Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 11

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Funcionalidade e criatividade na hora de projetar um salão

A arquiteta Françoise Merlino, expert em projetos para salões de beleza, revela como garantir o sucesso nesse empreendimento

Projetar e montar um salão exige muito mais do que boas idéias, capital e espírito empreendedor. A possibilidade de cometer erros é grande, principalmente se não for levada em conta a importância de um bom projeto, para que nenhum detalhe seja esquecido. O projeto de um salão de beleza não se resume em fazer traços numa folha de papel. Vai mais além, envolvendo uma série de cuidados essenciais à sua elaboração. Primeiramente, deve ficar bem claro o conceito adotado na criação do salão: definir o tipo de estabelecimento desejado, as dimensões, a diversificação de serviços e como serão oferecidos. A projeção do espaço irá depender dessas definições e do mercado local.

O próximo passo é a procura do local adequado. Antes de tudo, certifique-se de que o imóvel possa ser adaptado para o pretendido com o mínimo de gasto e o máximo de resultado. Evite alugar uma casa residencial, pois implicará numa reforma de alto custo: demolir e construir paredes, quebrar e fazer o piso, reforçar ou refazer as instalações elétricas, instalar uma nova rede hidráulica etc. Uma loja, com espaço aberto e livre, é mais indicada por permitir uma obra mais econômica, racional e, principalmente, mais rápida.

Agora, antes da reforma, é a vez de determinar com precisão o próprio estilo do salão. Existem, entre outros, três estilos básicos de acordo com as possibilidades de cada um: para uma clientela selecionada, um serviço de alto luxo com um vasto leque de serviços, espaços requintados e um exército de funcionários para um atendimento perfeito; para um público também exigente quanto aos serviços, mas com tempo escasso, dentro de um conceito mais simples, ou então partir para um atendimento expresso para o qual existe um público certo.

Depois de um estilo adotado, é preciso definir a “cara” do salão. Para criar uma identidade própria e analisar as necessidades básicas do instituto, deve-se pensar que a cliente hoje em dia é uma mulher ativa, que trabalha, cuida da casa e tem pouco tempo para se dedicar à própria beleza, portanto esse tempo deve ser o mais prazeroso possível. Das expectativas da cliente é que nasce o conceito do salão: espaço clean e bonito, amplo e funcional, que proporcione facilidade de trabalho para os funcionários e conforto para a cliente.

Um salão de beleza representa, funcionalmente, um lugar onde são desenvolvidos vários serviços e trabalhos interligados, interdependentes e interativos, com necessidades comuns e diferentes. Entre esses serviços: aqueles relacionados com cabelos (shampoo, tintura, hidratação, escova etc.), mãos, pés, estética e maquiagem; serviços complementares como: recepção, caixa, copa, lavanderia, estacionamento e, é lógico, entretenimento para a cliente (revistas, vídeo e som). Além da parte administrativa.

Como a recepção é o primeiro contato da cliente com o salão, é preciso bastante cuidado com o seu visual, localização e funcionalidade. O serviço de recepção tem que ser ágil e eficiente, encaminhando a cliente para o setor de serviço escolhido, sem criar circulações desnecessárias. O hábito de agrupar caixa e recepção é um grande erro, por se tratar de duas atividades totalmente diversas. O ideal seria separar os dois serviços, se possível em espaços diferentes, determinando assim a entrada e a saída. Quem entra no salão não deve ser “atropelada” pelas pessoas que estão saindo.

Para maior conforto da clientela, enquanto aguarda o atendimento, é aconselhável ter uma pequena sala de espera, logo após a recepção. Fundamental e muitas vezes esquecido é um espaço para a manicure esperar e atender a cliente. Não se pode esquecer também de uma pequena sala com pia para o podólogo profissional, cada vez mais presente nos salões. Vale lembrar que esta sala deve ficar próxima da recepção e com fácil acesso.

O posicionamento dos lavatórios é, sem dúvida, a peça-chave do layout da casa. Tem que ser bem centralizado e, ao mesmo tempo, constituir uma área reservada, tendo em vista os momentos de relaxamento proporcionados pelos diversos tipos de tratamentos como, hidratação e cauterização.

As bancadas dos profissionais devem proporcionar o maior conforto para a cliente e as melhores condições de trabalho para o (a) cabeleireiro (a). É essencial deixar um espaço mínimo de 1,50 m entre elas para facilitar o atendimento das manicures. É muito recomendado reservar para a maquiagem uma bancada que proporcione uma exposição total. Demonstrar a execução de um bonito trabalho é o melhor marketing para a casa.

O espaço da estética exige uma localização totalmente preservada (principalmente em relação à acústica), com um acesso imediato da recepção e uma ligação interna com o resto da casa. Pode-se instalar aí uma pequena área com plantas (nem que seja uma simples parede com vasos) que ajudará a criar um ambiente de paz e harmonia.

Muito cuidado e critério na distribuição dos serviços complementares. A localização dos postos de informática é um detalhe muito relevante para o correto e proveitoso desenvolvimento desse trabalho. Um pequeno escritório para atendimento dos vendedores e funcionários também representa uma necessidade. Outro detalhe que faz a diferença é a instalação de um simpático bar, com um café charmoso, perto de um canto com jardim. Além de poder proporcionar um complemento de renda dará muito requinte ao local, representando para a cliente um serviço a mais. Vídeos colocados estrategicamente acima dos lavatórios, por exemplo, pode representar um incentivo para a cliente querer atualizar sempre a sua aparência.

Finalmente, um departamento que não pode ser negligenciado são as instalações dos funcionários: sem ser luxuosas, devem apresentar conforto e atender às normas da legislação trabalhista.

Levando em conta todos esses parâmetros, que deverão ser amplamente discutidos e conversados pelo (a) proprietário (a) e pelo (a) arquiteto (a), elabora-se então a planta final do salão, incluindo o layout. O projeto sendo aceito, é hora de começar a definição dos materiais, das cores e do mobiliário, que devem ser de materiais práticos e resistentes. Outro detalhe muito importante é o planejamento minucioso da iluminação, adequada e diferenciada para cada tipo de serviço.

Desta forma, podemos concluir que um bom projeto é aquele que consegue, através de um estudo primoroso e detalhado das necessidades do salão, criar um ambiente que seja ao mesmo tempo funcional e bonito, que proporcione facilidade de trabalho para os funcionários e conforto e bem-estar para a cliente.

1 Comentário:

  1. Foto: Claudia
    Claudia: 19/08/2009 às 23:25
    Olá!

    Tentei encontrar o site da arquiteta Françoise Merlino e não consegui. Gostaria do contato dela. Vocês podem me fornecer?

    Desde já agradeço a atenção.


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