Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 43

ImprimirCabelos e arte moderna

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artigo_john_santilli (3)Antes de iniciar o trabalho no salão de beleza, o cabeleireiro deve conhecer o conceito da Bauhaus

John Santilli: embaixador da BSG e ex-diretor da Vidal Sassoon Academy, trabalhou com Tony Rizzo e na Sanrizz

Ainda adolescentes, aprendemos nas aulas de arte, e de história que existiram muitos estilos de arquitetura e desenho: medieval, renascentista, barroco, rococó, maneirista, art nouveau, art déco... Em 1978, quando tinha trinta anos, fui passar férias em Berlim com Tony Rizzo, fundador da rede de salões inglesa Sanrizz. Lá, nos encontramos com amigos que viviam o período pré-punk e gostavam de colorir o cabelo com tons primários (azul, amarelo e vermelho).

Conversando com eles, descobrimos que, antes da Segunda Guerra Mundial, tinha nascido na Alemanha uma escola de arquitetura, artes e artes & ofícios de vanguarda chamada Bauhaus. Nunca havíamos ouvido falar dela, então fomos até um museu e passamos a tarde apreciando a proposta modernista da Bauhaus, que criou um estilo arquitetônico “antenado” com sua época.

artigo_john_santilli (2)Ficamos surpresos ao perceber que a Bauhaus tinha os mesmos conceitos que ensinávamos nos cursos para cabeleireiros. Mostrávamos para os alunos um jeito inovador de cortar e colorir o cabelo, e fazíamos sucesso em países como Japão, Suécia, Noruega, Taiwan, Dinamarca e Itália.

Nossa técnica era baseada na pura geometria, por isso aplicávamos nos cortes quatro formas geométricas presentes nos desenhos da Bauhaus: cubo, esfera e pirâmide. Mas as semelhanças não paravam por aí. Um dos colaboradores mais famosos dessa escola foi o pintor e colorista suíço Johannes Itten.

Itten influenciou a organização e a estruturação dos cursos de design da Bauhaus. Sua teoria da forma defende que círculos, quadrados e triângulos têm significados: o primeiro é fluente e central; o segundo, calmo; e o último, diagonal.

artigo_john_santilli (1)Tendo como ponto de partida as ideias de Itten, em 1977 começamos a aplicar cores primárias nos cabelos com o objetivo de criar efeitos tridimensionais. O idealizador dessa técnica foi meu amigo e mentor Flint Whincop, na época diretor artístico da Vidal Sassoon.

Em termos práticos, caso uma cor clara seja aplicada em determinada parte do cabelo, o olhar do observador será direcionado para lá. Com um tom escuro, o efeito contrário é alcançado, o que permite esconder certos aspectos dos fios. Essa dica é consagrada e garante resultados surpreendentes. Seus clientes vão adorá-los.

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