Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 9

ImprimirMestre da coiffure alerta profissionais

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Osvaldo Alcantara ressalta os cuidados que se deve ter para ser um profissional cabeleireiro, e para se manter na profissão com ética, profissionalismo e respeito.

Estou com medo do caminho que nossa profissão anda seguindo. Pessoas inventam produtos, para fazer determinados serviços, sem saber qual será o resultado final. Para isso, pegam revistas que não são especializadas, que ditam apenas a moda; divulgam seus produtos em estações de rádio e TV e dizem que fazem verdadeiros milagres nos cabelos. E nós, cabeleireiros, começamos a seguir isso, sem saber de onde vem, apenas porque nossas clientes comentam que souberam, ouviram em qualquer lugar e querem experimentar.

Inventaram agora uma tal de escova progressiva, que não poderei comentar sobre o que ela faz, uma vez que, tomei conhecimento que a mesma é à base de formol, um produto cancerígeno, proibido por lei e que está sendo usado. Amigo cabeleireiro, nós só devemos usar produtos aprovados pelo Ministério da Saúde, pois só assim teremos certeza da qualidade e eficiência dos mesmos.

Cabeça de cliente não é para se fazer provas de produtos. Muito cuidado com nossa profissão, pois ela merece nosso respeito.

Estou na profissão há 52 anos, tenho muito orgulho e quero continuar até o fim de meus dias aqui na terra. Espero que até lá, meu maior sonho, que é a legalização da profissão, se torne realidade. Porém, infelizmente, quase 40% das pessoas estão usando a profissão apenas pela remuneração e não como artistas.

Há pouco tempo atrás uma jovem me procurou dizendo que queria ser cabeleireira e que eu lhe arrumasse um emprego. Como sempre faço, a aconselhei a procurar uma escola para que pudesse se formar e ingressar de forma gradativa na profissão. Depois de três meses a jovem retorna à minha sala, eufórica, dizendo que ia abrir... Eu a interrompi e expliquei que um curso de três meses ainda não oferece subsídios para se abrir um salão. Mais uma vez expliquei que, antes de abrir um salão é aconselhável que a pessoa trabalhe como auxiliar e só depois, conforme se adquire experiência, se torne um profissional.

Mesmo assim, a jovem, com um olhar mais satisfeito ainda, me diz que não vai abrir um salão e sim uma Escola Profissional!... Não tive mais palavras, me despedi, e a mesma montou sua Escola. Estou citando este caso que não é único, pois iguais a este existem vários. Aí me pergunto: para onde irá nossa profissão?

Gostaria que os cabeleireiros fizessem uma reciclagem própria, pois passam os anos e continuam com os mesmos salões, com os mesmos móveis, a mesma cor, a mesma camisa, uniformes, tudo igual. Enfim, atende o cliente como há 10 anos atrás. É preciso evoluir sempre. Um bom profissional tem que crescer mentalmente, conversar muito com seus clientes, tentar mudar a cabeça da cliente, um corte, uma cor ou qualquer coisa parecida. Muitos dos profissionais que conheço falam com orgulho: minhas clientes são fiéis a mim.

Fidelidade não é um traço muito comum na cliente, pois a mesma pode ver algo diferente no cabelo da amiga, e querer experimentar. O que acontece? Vai ao salão que a amiga freqüenta. Então, não seja um profissional que quando morre uma cliente, perde uma cliente. Tenha a preocupação de fazer novas clientes e de tentar inovar sempre no trabalho com as atuais.

Amigos, a mudança não é somente no que vamos fazer. A mudança começa desde nosso ambiente de trabalho, nossa maneira de vestir e de conversar. É preciso renovar! Sempre!

Nossa cliente vê transformações no mundo a todo instante, e quando chega ao salão encontra seu cabeleireiro com o mesmo visual de 10, 15 anos atrás. Não podemos esquecer de nos arrumar, nunca. Como eu posso convencer alguém a mudar o visual, se eu mesmo não me modifico?

Conheço salões de beleza que 70% dos seus móveis têm, no mínimo, 30 anos, inclusive sem mudar de lugar. Sempre a mesma coisa monótona. Aí, ao lado, outro profissional monta um salão bonitinho, bem arrumado, com toda a equipe de trabalho sorridente e atenciosa. E sua cliente vai lá só para conhecer, experimenta, gosta do serviço e retorna mais de uma vez. E você? Olha para suas ajudantes, manicures e pensa: este sujeito roubou minha cliente. Será que foi ele quem roubou sua cliente, ou ela estava louca para conhecer algo diferente?

Não seria melhor cada um de nós, visitar outros colegas, participar de workshops, cursos de aperfeiçoamento, acompanhar a renovação do nosso ramo, para não ter motivos de reclamar da sorte? No meu ponto de vista, nós não precisamos somente da sorte, precisamos estar por dentro da sorte.

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