Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 27

ImprimirEm prol da vida

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Conheça a filosofia de algumas empresas do ramo da beleza que preservam a vida animal e utilizam outros meios para testar seus cosméticos

texto: Liana Pires
fotos: sxc.hu

Brilho, cor, ostentação... Ao pensarmos em algumas características do mundo da moda e da beleza, é impossível deixar de relacioná-las a uma atmosfera de luxo e glamour. Mas, em determinadas ocasiões, a aparente calmaria e perfeição desse “universo” é incomodada por protestantes que invadem desfiles de estilistas renomados, empunhando placas com mensagens de protesto contra a atitude de algumas top models ou, então, por passeatas contra empresas que adotam certas posturas no processo de industrialização cosmética.

Mas por que essas entidades promovem essas ações? O que a princípio pode parecer pura “baderna” possui uma causa nobre: proteger os animais dos testes realizados por companhias de beleza e protestar contra a retirada de sua pele para a confecção de roupas e acessórios.

Atualmente, existem diversas organizações que trabalham em prol do bem-estar e do tratamento igualitário dos animais de qualquer espécie. Internacionalmente, a mais conhecida delas é a Peta People for the Ethical Treatment of Animals – em português: Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) e, no Brasil, uma de grande destaque é a PEA (Projeto Esperança Animal). “Na última década, o movimento de proteção aos animais ganhou um grande espaço. Muitas pessoas, mesmo as que não são engajadas diretamente na questão, começaram a se perguntar sobre a real necessidade e eficácia dos testes em animais”, afirma Ana Gabriela de Toledo, fundadora e vice-presidente da PEA.

No Brasil, a evolução técnico-científica permitiu que a década de 1980 fosse marcada pelo desenvolvimento de experimentos alternativos que não utilizavam animais. Inicialmente, foram desenvolvidos para atender às necessidades de pesquisa em farmacologia, mas hoje grandes
empresas do ramo da beleza já aderiram à iniciativa. “A ciência não tem o direito de aprisionar animais e utilizar produtos químicos para testar as reações neles. Além disso, não realizar esses testes tem o intuito de preservar a saúde humana. Se em indivíduos da mesma espécie é
possível encontrar diferenças fisiológicas, entre espécies diferentes, então, nem se fala”, comenta Ana Gabriela.

Essa não é, porém, uma iniciativa puramente civil. Segundo a Lei Federal 9.605, de 1998, qualquer teste científico em animais é crime quando existirem outras alternativas para realizá-lo, como o processo in vitro. No entanto, este procedimento é caro em virtude da tecnologia e matéria-prima usadas.

Atualmente, algumas empresas estão aderindo espontaneamente, outras devido às pressões econômicas, pois os consumidores estão começando a questionar os testes e optando por comprar produtos que não os utilizem. “É importante que as pessoas saibam que tudo o que acontece é reflexo do nosso modelo de consumo. O produto que escolhemos, a forma de locomoção, tudo reflete na qualidade de vida. Preservar os animais é um exemplo de cidadania e preocupação com o meio ambiente. Essa decisão deve ser tomada dentro da casa de cada pessoa”, afirma Ana Gabriela.
Conheça algumas empresas que aderiram a essa iniciativa.

Valmari


Há aproximadamente uma década a Valmari não realiza testes em animais. A empresa, que iniciou suas atividades há 27 anos como uma farmácia de manipulação, se destaca no mercado ao comercializar produtos com enfoque para o profissional de estética, e sua filosofia empresarial respeita o ser humano, a fauna e a flora.

Com 104 lojas no território nacional e duas na Europa, a marca introduziu os conceitos de aromaterapia e cromoterapia no mercado de beleza e, na década de 1990, antecedendo uma tendência mundial, abandonou os princípios ativos de origem animal. Segundo Silvana Kitadai Nakayama, gerente de pesquisa e desenvolvimento, a importância desta iniciativa é de caráter global, e tem como base o respeito aos seres vivos e ao meio ambiente. “Com o apoio da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), participamos de projetos relacionados ao meio ambiente. Evitar os testes em animais, em geral, é bem mais oneroso, mas vale a pena”, explica.

payot

Há 55 anos no mercado feminino, a Payot tem em seu nome uma homenagem à médica e esteticista francesa Nadine Georgine Payot, uma das pioneiras da cosmética mundial. Consciente, a empresa está preocupada com ações politicamente corretas, além de ter como objetivo despertar a beleza interior das clientes.

Para isso, procura adotar sistemas experimentais que estejam vinculados à substituição dos testes realizados em animais. “Obtemos células, tecidos ou organismos para estudos in vitro em vez de realizar testes em animais. Alguns procedimentos podem ser feitos em total substituição,
outros complementam dados, auxiliando na redução do uso de cobaias no projeto. A informática, as informações sobre matérias-primas, as técnicas físico-químicas e a cultura de células, tecidos e órgãos contribuem para que seja feito um banco de informações”, informa Regiane Marques Rodrigues, responsável técnica e coordenadora de pesquisa e desenvolvimento da Payot.

Os testes da empresa são realizados in vitro e em humanos, seguindo a legislação brasileira sobre bioética e as recomendações das Boas Práticas Clínicas (BCP), que regulamentam toda e qualquer pesquisa que envolva seres humanos. Entre outras práticas de preservação do meio ambiente, todo resíduo produzido pela Payot é descartado de forma consciente.

embelleze
Valorizar o consumidor, respeitar o meio ambiente e promover o desenvolvimento sustentável. Esses são alguns dos valores da Embelleze, que instituiu em sua política a realização de testes cosméticos em humanos saudáveis e voluntários com idade entre 18 e 60 anos. “A ética e a consciência ambiental são fatores importantes para a empresa, que há muitos anos adotou a iniciativa de não realizar testes em animais”, afirma Alexandra Tavares, técnica de pesquisa e desenvolvimento da marca.

Para realizar essa mudança, a empresa precisou investir mais capital na área de testes, o que garantiu uma avaliação precisa dos produtos. “Os voluntários são submetidos a entrevistas e exames dermatológicos antes de iniciar a pesquisa. Além disso, durante todo o processo eles têm à disposição dermatologistas para diagnóstico e tratamento de qualquer reação adversa”, explica.

Mas essa não é a única iniciativa politicamente correta da empresa. Para a preservação da fauna e da flora, a Embelleze criou o Núcleo de Conscientização Ambiental (NCA). Em 2007, foram plantadas mais de 10 mil mudas de espécies nativas da mata atlântica. Além deste trabalho, a empresa possui o Projeto Embelleze & Escola – Amigos da Natureza, que promove a conscientização de alunos de escolas em Nova Iguaçu (RJ) para a importância da Área de
Preservação Ambiental do Gericinó – Mendanha, transformando-os em agen-tes multiplicadores capazes de despertar na comunidade o comprometimento com as questões ambientais.

Avon

Em 1989 a Avon deixou de usar animais para as pesquisas de seus produtos. Líder mundial em venda direta de cosméticos e produtos de beleza, desde 1981 a empresa apóia a pesquisa de métodos alternativos a esses testes realizada na Universidade Johns Hopkins, no Reino Unido, por meio do Fundo para Substituição de Animais em Experiências Médicas (Frame).

A empresa, que atua em mais de 100 mercados e atingiu um faturamento líquido de aproximadamente 8 bilhões de dólares ao ano, substituiu os testes tradicionais pelos in vitro,
pelos realizados em humanos, e por um extenso arquivo de dados de produtos e ingredientes que já foram previamente testados. E os consumidores não precisam se preocupar com a segurança dos cosméticos: ela continua primordial, e se por qualquer razão a empresa não conseguir comprová-la, o produto não será comercializado. “Esse é um processo que leva tempo e dinheiro, mas é uma tendência mundial. Inclusive, a partir de 2011 vai ser mandatório na Europa”, afirma João Hansen, diretor de pesquisa e desenvolvimento da marca na América Latina.

Reconhecida por consumidores e concorrentes como uma empresa que valoriza o meio ambiente, a Avon adota outras medidas para amenizar os impactos na fauna e flora. Entre as ações estão a redução de um milhão de quilômetros em sua rota de transporte e distribuição até o fim de 2008 e a ampliação da Estação de Tratamento de Efluentes para a reutilização de água na fábrica de Interlagos, bairro de São Paulo

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