Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 30

ImprimirMercado nacional de cosméticos

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Entrevista Alberto (2)Com o posto de terceiro mercado consumidor de cosméticos no mundo, atrás somente dos Estados Unidos e do Japão, o Brasil acordou para a importância da pesquisa. Nanotecnologia, testes in vitro e produtos ecologicamente desenvolvidos entraram na pauta das grandes empresas, fazendo o mercado crescer como nunca. Para estabelecer um panorama do setor, a Cabeleireiros.com entrevistou o farmacêutico bioquímico Alberto Kurebayashi, vice-presidente técnico da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC)

texto: Liana Pires
foto: divulgação

Cabeleireiros.com: Em 2008, a Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC) completa 35 anos de existência. Quais foram os progressos do mercado de beleza nesse período?
Alberto Kurebayashi: O mercado cosmético brasileiro investiu em pesquisa, criatividade e competência. Se no
passado o produto importado era sinônimo de qualidade, hoje a história é diferente. Temos produtos de qualidade igual ou superior, que se tornaram referências mundiais. Além disso, a capacitação técnica colocou o Brasil em terceiro lugar, no mundo, em consumo de produtos cosméticos.

C.C.: Quais são as grandes novidades do setor nacional?
A.K.: Existem novidades em algumas plataformas, como produtos ecologicamente desenvolvidos, estudos in vitro em substituição aos testes em animais, nanotecnologia em cosméticos, fotoproteção, hidratação e ativos biotecnológicos e naturais. Para se destacar neste mercado, existem dois caminhos: inovação e investimento em marketing. Se ambas ações caminharem juntas, o sucesso é certo.

C.C.: O Brasil está sendo considerado internacionalmente um mercado próspero?
A.K.: Nosso país é próspero em muitas áreas. As empresas investem em pesquisa para desenvolver produtos diferenciados e adequados às necessidades do consumidor nacional, interessam-se pela extração de ativos da biodiversidade brasileira, preocupam-se com a sustentabilidade e exportam produtos e tendências. Não tenho receio de dizer que a moda do chocolate recebeu forte influência dos produtos brasileiros.

C.C.: Como as empresas têm encarado e se preparado para a onda ecologicamente correta?
A.K.: É uma tendência mundial. No Brasil há uma movimentação um pouco mais lenta do que em outros países, o que não significa falta de interesse e capacidade. Pelo contrário, as empresas nacionais buscam esse benefício com estudos, cuidados nas formulações e parcerias com entidades certificadoras de origem natural. O País tem tudo para ditar tendências nesse setor.

C.C.: Quais benefícios o expressivo aumento no número de empresas que usam extratos extraídos da Amazônia está trazendo para a cosmetologia?
A.K.: Produtos com apelo amazônico fazem sucesso. Infelizmente, o brasileiro não valoriza o que nasce aqui, diferentemente de outros países. Produtos desenvolvidos com esses benefícios têm grande aceitabilidade no mercado mundial, principalmente nos Emirados Árabes.

C.C.: Os cabeleireiros estão cada vez mais se preocupando com a informação?
A.K.: Felizmente os profissionais querem entender melhor a formulação e os benefícios dos ativos usados em cosméticos. Eles não atuam mais como aplicadores de produtos, são verdadeiros consultores de beleza. A ABC promove regularmente palestras, cursos e seminários que garantem atualização aos profissionais, possibilitando que falem com propriedade dos produtos que aplicam.

C.C.: Como a ABC vê as empresas que realizam testes cosméticos em animais?
A.K.: Existe uma diretriz que proibirá o uso de animais em testes de produtos cosméticos. Hoje, as empresas estão investindo no desenvolvimento da tecnologia de estudo in vitro, o que elimina o uso de animais. A dificuldade está em correlacionar as células com um organismo vivo. Estão sendo realizadas, também, pesquisas em películas de ovos, que são muito próximas às pálpebras humanas.

C.C.: O mercado de cosméticos apresentou um crescimento na utilização de formol. Você vê o aumento do uso de algum outro ativo ou ingrediente?
A.K.: O uso do formol não pode ser considerado um “boom”, pois é um ativo utilizado em concentrações proibidas, que causam danos irreparáveis às pessoas que o aplicam e recebem. Fizemos um grande trabalho junto com
a Anvisa para esclarecer as pessoas sobre empresas e produtos irregulares. Atualmente, vemos uma preocupação com produtos fotoprotetores, que são mais do que uma opção, são uma necessidade. Além disso, há também a nanotecnologia em cosméticos, agentes de hidratação mais prolongados e produtos preventivos.

C.C.: Quais as próximas ações da ABC?
A.K.: A ABC continuará a divulgar conhecimento técnico,
capacitando os profissionais a desenvolver produtos de alta qualidade. Já praticamos projetos em regiões fora dos grandes centros urbanos. Em 30 e 31 de outubro de 2008 teremos, por exemplo, a I FCE Cosmetique Regional Meeting, em Recife, realizada em parceria com Nielsen Business Media. Será uma pequena FCE, com exposição direcionada dos fabricantes de matérias-primas em forma de tabletop. Teremos dois dias de cursos e seminário científicos, técnicos e comerciais.

C.C.: A Oficina Cosmética apresentada na Cosmetique também estará em Recife?
A.K.: A Oficina Cosmética foi um evento criado pela Nielsen Business Media e pela ABC. Ele possibilitou pela primeira vez que as empresas de matérias-primas levassem um laboratório prático para uma exposição na qual transitaram mais de 20 mil pessoas. Na oficina, que foi um sucesso, as empresas mostraram qual a melhor forma de usar suas matérias-primas

O que é a ABC?

A Associação Brasileira de Cosmetologia foi fundada com o objetivo de promover o desenvolvimento da
cosmetologia por meio de atividades tecnológicas, científicas e de regulamentação. Ela capacita técnicos e profissionais, além de apresentar novas matérias-primas, para que desenvolvam produtos com conceitos e tecnologias inovadoras. A ABC fornece o alfabeto e as empresas constroem sua poesia.

 

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