Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 46

ImprimirEla acertou a mão!

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trajetoria_de_sucesso (6)O sonho de ser advogada deu lugar à realização em se tornar manicure. Carmen Luiz é uma das melhores de sua profissão, por isso ela faz e acontece com as unhas da high society

texto: Rebeca Alcoba | fotos: Moisés Moraes

Se o esmalte tornou-se o novo batom, protagonizando a corzinha no ritual de beleza das mulheres, a entrevistada desta trajetória de sucesso é protagonista em sua área há muito tempo. Já se passaram 40 anos desde que Carmen Luiz deixou de ser babá para apostar na profissão de manicure.

Só no MG Hair Design, salão de beleza do cabeleireiro Marco Antônio de Biaggi, em São Paulo, já são cinco anos atendendo personalidades como Naomi Campbell, Marc Jacobs e Adriane Galisteu. Entre as clientes mais fiéis, estão a atriz Laura Cardoso e a consultora de moda Gloria Kalil. “Atendo a Gloria há mais de 25 anos, desde a época do Castanho”, confirma. Castanho é um salão de beleza localizado no Jardim Paulistano, zona oeste de São Paulo, onde ela trabalhou por 30 anos.

trajetoria_de_sucesso (7)Carmen ingressou na área lidando com um público de alto poder aquisitivo. O primeiro salão em que trabalhou ficava no Brooklin, ao lado da Hípica Paulista. É justamente por saber como atender essa seleta clientela que ela se destaca. “Sou extremamente educada. Costumo pensar durante o atendimento que a cliente é minha patroa, porque naquela hora é ela quem me dá o sustento”.  Cumprir os horários marcados é regra básica.

A preparação antes de encarar um dia de trabalho também segue normas religiosas. Ela não usa sapatos abertos, pois pés cobertos são sinal de higiene. Também está sempre uniformizada e ainda dá uma dica especial: “Penso até no perfume que vou usar. Gosto de aromas delicados, como os de bebê, para não incomodar os clientes”. Autodidata, Carmen se mantém atualizada, participando de congressos e seminários, objetivando preservar a saúde da clientela.

trajetoria_de_sucesso (5)O segredo está no atendimento
Carmen traduz seus princípios de maneira muito simples. O silêncio e a discrição são as armas para cativar os clientes, principalmente os famosos. “Pergunto como a pessoa gosta que as unhas fiquem e começo a trabalhar”. Estão fora de cogitação perguntas sobre a vida particular, o desfecho da novela ou o fim de um relacionamento. “Nesse tipo de atendimento, entro muda e saio calada. Se puxam papo, ótimo! Se não, também está tudo certo. Normalmente eles conversam, porque são pessoas excêntricas, mas excelentes”. Carmen ensina que, quando não quer conversa, o cliente sinaliza pegando um livro, uma revista ou o celular. “Isso funciona como um código. Muitas vezes, eles estão com algum problema e querem usar os momentos no salão para arejar. Então, nada de ficar conversando”.

Mesmo discreta, Carmen não é uma pessoa sisuda. Ao contrário, é com sorriso no rosto e muita simpatia, distribuída em seus 1,47 m de altura, que recebe quem aparece no MG para fazer as unhas. Ela é uma profissional realizada, mesmo que esse ofício não tenha sido seu sonho de infância. A manicure queria ser advogada, mas com o falecimento dos pais o rumo de sua vida mudou. E ela encontrou a profissão ideal em uma brincadeira de criança. “Sou filha de feirantes. Minha mãe vendia galinhas e eu adorava pintar as unhas dos bichinhos. Minha irmã segurava e eu passava esmalte. Tá pensando o quê? Elas iam arrumadinhas para a banca”, brinca.

trajetoria_de_sucesso (1)Histórias da ponta do pincel
Outra característica marcante em seu trabalho são as famosas “misturinhas da Carmen”. A dedicação em mesclar esmaltes para criar tonalidades exclusivas é tão grande, que chegou a patentear sua marca. A Geórgia by Carmen Luiz contempla a gama de tons criados pela manicure. Todos os nomes são homenagens: o da linha foi inspirado na filha, Geórgia Fabiana, mas entre os mais conhecidos estão o Gloria Kalil, o fúscia preferido da consultora, e o Thereza, um verde-esmeralda criado em tributo à mãe. Nem seu bichinho de estimação ficou de lado. “Tem um perolado que criei no mesmo tom do pelo do Joel, meu gato-siamês”.

A história das misturas começou no início da carreira, época em que não havia tanta variedade de esmaltes. Quando recebiam convites para ir a festas, as mulheres da alta sociedade queriam um tom que combinasse com o vestido. Então, Carmen pedia uma amostra do tecido para resolver o problema. Essa prática lhe rendeu outro cliente memorável: “Foi assim que me tornei manicure do estilista Dener, pois muitas dessas roupas eram feitas por ele. Um dia, ele questionou por que as clientes pediam amostras dos tecidos e quis me conhecer. Atendi o Dener até pouco antes de sua morte”, lembra.

trajetoria_de_sucesso (4)Carmen é uma workaholic confessa. Ela nunca tirou 30 dias de férias. “Quando queria, não podia. Agora que posso, não quero!” Sobre a profissão, ela acredita que as manicures tiveram muitas conquistas no mercado de trabalho. “Hoje, ser manicure é chique!” Antigamente essa atividade era alvo de preconceito. Carmen conta que, uma vez, foi passar alguns dias em Gramado (RS) com um
ex-namorado, e a dona do hotel em que estavam hospedados perguntou qual era a profissão dela. Sem hesitar, respondeu que era manicure. Depois, o namorado orientou: “Quando perguntarem no que você trabalha, não fale manicure, fale esteticista”. Essa é uma bobagem que quase não se vê nos dias de hoje. Mas, para Carmen, os profissionais da área ainda precisam melhorar muito, principalmente em relação à etiqueta. Por isso, sonha em dar aulas de como atender o público classe A, porque isso ela sabe fazer com excelência!

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