Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 27

ImprimirCertificação de cosméticos: uma garantia para todos

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Valéria Longo Parsekian (coordenadora do grupo de cosmetologia da Universidade Federal de São Carlos)Realizar testes de eficácia e de segurança em produtos cosméticos é uma das estratégias das empresas de beleza para garantir segurança e confiabilidade aos consumidores

Valéria Longo Parsekian (coordenadora do grupo de cosmetologia da Universidade Federal de São Carlos)

O mercado brasileiro de produtos de higiene, perfumes e cosméticos apresentou, de 1996 a 2006, um crescimento anual médio de 10,9% em comparação aos 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo período. Com as vendas aumentando, o setor pôde investir em tecnologia. Segundo uma pesquisa do Instituto Euromonitor (2006), o Brasil superou a França – a terra da perfumaria e da cosmética – e já é o terceiro maior mercado do mundo em consumo de cosméticos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão.

Com essa demanda cada vez maior por parte dos consumidores, surge uma nova necessidade: a certificação da eficácia e da segurança dos produtos. Mas como saber se aquela mercadoria que está na prateleira e tem embalagem agradável e cheiro envolvente realmente trará os benefícios que promete no rótulo? Considerações subjetivas, como a indicação de alguém ou a escolha de uma marca reconhecida, podem até servir de parâmetros na hora da compra. No entanto, para o benefício do consumidor, faz-se necessária uma avaliação mais objetiva.

Assim, as empresas de certificação de produtos cosméticos lançam mão de testes objetivos, no qual métodos científicos são utilizados e a relação entre pesquisador e empresário torna-se mais próxima. Para tanto, é imprescindível o conhecimento das estruturas do cabelo e da pele, bem como suas interações com o meio ambiente.

Um dos conceitos levados em conta no momento da realização dos testes se refere às estruturas básicas dos cabelos: a cutícula, o córtex e a medula. A primeira é a camada mais superficial do fio e serve como uma membrana semipermeável à entrada e saída de componentes. O córtex é a porção mais interna, responsável pela resistência mecânica, grau de enrolamento, coloração, entre outras propriedades. Já a medula ainda não tem uma função bem entendida pelos cientistas.

As avaliações são variadas e se aplicam às propriedades específicas que cada ativo incorporado a uma fórmula em tese fornece para certa estrutura do cabelo. Para a cutícula, por exemplo, os testes mais comuns são realizados com microscópios. Dentre os equipamentos mais modernos está o microscópio eletrônico de varredura, que pode aumentar a imagem dez mil vezes. Geralmente, um fio degradado na cutícula é exposto ao ativo que se pretende avaliar. O resultado do antes e do depois é observado em imagens fornecidas por microscópio, e com a ajuda de um software a porcentagem de melhora é avaliada. Com esses dados em mãos, a empresa que requisitou o teste pode colocar no rótulo do produto que ele, por exemplo, restaura em 40% a cutícula.

Os testes de hidratação dos cabelos são bastante usuais também. Para a sua realização, os fios são tratados com um produto ou com a linha completa de hidratação, secos naturalmente e, depois, analisados em um equipamento de calorimetria diferencial exploratória. Nele, a quantidade de água presente na fibra é quantificada. Assim, o grau de hidratação é medido e o produto pode trazer em seu rótulo a quantidade de hidratação que ele proporciona.

Todos os produtos cosméticos podem ser avaliados, assim como técnicas científicas inovadoras podem ser estruturadas para atender ao mercado. Nesse contexto, todos têm a ganhar, pois os consumidores terão ao seu dispor informações reais e científicas a cerca dos produtos que estão consumindo. Os profissionais da beleza poderão optar com segurança pelo produto que pretendem entregar aos seus clientes. A indústria cosmética fornecerá produtos de tecnologia cada vez mais eficaz e segura

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