Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 46

ImprimirDossiê das colorações

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dossie_das_coloracoes (3)Desvendamos o que está por trás (e por dentro) das caixinhas que garantem cores lindas e vivas, e transformam o visual dos clientes

texto: Eder Garrido | fotos: divulgação e Jonas Bresnan

Apesar de parecer um processo simples, o ato de colorir os cabelos implica uma infinidade de fatores. Não se trata somente de escolher a tonalidade perfeita para realçar a beleza. Com o avanço da cosmética, as fórmulas estão sofisticadas, com novos ativos para atender às muitas necessidades dos clientes.

Narciso Netto, diretor-técnico da Joico Brasil, sugere que, antes de propor algo ao cliente, o profissional ouça suas necessidades e fundamente o trabalho na técnica do visagismo. Tão importante quanto isso é fazer uma análise da estrutura do fio do cabelo, para certificar-se das condições dele em receber a química. Deve-se levar em conta características como porosidade, ressecamento, histórico químico e disposição para investir em manutenção.

Além de garantir um bom trabalho, essas informações influenciam no tipo da coloração a ser usada.

Três são mais populares:
Coloração temporária: possui pigmentos com alto peso molecular que se depositam nas rugosidades da fibra. Normalmente, após a primeira lavagem, a cor é inteiramente removida e o tom original dos fios é resgatado.

Coloração semipermanente: formulada com pigmentos orgânicos de peso molecular médio que se fixam nas camadas exteriores da cutícula do cabelo e agem por meio de interações iônicas e/ou pontes de hidrogênio. Embora seja mais resistente em relação à temporária, também está sujeita à perda de cor por causa das lavagens diárias.

Coloração permanente: também conhecida como oxidativa por causa do uso de agentes de oxidação
que ocasionam a descoloração da melanina e ativam os corantes, dos quais deriva a cor final.

A respeito das vantagens e desvantagens de cada tipo, Paulo Fernandez, proprietário da Doctor Hair, pontua: as não permanentes necessitam de um veículo condicionante, responsável por deixar os fios tratados. Sua reaplicação, porém, deve ser mais frequente, pois a duração é curta. Outro ponto desfavorável é que elas não clareiam cabelos escuros. “Tons claros são realçados somente sobre cores claras”, explica. Já as colorações permanentes têm cartela de cores bem mais extensa e durabilidade prolongada. Contra elas, estão o cuidado com a manutenção e o fato da cor natural dos cabelos não poder ser recuperada, a não ser pelo crescimento natural.

dossie_das_coloracoes (2)No universo das colorações, existe a linguagem universal da escala de tons. Nela, as cores são classificadas desde o preto (1.0) ao loiro-claríssimo (10.0). “A variação acontece pela concentração de pigmentos granulosos (maiores e mais escuros) e difusos (menores e amarelos) encontrados nos cabelos”, explica Sandra Damas, coordenadora de educação da L’Oréal Professionnel.

De forma geral, os números mais baixos são classificadosfrios, e os mais altos são considerados quentes, como 1.0 (cinza), 3.0 (dourado), 4.0 (acobreado) e 6.0 (vermelho-intenso). A henna é outra opção para colorir as madeixas. Porém, sua ação é diferente. Esse pigmento não entra na cutícula do fio, mas adere facilmente à sua superfície, agindo como se o encapasse. Sua ação é cumulativa, portanto, quanto mais vezes for aplicada, mais a cor adere aos cabelos. “A henna natural tem nuances avermelhadas ou acobreadas, mas há no mercado marcas que misturam o pó extraído da planta a metais pesados. Nesse caso, os produtos têm uma química forte e podem até modificar a estrutura do fio”, alerta Flávio Domicciano, gerente-técnico da Itallian Hairtech.

Neste meio, também existe a descoloração, cuja finalidade é retirar os pigmentos de tinturas anteriores para uma posterior coloração. Gláucia Brito, colorista e hairstylist da Beauty Color, afirma que a técnica é utilizada em quem deseja mudar a coloração existente nos fios, pois apenas a tintura não é suficiente para clarear outra tintura. A descoloração também é usada como recurso para “abrir” a cor dos cabelos naturais escuros quando a intenção é atingir tons mais claros.

Profissional ou não?
Uma linha tênue separa as colorações profissionais das adquiridas nas perfumarias. As primeiras permitem aos cabeleireiros criar efeitos diferenciados e personalizar a cor conforme as necessidades do cliente. As demais possuem um resultado direto e podem ser manipuladas em casa, sem dificuldades.

Mas não basta escolher o produto correto. O cabelo do cliente responde pela outra parte do processo. Profissionais despreparados ou mulheres ansiosas são, na maioria dos casos, os principais culpados
pelos desastres capilares.

Por isso, alguns cuidados precisam ser tomados, como a indispensável prova de toque. Somente ela vai proporcionar a certeza e a segurança de que o organismo não reagirá com intolerância, desencadeando uma alergia.

Quem tem cabelos virgens deve realizar a aplicação no comprimento e nas pontas dos fios e, depois de 20 minutos, nas raízes, para que a cor fique uniforme.

Nos cabelos já coloridos, uma coloração não tem o poder de clarear outra. Então, fica descartada a ideia de utilizar tons mais claros dos que estão aplicados no cabelo. Nesse caso, a dica é optar por cores cujos reflexos possam ser sobrepostos na cosmética preexistente. Por exemplo: se os cabelos estão dourados, acobreados ou avermelhados, vale fazer mechas com tons quentes ou marrons. Já se forem tons acinzentados e o desejo é radicalizar com os tons frios, deve-se aplicar cores quentes por cima.

Nesse passo, cuidado: é preciso evitar acinzentados sobre cabelos claríssimos ou descoloridos, pois essa fusão pode resultar em fios esverdeados. “Os profissionais com domínio do círculo de cores sabem exatamente quais reflexos podem ser utilizados sobre outros, quais se neutralizam e quais
se acentuam”, diz Gláucia.

dossie_das_coloracoes (1)Saúde dos fios: sempre!
A indústria cosmética fez a parte dela para reduzir o desgaste capilar ocasionado pela coloração química. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as secretarias reguladoras de saúde têm se empenhado em proibir a utilização de corantes com potencial carcinogênico ou que causem situações alergênicas extremas. Já foram retirados do mercado vários corantes, como aqueles com resíduos de chumbo.

Tal evolução colaborou com a viabilização de corantes mais duráveis, com uma maior gama de cores e com a adição de agentes de condicionamento e de ativos nanotecnológicos e antiage, hoje as principais tendências na coloração capilar.

Falando em ativos, muitas pessoas ainda têm dúvidas a respeito do papel de alguns deles, principalmente a amônia. Segundo a hairstylist Neiva Dias, do Salão Essencial Hair Clinic, essa substância tem o papel de abrir as cutículas dos fios, permitindo que o pigmento chegue até o córtex e libere o oxigênio contido no oxidante. Algumas empresas estão retirando a amônia de suas fórmulas, pelo fato dela, quando em contato com o oxidante, liberar oxigênio e formar o gás de amônia, uma substância venenosa. Ela vem sendo substituída pela etanolamina, uma base oxidante menos agressiva.

Na esteira das novidades, há também a incorporação dos extratos vegetais. A Doctor Hair utiliza o óleo de copaíba, a manteiga de capuaçu e o açaí na composição de um de seus produtos. “Eles preservam os fios ao máximo por serem ricos em ácidos graxos, polifenóis e fitoesteroides, capazes de cuidar e revitalizar as cadeias protéicas no interior dos fios e as cadeias lipídicas na superfície destes”, explica Paulo. Outro ponto favorável é que o tratamento realizado por esses extratos não alteram a ação química da tintura.

Quando a questão se foca em saber se este ou aquele ativo possui maior ou menor propensão a causar irritações no couro cabeludo, há uma dualidade. Reações negativas dependem do grau de sensibilidade (alergias) do cliente e da forma como estes ativos são manipulados. “Em um alisamento com hidróxido de cálcio, por exemplo, não deve haver contato com o couro cabeludo pela alta alcalinidade do produto, que em contato com a pele pode provocar irritações. Assim como o fato de algumas pessoas serem alérgicas a amônia não quer dizer que, quando utilizada corretamente, ela vá necessariamente causar sensibilidades”, diz Sandra Damas.

Para a cobertura perfeita dos fios brancos, é necessário utilizar uma coloração equilibrada em termos
de alcalinidade e tempo de reação dos corantes. Deve-se cuidar também para que a mistura da coloração com o creme oxidante ocorra dentro do tempo determinado (cerca de 10 minutos), pois, após esse período, a coloração começa a perder sua eficiência na cobertura. Por fim, como os fios brancos são muito rígidos para a abertura das cutículas, caso estejam engordurados, a ação dos alcalinizantes ficará comprometida. Lembre-se de lavar e secar os cabelos antes de colori-los.

Outras dicas importantes são analisar a porcentagem de fios brancos e onde eles estão localizados em maior quantidade, misturar o tom fantasia com a cor de base – reforçando-a com a nuance escolhida, caso o número de brancos seja muito grande – e iniciar a aplicação pelo local em que o branco está mais concentrado.

Outro fator que merece atenção é o tempo de pausa. Na linguagem utilizada pelos formuladores, a cor é resultado da formação de um polímero colorido, cuja formação não ocorre de uma só vez, pois alguns corantes reagem no início do processo e outros, mais lentos, terminam a reação minutos antes do fim da pausa. Dessa maneira, se a coloração for retirada antes do tempo determinado, não haverá a fidelidade da cor esperada. Mas, e se o tempo ultrapassar a pausa? Paulo informa que não há problema se o excesso for de 10 ou 15 minutos. Mas espaços maiores podem levar à deterioração da cor.

O clima tropical brasileiro também possui sua parcela de responsabilidade sobre o processo de coloração dos fios, pois o calor acelera a ação do produto. Mas não há motivos para se preocupar, pois tal aceleração é provocada por elementos desenvolvidos com essa finalidade. Mas, se a dúvida é sobre a alta incidência de radiação solar, sim, ela é responsável pelo desgaste prévio na cor e na saúde da fibra.

Com tantos avanços, o que ficou over? Para Neiva, são os pigmentos resorcina e parafenilediammina (PPD), responsáveis pelo aparecimento de alergias. Os profissionais também apontam produtos que não levam em conta o tratamento dos fios durante a química. “Hoje, empresas sérias se preocupam em formular colorações que tratam enquanto colorem os cabelos, proporcionando cuidado, brilho e maciez ao mesmo tempo”, finaliza Sandra.

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