Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 25

ImprimirCharles Veiyga: um salto para fama

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São Paulo, terra das oportunidades. Para muitas pessoas esta frase não faz sentido, pois enxergam uma metrópole superlotada e cheia de problemas. No entanto, para outros a crença nesta afirmação fez sua história de vida adquirir rumos diferentes. É o caso do hairstylist Charles Veiyga, que encontrou na Cidade da Garoa uma terra fértil para plantar as sementes dos sonhos profissionais.

Sua trajetória começa em Palmeiras das Missões, uma cidade interiorana do Rio Grande do Sul. Caçula de seis irmãos, Charles veio de uma família simples, acostumada a uma vida pacata, típica de quem mora em cidade pequena. Com 12 anos, o jovem gaúcho foi morar com um de seus irmãos. “Depois de uns anos, estudava à noite e trabalhava de dia como auxiliar de escritório, arquivando documentos e fazendo um pouco do serviço de office-boy”, explica.

Aos 15 anos, Charles entrou para o círculo de relacionamentos de seu irmão e conheceu uma pessoa que mudaria sua vida. Neste grupo havia um grande amigo que era cabeleireiro, conhecido como Léo. “Ele sempre foi o mais bacana, o mais moderno, e me tornei seu amigo também”, relembra Charles que, naquele momento, começou a participar de eventos e observar, admirado, como Léo executava os penteados e os cortes.

Em um destes eventos, Léo pediu para Charles ajudá-lo no trabalho, segurando sprays e grampos. “Depois da apresentação, fomos comemorar e ele comentou que eu era comunicativo e bem-humorado, e que se quisesse poderia me tornar um bom profissional, pois ele estava disposto a me ensinar tudo da profissão”, conta. “Imagina eu, nesta idade, convivendo com um monte de meninas bonitas? Todo adolescente quer isso”, relembra.

Na semana seguinte, ainda sem acreditar na proposta, Charles foi até o salão de Léo, que confirmou o que havia dito e sugeriu um tempo de experiência. Depois de um ano trabalhando com o amigo, o esforçado Charles, sob o comando de Léo e seus irmãos Leomar e Ademar, se tornou um dos profissionais do estabelecimento. “Tenho um carinho muito grande por eles, que ainda trabalham na cidade. Mas mantenho contato até hoje”.
Pisciano nato, o sonhador Charles começou a se imaginar um profissional de sucesso, trabalhando nos melhores salões. Ele já estava tomado de paixão pelo ofício, e garantia à Léo, seu professor, que lhe daria muito orgulho. “Ele brincava comigo para eu ter calma, pois estava sonhando alto demais, mas imaginava meus trabalhos nas melhores capas de revistas”.

Mais tarde, o profissional mudou para a capital de seu Estado, Porto Alegre. Trabalhando em um salão mais conhecido, realizou cursos para se aperfeiçoar na área. Ainda buscando novos caminhos, Charles mudou novamente de ares e foi trabalhar no Ribeiro Cabeleireiros, especializado no público masculino. Após oito meses recebeu uma proposta para trabalhar na filial do De La Lastra, em Curitiba, mas não foi exatamente uma experiência satisfatória. “O dono da franquia era arrogante e vivia falando que não tínhamos talento. Ele achava que todos podiam sair do salão, pois havia muitos outros profissionais loucos para entrar. Não nos valorizava”, recorda.

Mas seu destino estava em outra cidade, São Paulo. No salão, Charles conheceu o cabeleireiro Nelson, que o ajudou na nova empreitada indicando duas amigas que o abrigariam. “O dono do salão disse que era melhor eu não ir para São Paulo, pois lá as oportunidades não vinham facilmente e eu não tinha o menor jeito para ser cabeleireiro”, conta o profissional, que, bem-humorado, agradeceu o conselho e seguiu em frente.

No dia 13 de março de 1991 Charles Veiyga chegava à rodoviária do Tietê. Os arranha-céus, uma multidão de pessoas nas ruas, o trânsito e o som constante das buzinas assustou o cabeleireiro, que não desanimou e continuou seu caminho rumo à nova vida. “Peguei o metrô sozinho, fiz várias baldeações e ainda havia uma onda de roubos de tênis na cidade”, relembra.

Já no apartamento, que ficava no Copan, um conjunto residencial famoso na cidade, Charles conheceu as novas companheiras, que o receberam com muita simpatia. Neste momento, o profissional planejou toda sua vida. Nos próximos dias, se matriculou em cursos de especialização e, em um deles, promovido pela L´Oréal, conheceu Regina e Araci, técnicas do Centro educacional da marca que fizeram toda a diferença em sua carreira. Uma semana depois, elas indicaram Charles para trabalhar no salão de uma amiga chamado Bel Cabeleireiros.

Mas as novas amigas acreditavam no potencial do jovem cabeleireiro e o incentivaram a fazer um teste na rede de salões Jacques e Janine. O profissional se convenceu que tinha capacidade para dar mais este passo e entregou seu currículo em uma unidade perto de casa, que ficava dentro do hotel Hilton. “Disse ao Lula, um profissional da rede, que não me importava em trabalhar como assistente. Isso chamou atenção dele”, explica Charles, que conseguiu marcar um teste.

O desafio foi conseguir três “cobaias” que aceitassem ser modelos no dia do teste. Elas seriam submetidas a um corte chanel, a um curto e a outro comprido e repicado. No grande dia, Charles decidiu começar pelo chanel, um corte que exige técnica perfeita, pois o profissional deve estar atento às angulações da cabeça, ao nascimento dos fios e a outros detalhes. “Como sabia que este era o corte mais difícil, o treinava em bonecas e em crianças de ruas, além de visitar orfanatos e oferecer meu trabalho”, comenta.
Após o teste, o cabeleireiro Lula foi para uma reunião de profissionais da rede e convidou Charles, pois lá estariam Jacques e Janine, que dispensam comentários. “Quando cheguei ao local, ele me apresentou com muito orgulho e comentou do meu trabalho. Eles, super simpáticos, deixaram claro que gostariam que eu fizesse parte da equipe”, conta o profissional, que começou no batente no dia seguinte.

Daí por diante, Charles trabalhou em diversas unidades da rede, realizou cursos nas mais conceituadas instituições de ensino (como Toni & Guy, Alexandre de Paris, Jacques Dessange, Llongueras e Vidal Sassoon), realizou desfiles e ensaios para revistas e participou do Criança Esperança e da campanha do Câncer de Mama.

Depois de oito anos de trabalho intenso, uma outra rede de salões mostrou interesse por suas habilidades: o De La Lastra. Essa segunda experiência, que durou três anos, permitiu que ele viajasse o País todo com Rodrigo De La Lastra para realizar cursos e se apresentar em seu primeiro show para três mil pessoas, no palco do Olímpia, uma extinta casa de eventos.

Um novo desafio profissional surgiu em sua vida. Os proprietários dos salões L´Officiel o convidaram para integrar seu time de cabeleireiros. “O bacana foi que só podia ser profissional do salão quem havia se formado com eles. Mas entrei, mesmo com bagagem de outros lugares, pois eles conheciam meu trabalho e acreditaram no meu potencial. Somos amigos até hoje”, afirma Charles, garantindo ter aprendido uma nova forma de trabalhar. “Percebi que tinha que me preocupar com qualidade, e não com quantidade. Pesquisei mais a respeito das tendências de moda, enfatizei o lado conceitual e criativo do e aprendia mais em cada viagem que fazia. Comecei a pensar na imagem que criava e no que queria transmitir”, reflete.

Mas o destino ainda reservava mais experiências para o profissional. Após quatro anos trabalhando no L´Officiel, surgiu a oportunidade de ingressar no MG Hair Design, de Marco Antonio Di Biaggi, e desde 2004 Charles Veiyga faz parte de uma equipe afinadíssima nas tendências de cortes e colorações. “Para mim, foi mais uma mega sena muito mais valiosa do que a premiação em dinheiro”, analisa.

Hoje, Charles divide suas funções no MG Hair com as atividades do Comitê Organizacional da feira Hair Brasil, um trabalho que exige conhecimento na área e bons contatos para auxiliar nos workshops e nos megashows. Além disso, apresenta, todos os anos, uma nova produção que envolve cenários, tendências e muita criatividade.

Eleito o melhor cabeleireiro do País em 2000, especialista em visagismo com o francês Cloud Juliard, Charles Veiyga se define como inovador. “Gosto do estilo básico até o mais maluco. Adoro criar e desenvolver novas idéias o tempo todo”, explica.

Entre clientes, shows e novas descobertas, o hairstylist se revela um entusiasta da profissão, mas não vive somente para cortes e cores. Sua mais nova “criação” é um saudável menino, chamado Pedro Henrique, que proporcionou um doce desafio para Charles: o de ser pai

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