimento. Conhece o formato de seu rosto, a cor de sua pele e as proporções de suas feições. A maioria não conhece suas características físicas, nem seus pontos fortes ou fracos. Muitas pessoas acham que seu rosto é redondo - o que as desagrada - quando, na realidade, não é. Essa simples descoberta pode lhe dar uma grande alegria, ou até resolver um trauma. Fica sabendo da lateralidade do seu rosto e a diferença entre o lado máscara e o lado da alma. Surpreender-se-á ao descobrir que seu rosto revela sua personalidade e que o cabelo pode acentuar tanto as suas forças, quanto as suas fraquezas.

Ela se conscientizará sobre o que sua imagem atual está dizendo de si mesma e como ela está sendo vista. Descobrirá que sua imagem tem uma influência poderosa sobre suas relações, tanto íntimas quanto profissionais, e que muitos problemas poderão ser resolvidos com mudanças de corte, de coloração ou de penteado. E o mais importante, descobrirá que sua imagem afeta decisivamente seu comportamento e sua auto-estima, podendo criar entusiasmo ou depressão. (ver ilustração)

Essa conscientização leva a uma reflexão constante sobre o que realmente deseja expressar e a percepção de que ela poderá ser bela, se o melhor de sua personalidade for revelado, com suas características físicas positivas valorizadas e a sua imagem criada de acordo com os princípios de harmonia e estética. Perceberá que poderá ter uma imagem personalizada, autenticamente sua, e não mais procurará se espelhar na imagem de uma outra pessoa. No máximo, poderá desejar expressar, à sua maneira, aquilo que admira em alguém, mas pensará na qualidade da expressão e não no modo em que essa qualidade é expressa. Essa reflexão em si é uma experiência muita rica e também rara, que a maioria não espera ter num salão de beleza, local geralmente associado à vaidade e à futilidade.

Tudo isso faz com que se passe a ter uma nova atitude em relação à ida ao salão. Ao invés de sentir-se gastando dinheiro, em algo supérfluo, a pessoa passará a considerar o cuidado com sua imagem como um investimento numa prioridade. Perceberá que um bom profissional visagista, com domínio de técnicas, poderá lhe proporcionar grandes benefícios. Benefícios no âmbito profissional e na esfera pessoal, e elevação de sua auto-estima.

Essa nova atitude também implica em maior fidelização, pois a criação da imagem pessoal é um processo contínuo. Ao longo do tempo, o profissional conhecerá melhor sua cliente. A situação de uma pessoa, suas necessidades e seus desejos podem mudar de um dia para outro, mas seu ser, sua essência, permanece sempre o mesmo. A tendência é querer ter a sua imagem feita por quem a conhece bem e que acompanhou as transformações pelas quais passou. Enfim, desenvolverá uma relação de cumplicidade com seu visagista.

Uma cumplicidade que cria bem-estar, prazer e beleza, e que faz com que cada cliente se sinta único, valorizado e apreciado, e de bem com a vida.

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