Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 47

ImprimirBeleza em cartaz

Avalie: 12345

Personagens marcantes da sétima arte usam cabelo e make-up para caracterizar diferentes personalidades

texto: Rebeca Alcoba | fotos: divulgação

O visagismo já se tornou uma constante nos salões de beleza. Mas esse conceito não fica restrito ao dia a dia dos profissionais. A caracterização de cinema também possui artifícios para refletir na aparência dos atores a personalidade de seus personagens.

Há verdadeiros mestres nesse segmento, que ganhou uma categoria própria no Oscar de 1981: a de Melhor Maquiagem. Curiosamente, o primeiro vencedor, Rick Baker, que levou o prêmio pelo filme Um Lobisomem Americano em Londres, ganhou outra estatueta em 2011 pela maquiagem de uma nova produção com o mesmo personagem, interpretado por Benicio Del Toro.

Outro maquiador que tem se destacado em Hollywood é Joel Harlow. Uma de suas criações mais comentadas é a saga de Piratas do Caribe, mas o Oscar veio mesmo em 2010 pela caracterização em Star Trek, feita em parceira com Barney Burman e Mindy Hall.

Por que tanto sucesso? Fácil! Porque muitas caracterizações de cinema saem das telas para a realidade, e alguns personagens e suas atrizes tornaram-se ícones de toda uma época. “As pessoas copiam suas musas, revelando o que na verdade gostariam de ser”, diz Tony Borba, visagista, cabeleireiro e maquiador. Ele explica que o efeito da identificação interfere de forma seletiva no campo emocional. “Copiamos das divas somente aquilo que nos agrada emocionalmente”, completa. É como se o espectador captasse apenas o que é compatível com seu jeito de ser.

Audrey TautouAudrey Tautou - Amélie Poulain
(O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, 2001)
Tímida, pura e delicada. Essas são as características do comportamento de Amélie Poulain no filme lançado em 2001. Para acompanhar a personalidade, o enredo passa-se nas áreas mais bucólicas de Paris, e figurino, cabelo e make-up têm em comum sua característica minimalista. “Esta imagem simples, de um ser que vive para se doar às pessoas, fica explícita na caracterização”, comenta Tony Borba, cabeleireiro e maquiador.

Para ele, o corte adotado por Amélie também possui um significado: “O chanel com as pontas viradas para fora transmite uma irreverência controlada e um ar de garota simplória.”

Elizabeth TaylorElizabeth Taylor - Cleópatra
(Cleópatra, 1963)
O filme épico retrata a rainha do Egito desde a ascensão até o declínio. A película chegou a faturar quatro Oscar, incluindo o prêmio de Melhor Figurino. Segundo Evânio Alves, cabeleireiro e proprietário do Espaço Divas, a imagem de Cleópatra foi construída para expressar sedução, poder e magia. Ele aponta o contraste dos cabelos negros da rainha, criação de Vivienne Walker, com os acessórios de cabeça dourados como fatores fundamentais para atrair o espectador. A maquiagem também serviu de chamariz. Nesse aspecto, quem caprichou nos olhos puxados de Elizabeth foi o maquiador Alberto de Rossi.
A produção, repleta de detalhes, demonstra a ousadia e a força da rainha. “A estética da mulher é o reflexo da sua personalidade. Quanto mais produzida, mais ousada ela é. Foi assim com Cleópatra.”

Julia RobertsJulia Roberts - Vivian
(Uma Linda Mulher, 1990)
A história de amor que marcou a década de 1990 funciona como um conto de fadas moderno. Basta substituir a órfã maltratada pela prostituta da Rodeo Drive. A personagem vive três realidades, e isso transparece no figurino. Quando conhece o galã, ela deixa de lado a peruca loira, a maquiagem forte e as roupas curtas para aderir a um estilo clássico. Nessa fase, o cabelo volta ao natural, o make-up fica nude e as roupas ganham caimento.

O último figurino é o mais revelador, mesmo sendo o menos chamativo. Ele aparece na cena em que a protagonista se prepara para viajar e usa os cabelos presos em rabo de cavalo, blazer azul-marinho, camiseta branca e calça jeans. “Em cada transformação percebemos perfeitamente o tipo de mulher que ela queria ser. Ao final, ela se revelou como realmente era”, comenta o maquiador David Godoy.

Os looks anteriores destoavam do jeito de ser de Vivian: é como se sua aparência transmitisse ao longo do filme informações errôneas sobre a sua personalidade, revelada apenas no final.

Tippi HedrenTippi Hedren - Melanie Daniel
(Os Pássaros, 1963)
Na ficção, as mulheres de Alfred Hitchcock lançavam mão da elegância para disfarçar seus problemas de caráter. As heroínas do diretor eram de carne e osso: mentiam, enganavam e usavam o potencial de sedução em troca de vantagens.

Tippi Hedren, mãe da também famosa Melanie Griffith, foi uma das atrizes preferidas do diretor, protagonizando Melanie Daniel no incômodo filme Os Pássaros. “Uma socialite elegante, linda e sexy, disposta a tudo para atingir seus objetivos, sempre com muito glamour”, enfatiza Hugo Moser, hairstylist que acaba de exibir uma coleção de cabelos inspirada na obra do diretor inglês.

A beleza impecável da personagem foi fundamental para criar o contraste com o cenário assombroso do filme. Os ataques que destruíram as roupas alinhadas e o penteado estruturado durante as sequências estremecem uma atmosfera falsamente inabalável.

Grace KellyGrace Kelly - Lisa Carol
(Janela Indiscreta, 1954)
Mesmo antes de se tornar princesa, Grace Kelly já dava sinais de que esse seria o seu futuro. A postura altiva e a beleza irretocável atraíam a atenção por si só. Tal descrição se encaixa perfeitamente em Lisa Carol, de Janela Indiscreta, de 1954. Com um aspecto a mais: o comportamento elétrico da personagem. “Ele reflete o contraste entre a mobilidade de Lisa e a figura estática do fotógrafo com a perna quebrada”, analisa Maria Izabel Branco Ribeiro, diretora do Museu de Arte Brasileira, onde está a exposição Os Anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco.

Grace destacava-se por equilibrar o classicismo e a sensualidade, o que se traduz no figurino com transparências e decotes, que contrastavam com as madeixas perfeitamente penteadas. “Ela concentrava aspectos sensuais e clássicos, o que fica explícito na maneira como se colocava nas situações.”

Reese WhiterspoonReese Whiterspoon - Elle Woods
(Legalmente Loira, 2001)
Ser loira sempre foi sinônimo de sensualidade, e o fato da cor atrair atenção colabora para isso. Apesar de trazer a tona todos os estereotipos atribuídos às loiras, a interpretação de Reese Witherspoon mostra que elas são mais do que belos cabelos e maquiagens o primeiro momento, só se vê a vaidade demasiada da patricinha Elle Woods, mas aos poucos o filme revela toda a sensibilidade da personagem.

Outro detalhe ressaltado pelo hairstylist Michel Vidal é o alto-astral evidente na figura dela, sempre tentando reverter os acontecimentos desagradáveis da sua vida e dos seus amigos. “O cuidado e a dedicação com o visual influenciam positivamente no estado de espírito, deixando a mulher alto-astral”, analisa.

Confira também:

Guanidina e os mitos sobre relaxamento de cabelo

Galeria de fotos:

  • Personagens de cinema
  • Audrey Tautou
  • Elizabeth Taylor
  • Julia Roberts
  • Tippi Hedren
  • Grace Kelly
  • Reese Whiterspoon

Deixe um comentário:



Buscar

Notícias

Newsletter

Assine e receba as novidades da revista em primeira mão.



Publicidade


Revista Cabeleireiros.com

Login Cadastre-se