Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 32

ImprimirIngredientes naturais em cosméticos

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Alberto KurebayashiFique por dentro de quais são as especificações para uma empresa estampar nos rótulos dos seus produtos a denominação de “orgânico e natural”

Alberto Keidi Kurebayashi
(vice-presidente técnico da Associação Brasileira de Cosmetologia)

Um dos temas mais polêmicos na área cosmética é o uso correto do termo “ingrediente natural”. Neste espaço, não pretendo dar a palavra final, mas tratar de algumas observações que devem ser levadas em conta no momento da produção de insumos com a denominação de “orgânico e natural” e no uso desses ativos convertidos em produtos finais para a venda aos consumidores.

Segundo a Euromonitor, empresa internacional de pesquisa de mercado, muitos fatores contribuem para a
valorização e a busca de produtos denominados naturais. O aumento da expectativa de vida leva as pessoas a
almejar uma rotina mais saudável. A “geração saúde” se preocupa com o bem-estar e a forma física. Existe uma maior conscientização sobre a importância de cuidar da saúde, o aumento da autoestima é uma premissa e
a preocupação com a ética direcionam a procura de artigos ecologicamente corretos, sem sacrifícios de animais.

A produção de ingredientes naturais demanda cuidados e investimentos maiores quando comparados à obtenção de ativos não-naturais. Ativos de origem vegetal, por exemplo, requerem uma atenção especial quanto à sazonalidade da planta, ao fornecimento regular ao longo do ano, ao preço competitivo e ao desempenho, que precisa ser perceptível, eficaz e seguro no momento do uso.

Infelizmente, por mais que o consumidor responda a pesquisas dizendo valorizar a presença de ativos naturais em produtos cosméticos, quando um novo produto torna-se disponível, o público declina de adquiri-lo
porque ele, por uma série de etapas presentes na produção de cosméticos com alta concentração de ativos
naturais, apresenta um custo mais elevado. Assim, o custo ainda norteia o sucesso dos cosméticos.

Foram definidas algumas diretrizes para obtenção de um certificado de produto orgânico, como: documentar o processo de plantio e extração do ativo; manter uma clara comunicação com os consumidores; não utilizar produtos ou outras fontes geneticamente modificadas; utilizar métodos de produção que protejam o meio
ambiente, com biodegradabilidade tanto da matéria-prima como do produto final; usar embalagens biodegradáveis; e, acima de tudo, manter um programa de responsabilidade social.

Na extração dos princípios ativos de plantas, alguns procedimentos são importantes, como partir de fontes
sustentáveis e renováveis e escolher corretamente o solvente, evitando o uso de hexano e de éter. Não se pode esquecer, também, dos requisitos de produção socialmente responsável. O uso de um selo de certificação de
qualidade, de produto organicamente correto e de atestado de procedência lavrado por uma entidade reconhecida e legalmente constituída viabiliza os insumos fabricados.

Todos estes procedimentos demandam altos investimentos em tecnologia, impactando no custo final do produto acabado. Ainda existem muitas empresas que fazem uso inadequado deste benefício, levando o consumidor a uma interpretação equivocada da composição de certos produtos. Porém, hoje existe a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária –, órgão atuante que tem realizado ações que separam o “joio do trigo”, recompensando as empresas que atuam eticamente e autuando empresas que lesam o consumidor.

Um abraço!
 

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