Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 27

ImprimirEtnias capilares

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Concepción C. Tonin (engenheira química)Levar em conta a carga genética e os fatores internos e externos dos cabelos é imprescindível para definir a coloração, o corte e o estilo de penteado que serão realizados nos fios

Concepción C. Tonin (engenheira química)

Cada indivíduo traz consigo um código genético que é herdado de seus antecessores. Assim, os cabelos traduzem a sua herança na forma, cor, espessura, resistência, elasticidade, brilho, resposta ao meio ambiente e aos tratamentos químicos.

Cada cabeleira se torna única, independentemente de sua etnia, por fatores internos e externos. Os primeiros podem ser caracterizados por hormônios sexuais, tipo de dieta, estresse e uso de medicamentos por tempo prolongado. Já os outros, por hábitos pessoais (usar secador e prancha de forma intensiva e sem proteção, dormir com os fios molhados), cosméticos usados no cuidado diário, produtos químicos de transformação (coloração, descoloração e relaxamento), grau de exposição ao sol e ao vento etc.

Mas, em geral, há algumas características e “comportamentos” que são comuns a um grupo de indivíduos. Essas características dão uma maior chance de prever o resultado de tratamentos químicos, assim como o tipo de corte e o estilo do penteado que valorize os traços naturais e os melhores produtos para o cuidado diário. No entanto, se a ação dos fatores internos e externos que se sobrepõem ao fator genético não for diagnosticada, com certeza os fios não vão responder positivamente.

A estrutura do cabelo é a mesma para todas as etnias, sendo composta por cutícula, córtex e medula. Mas o que determina a forma dos fios são os folículos capilares, minúsculas bolsas que variam em formato, tamanho e espessura, determinando a forma e a espessura dos fios. Ao se cortar um folículo transversalmente, pode-se observar que:

• os redondos dão origem a madeixas lisas;
• os ovais dão origem a cabelos ondulados;
• os espiralados originam fios cacheados.

As diferenças estão:

• no número de camadas, organização e alinhamento das cutículas, que conferem o grau de impermeabilidade e brilho;
• no modo como as fibras de queratina estão dispostas na região cortical, mais alinhadas ou contorcidas;
• no tipo e na concentração da melanina, ou mesmo na ausência total de pigmento;
• na existência de forma contínua ou intermitente da medula, característica dos fios mais finos,
• no folículo, que vai determinar espessura e formato dos cabelos;
• na facilidade ou não de deslizamento da oleosidade produzida pela glândula sebácea, o que determina o grau de fragilidade, aspereza, brilho, maleabilidade, elasticidade e sedosidade;
• na proporção de aminoácidos cistina, que determinam o número de pontes dissulfeto, responsáveis por fios mais rígidos e menos elásticos;
• na constituição do cimento intercelular, que pode ser mais rico, ou não, em determinadas substâncias emolientes naturais responsáveis pela maciez e sedosidade natural, ou pelo aspecto ressecado, áspero e arrepiado.

Três grandes grupos podem ser identificados na raça humana:

1. Asiático: o folículo das pessoas desse grupo é reto e perpendicular ao couro cabeludo. A velocidade de crescimento dos fios é a maior entre os três grupos, porém o número de folículos por couro cabeludo é o menos denso.

2. Africano: é menos denso que os asiáticos e os fios crescem mais lentamente que os dos outros tipos. O folículo se posiciona paralelamente ao couro cabeludo e é oval e achatado, muito fino e curvo, podendo ser todo contorcido. Os africanos produzem mais oleosidade que os caucasianos e asiáticos, e o sebo fica retido próximo à raiz por não conseguir deslizar até as pontas. Sem lubrificação, os fios ficam secos e quebradiços, e a tendência é que permaneçam curtos.

3. Caucasiano: possui variedade de forma, cor e espessura. O folículo se dispõe obliquamente ao couro cabeludo e sua forma varia entre lisa, cacheada e ondulada. Possui uma velocidade de crescimento intermediária entre os asiáticos e os africanos. As pessoas ruivas possuem uma menor densidade capilar, enquanto as loiras apresentam maior número de folículos, resultando numa cabeleira mais densa, porém mais fina.

Um quarto grande grupo deve ser destacado: o brasileiro, composto por pessoas que trazem em sua herança genética a diversidade. Avô índio, bisavó negra, pai japonês, mãe alemã... São raras as famílias que não têm histórias para contar sobre suas origens. Portanto, não se pode olhar rapidamente uma cabeleira e decidir seu destino. A avaliação deve ser detalhada

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