Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 20

ImprimirDesvendando o Mercado de Escovas Progressivas

Avalie: 12345

Um assunto tão falado e ainda com tantas dúvidas. O cabeleireiro escolhe o serviço, mas, para isso precisa estar bem informado.

Existe uma diferença considerável entre cabelos cacheados e cabelos volumosos. Os cabelos cacheados proporcionam uma linda moldura ao rosto com caracóis que se movimentam de forma despojada e versátil. No entanto, os cachos exigem muitos cuidados para que não adquiram um aspecto arrepiado com volume descontrolado e aparência de cabelos secos e descuidados. Os cabelos volumosos predominam entre as mulheres brasileiras e, conseqüentemente, a necessidade de escova para doma-los é uma realidade nacional.

A escova define os cachos e alisa os fios. Ao alinhar a fibra confere brilho intenso, ao diminuir o volume acalma os fios arrepiados e, os cabelos escovados proporcionam um aspecto saudável e hidratado com muita maleabilidade e toque sedoso. A prancha, ou chapinha, veio para potencializar o efeito liso e, principalmente doar muito brilho tornando os cabelos vibrantes. Assim, quem gosta dos cabelos alinhados, com aparência de bem cuidados torna-se adepto da escova.

O maior inimigo de um cabelo escovado é a umidade do ar. Nos dias de chuva ou nos dias mais úmidos, os cabelos perdem rapidamente a escova tornando-se arrepiados e volumosos. Isso acontece porque o processo de secagem com secador e escova ou com a prancha atua sobre as ligações temporárias. Essas ligações são facilmente rompidas pela água presente na umidade do ar. A forma natural dos cabelos se deve principalmente pelas pontes permanentes ou pontes dissulfetos entre queratinas vizinhas que é responsável pela resistência e grau de ondulação permanente dos cabelos e, pontes temporárias tais como a salina e a de hidrogênio que se rompem facilmente com a água e são responsáveis pelo efeito mais liso ou arrepiado do fio segundo molhado ou seco. À medida que os cabelos molhados vão secando as pontes temporárias vão se restabelecendo. Ao escovar ou pranchar vamos orientando a formação dessas pontes de forma que os cabelos vão adquirindo um aspecto mais alinhado. Mas à medida que os fios vão entrando em contato com a água presente na umidade do ar, as pontes vão se rompendo e, influenciadas pelas pontes permanentes vão se restabelecendo de forma aleatória. Resultado: cabelos volumosos e arrepiados. Lá se foi a escova. Fica o aspecto de cabelo despenteado e descuidado.

Uma boa opção para os cabelos mais volumosos e rebeldes seria o relaxamento tradicional com sódio ou guanidina. Esses produtos proporcionam um efeito liso permanente que facilita muito o dia a dia, mas são mais indicados para cabelos excessivamente cacheados, muito volumosos e que acabam ficando muito danificados se escovados e pranchados com muita freqüência, pois por sua própria estrutura, exige muito estiramento do fio durante a secagem com a escova para que ele permaneça alinhado.

Os cabelos volumosos, mas que são mais facilmente escovados, podem optar pelos relaxantes com tioglicolato que proporcionam um aspecto bastante natural, com muito brilho e maleabilidade.

Os alisantes temporários contêm polímeros, ou “grandes moléculas” que são ativadas pelo calor “abrindo-se” e formando um filme que envolve o fio de cabelo dificultando o contato da água presente na umidade do ar com a fibra queratínica. Assim, os cabelos ficam escovados até o próximo shampoo.

Na busca de um efeito cada vez mais vibrante alguns cabeleireiros passaram a usar métodos não convencionais comprometendo a própria saúde em prol de benefícios financeiros. Assim surgiu a “escova de formol” onde uma substância química irritante é usada de forma indiscriminada e em doses cada vez mais forte sendo incorporada a queratinas e cremes de pentear e aplicada sobre os cabelos durante a escova seguida de prancha. Vapores irritantes e danosos são absorvidos por todas as pessoas presentes no salão, o cabelo por sua vez adquire muito brilho e um alinhamento temporário que resiste a várias lavagens, mas que com o tempo vai se tornando mais fino, menos saudável e mais ressecado, partindo-se facilmente e ficando mais vulnerável ao sol e outros agentes externos. Esse cabelo fica “vitrificado” e já não responde bem às colorações e fatalmente vai partir em um trabalho de mecha ou descoloração. O formol é condenado pelos agentes de saúde, atualmente seu uso é ilegal e, conhecendo os males que causa podemos dizer que é imoral.

Na tentativa de ludibriar a ilegalidade e imoralidade, os produtos com formol foram sendo disfarçados com fragrâncias muito fortes e doces e, também foram reduzindo gradativamente as concentrações para que não pudessem ser facilmente identificados. As essências de chocolate, morango e maracujá hoje estão presentes nas escovas progressivas com formol.

Quando falamos em “escova de chocolate” pensamos na manteiga de cacau, no extrato de cacau e no próprio chocolate que usamos nos deliciosos doces que comemos. O chocolate é nutrivo, revitalizante e hidratante. Aplicado sobre os cabelos vai torná-los mais macios e sedosos. O morango é rico em vitaminas naturais, sais minerais, mucilagens hidratantes e outros ativos que atuam sobre os cabelos tornando-os muito mais saudáveis. Sabemos que os produtos naturais incorporados aos cosméticos promovem benefícios visíveis que não podem ser ignorados. Assim sendo as escovas de chocolate, de morango, de maracujá ou de qualquer outro tipo de produto natural são excelentes produtos de nutrição, revitalização e hidratação. Logo, o problema não está nos ativos dos diferentes produtos, mas no formol que muitas vezes está oculto no produto.

Quando pensamos em “escova progressiva” nos vem à idéia uma redução de volume e alinhamento dos fios resultando em muito brilho, maleabilidade e aspecto saudável de cabelos hidratados. Isso nada mais é do que um relaxamento suave feito com um produto de tratamento revitalizante. Assim, surgiram as “escovas progressivas sem formol”. Esses produtos promovem um tratamento alisante suave utilizando baixas concentrações de tioglicolato ou outro agente químico relaxante incorporado a um creme rico em vitaminas, proteínas e produtos naturais tais como o chocolate e o morango.

Que sejam bem vindas as escovas de chocolate, de morango e tantas outras que cuidem dos cabelos, mas cabe aos profissionais cabeleireiros e aos consumidores estar atentos a que tipo de ativo químico está sendo usado. Como um produto sem um ativo químico pode realizar uma escova progressiva? Será que não tem formol disfarçado? Vale a pena conferir

Deixe um comentário:



Buscar

Notícias

Newsletter

Assine e receba as novidades da revista em primeira mão.



Publicidade


Revista Cabeleireiros.com

Login Cadastre-se