Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 50

ImprimirCutículas: proteção e precaução

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cuticulas (2)Elas são importantes para a proteção das unhas e, mesmo assim, só ganham caras feias das mulheres e manicures. Saiba por que você deve dar mais atenção – e carinho – às cutículas!

texto: Eder Garrido | fotos: divulgação

A cena repete-se diariamente em milhares de salões de beleza. A cliente senta-se na cadeira para receber a manicure e vai logo falando: “Pode tirar toda a cutícula”. Há um caso ainda pior, em que a própria profissional acaba com as tão temidas “pelinhas”, sem sequer perguntar.

Elas podem não ser a parte mais atrativa das mãos, mas as cutículas são anexos da pele que protegem as unhas de infecções. “Tirá-las é um modismo relacionado a questões culturais, não à necessidade”, explica Paulo Henrique Lucas, especialista em cosméticos e consultor do Grupo LQF. Retirá-las expõe as unhas à ação de microrganismos, fungos e bactérias, que podem gerar micoses e infecções, além de danificar o crescimento ungueal.

Nos Estados Unidos e em certos países da Europa, existem leis que proíbem as manicures de retirarem as cutículas dos clientes. Daí veio o costume de apenas afastá-las e aparar partes secas que ficam no alto ou nas laterais. No Brasil, há um desvio de entendimento imposto pela “cultura da limpeza”, em que a remoção das cutículas remete a asseio.

Mas isso não quer dizer que as mulheres simplesmente devem se render e sair por aí com as cutículas tomando metade das unhas. O excesso pode – e deve – ser extraído. Para isso, foram criados produtos amolecedores, que hidratam e deixam as cutículas bem molinhas, facilitando a retirada. Rosa Gonzaga Nascimento, manicure do Atelier Lincoln Tramontini, alerta que a remoção deve ser feita de forma cautelosa, retirando o mínimo da membrana.

A espessura das cutículas pode variar entre as pessoas. As mais finas geralmente possuem essa textura por um fator genético, mas também podem adquiri-la pelo uso de medicamentos. Quem faz tratamento oncológico, por exemplo, percebe uma fragilização.

Por isso, antes de iniciar o trabalho, a manicure deve avaliar as condições das cutículas da cliente. Estão finas? Cuidado para não machucá-las! Estão grossas? Dê dicas sobre hidratação! E fique atento: pacientes com diabetes merecem cuidado especial. Por apresentarem dificuldade de cicatrização, infecções gravíssimas podem ser causadas caso a manicure insista em cutucar as cutículas ou retirá-las em excesso.

Passo a passo
Antes de empurrar ou retirar as cutículas, deve-se realizar uma boa esfoliação com um produto que contenha ativos de origem vegetal, como caroço de damasco, linhaça, grãos de arroz ou bambu. “O ideal é esfoliar as mãos duas vezes por semana e hidratá-las duas vezes ao dia”, diz Paulo. Para facilitar o trabalho, indica-se lavar as mãos das clientes antes do procedimento.

Mas o maior segredo de como ter cutículas perfeitas está na hidratação. Removendo-as ou não, esta deve ser a prioridade. Peles muito espessas pedem hidratação potencializada. E o efeito é cumulativo: quanto mais hidratadas, maior é a tendência de as mãos apresentarem um aspecto bonito. “Uma das maiores dificuldades das profissionais é lidar com a pele endurecida”, lembra o especialista.

A manutenção das cutículas deve ser feita de acordo com a velocidade de crescimento. Geralmente, o período é de uma semana, empurrando-as com o afastador. Para quem tem mania de roer as unhas, saiba que isso ajuda a engrossar a pele. Isso acontece porque , assim como a pele, o cabelo e as unhas, elas são compostas por queratina. A proteína forma-se em maior quantidade onde há mais atrito – repare nas solas dos pés, de maneira que essas partes ficam mais grossas e resistentes. Trata-se de uma resposta fisiológica de proteção ao tecido. Conclusão: roeu, cutucou, passou o alicate? Lá vem mais queratina!

cuticulas (1)Cor nelas!
Quando o assunto é esmaltação, Adriana Estopa, manicure da Dote, sublinha: “Após aplicar o esmalte, retire todo o creme das cutículas, sem deixar resíduos”. Também é importante optar por produtos livres de acetona e substâncias como tolueno, benzeno e formaldeído. Além de evitar ressecamento, você não vai deixas as unhas amareladas. E vale sempre buscar pela informação do “dermatologicamente testado” na embalagem.

Se você é daquelas profissionais que, ao esmaltar as unhas das clientes, aproveita para colorir as cutículas, muita calma nessa hora! Para Rosa, isso ressalta a região e deixa a impressão de falta de cuidado. Ah, e uma dica: na hora de retirar o esmalte, deixe de lado a acetona e prefira os removedores testados dermatologicamente. Além de não causarem ressecamento, esses produtos são mais seguros.

Como se deve esperar, uma boa profissional utiliza ferramentas de trabalho em ótimas condições de uso. Para Rosa, alicates mal afiados comprometem a qualidade do trabalho e geram as famosas ‘picotadas’ e ‘bifes’, que são sinônimos de sangue, dor, possíveis infecções e provável perda de cliente.

Mas não basta estarem afiados. O alicate e os demais instrumentos precisam estar limpos, esterilizados e seguros. Atualmente, muitas manicures estimulam as clientes a levarem o próprio kit ao salão, iniciativa válida que não anula a necessidade de terem o próprio material.

Quem vai à manicure e não retira as cutículas deve ter um desconto? As opiniões se dividem. Rosa afirma que sim, pois, nesse caso, o foco do trabalho é somente na esmaltação. Adriana pensa o contrário. “Esta é uma opção da cliente, mas o trabalho é o mesmo”. Paulo também defende essa posição e sublinha a atenção exigida pelo procedimento. “O serviço deve ser cobrado pelo resultado final obtido”.

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