Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 31

ImprimirCosmecêuticos: ciência ou marketing inteligente?

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Entenda o que são e saiba como utilizar os produtos cosmecêuticos

Lucia Fagundes
(autora do livro Detetive da Beleza)

O termo cosmecêutico foi criado, em 1984, pelo médico americano Albert M. Kligman. Sua intenção era conciliar a ciência moderna com alguns estatutos legais arcaicos. Hoje, segundo ele, com os grandes avanços obtidos na fisiologia da pele, é impossível não existir uma única substância que, sob determinadas circunstâncias, não seja capaz de alterar a estrutura ou a função da pele.

No mercado de produtos para cuidados pessoais, a palavra cosmecêutico pode significar dermocosmético, cosmético funcional, cosmético de desempenho ou, ainda, neurocosmético. Esses termos causam controvérsia e confundem os consumidores. Então, em linhas gerais, cosmecêutico pode ser definido como um produto que combina os benefícios de um cosmético com um produto farmacêutico.

A introdução dos cosmecêuticos na produção de cosméticos apressou as pesquisas, contribuindo para melhorar o conhecimento sobre cosmetologia. Porém, o próprio Kligman afirma que o controle sobre a criação do termo se perdeu, já que ele caiu no mundo encantado dos marqueteiros e possibilitou a incorporação de um número ilimitado de ingredientes ativos aos produtos de tratamento de pele, sejam eles provenientes das plantas, do mar, da terra... A relação de novas substâncias, inclusive as sintetizadas por químicos, é alarmante.

Muitas empresas de cosméticos, especialmente as que vendem produtos endossados por dermatologistas, escrevem o termo cosmecêutico no rótulo. O testemunho de um médico cria nas pessoas a sensação de que o cosmecêutico é um produto mais eficaz que os cosméticos comuns.

A procura por uma resposta ideal Órgãos fiscalizadores de saúde exercem pouco controle sobre os cosmecêuticos. Qualquer fabricante pode colar uma etiqueta com esse dizer e promover seus produtos como sendo medicinais. Essa palavra tem um alto valor no mercado para a indústria cosmética, e alguns fabricantes estão supostamente apenas vendendo um pedacinho do céu.

O fato é que o termo cosmecêutico também agregou aos produtos cosméticos uma linguagem inteligente de marketing. Assim, inúmeros produtos de tratamento de pele contêm ingredientes que afetam a função biológica da cútis, sendo irrelevante a forma como são rotulados e introduzidos no mercado.

As finalidades dos produtos cosmecêuticos são:

- prevenir os danos causados pelos raios solares;
- reduzir a formação de radicais livres;
- melhorar a camada lipídica da pele;
- clarear manchas;
- reduzir rugas.

Tais metas podem ser atingidas, mas até certo limite. É bom lembrar que, apesar de todo o invólucro científico vendido junto com esses produtos, a ciência cosmecêutica experimenta ingredientes biológicos ativos in vitro e não in vivo. Sucesso in vitro não necessariamente significa sucesso in vivo. Colocar dois ingredientes ativos num creme e aplicar na pele não garante sucesso.

Poucas dessas substâncias são realmente testadas. Muitas delas são provadas apenas no momento em que o consumidor usá-las na pele. Ingredientes ativos disponíveis Os ingredientes ativos a serem observados são os antioxidantes – vitaminas C e E, niacinamida (vitamina B3), ácido alfalipóico, entre outros. A ação de um antioxidante é útil para a pele. Porém, embora os fabricantes insistam nas promessas, a ciência é clara: não há o melhor antioxidante e sim inúmeras opções.

Os pesquisadores acreditam que, apesar de alguns antioxidantes apresentarem estabilidade e expressivo poder de ação, um grupo de antioxidantes sempre será mais eficiente que sua ação individual. É o efeito da ação simultânea deles na pele que trará resultados. Associar os ingredientes ativos dos cosmecêuticos com tratamentos cosméticos é o mais recomendável. Assim, após um tratamento com laser, combinar alguns antioxidantes pode reduzir a vermelhidão local na pele.

O nome cosmecêutico não deve influir na qualidade de um produto cosmético. O que dita a qualidade dos produtos é a sua lista de ingredientes. Os cosmecêuticos podem melhorar as funções da pele ou, na linguagem cosmética, nos deixar mais jovens. Os atributos de um bom produto anti-ruga ou hidratante, por exemplo, devem ser uma mistura elegante de antioxidantes
 

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