Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 26

ImprimirArnaldo Pereira: Constelation

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De administrador de empresas a um dos hairstylists mais aclamados do mundo, Arnaldo Pereira mostra como conquistou algumas das maiores estrelas hollywoodianas

Sair do país natal para “ganhar a vida” nos Estados Unidos. Esse sonho, materializado em novelas, livros e reportagens, quase sempre recebe um enfoque trágico. Afinal, quem não se lembra da personagem Sol, a imigrante brasileira interpretada por Débora Secco em “América”, da Rede Globo, que, morando nos EUA, topava quase qualquer coisa para conseguir uns dólares a mais. Mas, ao contrário do que a realidade e a ficção insistem em mostrar, o outro lado da história também é verdadeiro.

Prova disso é que o “sonho americano” prosperou – e continua prosperando – ao paulistano Arnaldo Pereira. Do bairro paulistano de Santo Amaro, hoje ele viaja o mundo e é um dos poucos a usufruir das constantes visitas que faz à Los Angeles, Beverly Hills e Nova York para exercer uma de suas grandes paixões: ser cabeleireiro.

Há 14 anos nos Estados Unidos, com residência em Miami e no Golfo do México, a história de Arnaldo começou porque ele não suportava o idioma inglês. “Não gostava da língua nem entendia nada. Fiz vários cursos no Brasil, mas não adiantou. Então, viajei e fiz um curso de três anos nos EUA”, conta. O que era uma mera viagem de estudos transformou a vida do paulistano quando ele conheceu o cabeleireiro Allan Tyre.

A partir desse momento, Arnaldo foi “mordido” pela curiosidade e pelo glamour que o mundo da beleza desperta e decidiu investir na carreira. “Sempre gostei de cabelos. Quando era pequeno, escovava os fios da minha irmã e isso sempre dava briga. Hoje, alguns brasileiros ainda não vêem o cabeleireiro como um profissional, mas como alguém que serve. Nos Estados Unidos, essa profissão é tão importante quanto a de um médico. Isso fortificou a idéia de eu estar na área”, revela. Para atuar na área nos EUA, o hairstylist precisa, antes, adquirir uma licença, conquistada após um ano de curso técnico. Então, faz um teste que, em caso de aprovação, precisa ser renovado a cada dois anos.

A idéia de deixar de lado a formação de administrador de empresas para investir em um ambiente novo deu tão certo que, hoje, Arnaldo é um profissional viajado e versátil, proprietário do salão de beleza Studio 7119, em Sarassota. “Estou lá duas ou três vezes por semana, pois trabalho como freelancer em outros salões. Foi assim que fiz minha carreira”.

Mundo estrelado

Conhecido por ter, literalmente, “feito a cabeça” de diversas atrizes hollywoodianas, como Gloria Estefan e Jennifer Lopez, Arnaldo deixa clara a diferença de atuação do profissional de beleza no Brasil e nos Estados Unidos. “Na hora de realizar o corte ou a coloração, percebo que os americanos são reservados e muito apegados ao costumes, o que reflete no look. Eles não mudam muito de aparência. E, para o hairstylist dar uma opinião a respeito do look, precisa ter tato, tomar cuidado para não ofender”.

Ao contrário do que se pode pensar, lidar com as estrelas na “vida real”, sem o glamour dos sets de filmagem ou das passarelas, exige sua parcela de calma e muito “pé no chão”. “Nunca é fácil lidar com estrelas, pois o contrato das atrizes diz exatamente o que você pode e não pode fazer com a aparência delas. O profissional fica sempre ‘pisando em ovos’, e precisa estar 24 horas por dia à disposição. É estressante, mas gostoso na mesma medida”.

Ao trabalhar em diversas localidades, Arnaldo revela que elas têm um glamour todo próprio. Segundo ele, em Beverly Hills, é possível “palpitar” na maioria dos cabelos, e a atmosfera é de muito glamour. Já em Nova York, a clientela é composta de socialites, que exigem outro tipo de abordagem.

Tendências

Como lida com as últimas novidades do mundo da moda, Arnaldo tem toda a propriedade para dizer que as tendências que são lançadas servem para o mundo inteiro, independentemente do hemisfério. “Hoje, por exemplo, todo mundo copia o visual moderno da Victoria Beckham, que é caracterizado pela utilização de cabelos repicados no topo, curtos atrás e longos na frente, estilizados com bóbis invertidos, e franja curta e desconectada na altura de um chanel”, explica.

Em constante atualização, ele revela que um dos segredos do sucesso é ter a certeza de que aprender nunca é demais. “A cada seis meses vou para a Europa ou faço cursos, além de ministrar shows na Wella e conhecer os lançamentos de produtos. Essa profissão é dinâmica”, diz. Quanto a voltar para o Brasil, ele é categórico: “Viver aqui é um pensamento, mas não é possível agora, pois fiz minha carreira no exterior. Adoro nosso país, mesmo com todos os problemas que conheço. É uma terra boa, de comida e lugares maravilhosos. A adaptação aos Estados Unidos foi difícil por causa da comida americana. Mas acredito que você faz as pessoas e o lugar”, completa

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