Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 19

ImprimirEstrela do Oriente

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Fundador da rede de salões Soho, Hideaki Iijima introduziu na coiffure brasileira não só o profissionalismo ao estilo oriental, como também o conceito de salão-escola.

Ele veio para São Paulo em 1979. Com apenas 27 anos, já trazia na bagagem uma história de sucesso profissional em Tóquio, no Japão. “Naquela época, eu ganhava 10 mil dólares por mês”, conta Hideaki Iijima, hoje com 55 anos. Com suas idéias de vanguarda, em pouco tempo se tornou dono de uma das maiores e mais famosas redes brasileiras de salões de beleza. Foi ele também quem introduziu no país o conceito de salão-escola. Hoje, comanda mais de 1.000 pessoas em 27 salões em São Paulo, sendo 14 próprios e 13 em parceria com ex-alunos, além de três unidades da Soho Academy.

Sempre um passo à frente, ele conta que escolheu nosso país em busca de qualidade de vida para a sua família e de um novo mercado de trabalho, ao contrário de seus mestres e colegas que foram procurar oportunidades em Nova Iorque, Paris ou Londres. Das três opções – Austrália, Canadá e Brasil –, ficou com o último, para onde veio com a mulher e dois filhos pequenos encontrar em São Paulo um ex-aluno do Japão, com quem trabalhou logo que chegou. Dois anos depois, passou a integrar a equipe da rede de salões Jacques Janine.

“Aqui, sempre trabalhei muito, mas ao menos tinha tempo de tomar o café da manhã com a minha família”, relembra o fundador do Soho. Com três anos de Brasil, já adaptado ao país e vislumbrando a grande oportunidade de realizar seus sonhos, foi atrás de um lugar ao sol inaugurando seu primeiro salão, na Alameda Santos, nos Jardins. Diferentemente dos conterrâneos que se instalaram no bairro da Liberdade, onde se concentra a colônia nipônica, Iijima preferiu apostar na clientela ocidental. “Se eu tivesse me instalado na Liberdade, poderia ter hoje um apartamento, um sítio, e ficaria nisso”, confidencia. Ele garante não ser materialista, mas faz questão de qualidade, beleza e eficiência. “Gosto é de trabalhar, ter meus salões bonitos e boa clientela. Não faço questão de roupas de grife, carros caros ou de viver em mansões. Ao contrário. Moro em um apartamento alugado”, conta ele, comprovando sua simplicidade.

Além disto, em vez do sistema americano adotado no Brasil, Iijima optou pelo estilo nipônico, que, além da formação técnica, investe na valorização dos profissionais. Da tradição oriental resultou o saudável hábito de chegar às 8h30m no salão e se reunir com os colegas para uma sessão de 30 minutos de exercícios, que incluem movimentos com os dedos e as mãos, exercitando regiões que serão exigidas repetidamente ao longo do dia, durante o trabalho. “No Japão, aprende-se isto cedo, ainda na escola: todos os dias, a primeira atividade é a ginástica ao ar livre”, explica o cabeleireiro-empresário, que mantém a forma subindo duas vezes ao dia 20 lances de escada para chegar a seu escritório. “Tento fazer isso diariamente”. E mais: bastam quatro horas de sono “com qualidade” para refazer suas energias para o dia seguinte. “É o suficiente. Além disso, o dia rende mais e aproveita-se melhor o tempo”, explica.

O olho clínico de Hideaki Iijima para escolher colaboradores é um dos fatores responsáveis pelo sucesso do Soho. Sua primeira equipe contava com sete pessoas. Entre elas, Ivone Yamaguchi, sua primeira cliente no Brasil, que depois virou funcionária. Ela começou como recepcionista. Logo passou para a área administrativo-financeira, e está com ele até hoje exercendo a função de gerente de eventos, uma espécie de relações-públicas da rede. “Ela é o nosso chefe”, brinca ele.

O sistema que inovou a coiffure com a valorização do profissional deu tão certo que rapidamente o padrão Soho virou uma marca reconhecida no universo da beleza. A primeira das três academias, que formam profissionais para abastecer a própria rede, foi aberta 12 anos depois da inauguração do salão. “Aqui, o cabeleireiro começa pelo básico, aprendendo em primeiro lugar a lavar um cabelo. E a trabalhar em equipe. Vários desses ex-alunos hoje são proprietários de unidades do Soho”, garante seu fundador. O nome da rede, aliás, reforça a idéia vanguardista que Iijima sempre quis imprimir ao seu trabalho, homenageando o bairro nova-iorquino lançador de modismos e tendências para todo o mundo. Além disso, Soho no ideograma japonês significa pássaro azul, símbolo da sorte e da felicidade.

Filho de um barbeiro que trabalhava de sol a sol e raramente tinha tempo para brincar com os filhos, ele preza muito a liberdade individual – “todo homem deve acordar bem cedo e trabalhar muito, mas também ter tempo para ficar com a sua família”. São estes valores, incluindo o respeito ao meio-ambiente, que ele procura transmitir aos seus funcionários. E faz questão de só dar bons exemplos: como uma forma de demonstrar sua gratidão ao país que o acolheu de braços abertos, há dez anos transformou em um hábito diário se levantar às 4h30 para varrer a calçada da rua onde mora, perto de seu escritório, na região da Avenida Paulista. Antes, quando residia na Aclimação, arregaçava as mangas todos os dias para limpar a calçada do tradicional parque daquele bairro. “Não espero que alguém venha e faça, se eu mesmo posso fazer”. Esse é seu lema de vida. O lema de um vencedor.

Maior defeito: “Sou muito rigoroso e honesto demais”.
Maior qualidade: Paciência.
Prato: Carnes e comida brasileira em geral.
Bebida: Coca-cola.
Lugar: O campo de golfe de Arujá (SP).
Pessoa que admira: Henri Stern, dono das Joalherias H. Stern, por sua postura profissional.
Ídolo: O Hideaki Iijima que ele busca ser.
Saudade: Sua terra, o Japão.
Profissional de beleza que admira: Seu mestre, Hideo Imai.
Crítica: A falta de profissionalismo de alguns brasileiros.
Livro de cabeceira: Nós Somos Gente, de Mitsuo Aida (livro japonês que trata dos defeitos comuns ao ser humano).
Frase: “Se não fizer agora, quando eu vou fazer?” (provérbio japonês).

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