Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 49

ImprimirMisturas perigosas

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quimica (1)Descubra quais procedimentos químicos não são compatíveis entre si e evite sérias complicações para a saúde dos fios

texto: Renata Vieira | fotos: divulgação

Uma mulher, empolgadíssima com a ideia de mudar o visual, procura um salão de beleza para alisar e colorir o cabelo. Aproveitando a oportunidade, por que não descolorir algumas mechas? Só que, além da utilização em sequência de produtos agressivos, o profissional esqueceu-se de fazer o teste de mecha. Resultado: fios danificados e quebrados a partir da raiz.

Isso aconteceu com o cabeleireiro Robson Trindade, que foi procurado pela cliente logo após a péssima experiência dela em outro salão de beleza. A primeira atitude foi encaminhá-la a um terapeuta-capilar, para saber a gravidade do estado e descobrir todos os procedimentos realizados. “Para evitar um cabelo muito curto, recomendei um corte de cauterização, deixando o comprimento o maior possível. Ele sela as pontas com o objetivo de bloquear um futuro aumento de desidratação e quebra constante”, lembra. Em seguida, aplicou-se nanoqueratina, para diminuir as fissuras do fio e evitar quebras, além de óleos essenciais, para facilitar a hidratação completa da fibra capilar.

Fatos assim são mais comuns do que se imagina, podendo ocasionar sérias complicações à saúde dos fios. A fixação pela beleza faz que muitas mulheres não revelem todas as transformações que seus fios já receberam. Outras simplesmente não sabem o que foi aplicado por falta de interesse e de profissionalismo do cabeleireiro, que não lhes informou.

quimica (2)O trabalho na área da beleza não pode ser conduzido por “achismos”. Os clientes devem ser avisados sobre o que está sendo aplicado, como o serviço será feito e de que forma age o produto. Outro alerta é com relação aos procedimentos feitos em casa. Brincar de cabeleireiro usando química pode levar a danos irreparáveis. Cedo ou tarde, o problema aparece, e quase sempre resulta na queda dos fios.

Por isso, químicas exigem maior cautela do profissional. “Conhecimento é obtido por meio de formação. Indico-lhe que procure uma universidade e estude. Assim, ele terá mais segurança e evitará erros”, afirma Robson.

Outra dica é escutar atentamente a cliente. Ela mesma dará dicas de procedimentos realizados por outros profissionais e até o que foi feito em casa. É importante ter em mente  que nada é compatível com o cabelo danificado: é necessário ter fios saudáveis antes de qualquer iniciativa.

Fuja do erro
A química presente em tinturas, tonalizantes, alisamentos e relaxamentos podem provocar alergias, destruir o folículo capilar e queimar a proteína do cabelo. Com a mistura de procedimentos, os riscos intensificam-se, e o efeito adverso pode ser mais intenso, podendo levar à queda das madeixas.

Segundo a dermatologista Karen Vargas, quando o pior já aconteceu, o primeiro passo é a pausa imediata na aplicação das químicas. Depois, é importante sugerir que a cliente procure um especialista para a avaliação do quadro clínico e a indicação de um tratamento específico. “Na hora do alisamento, vale escolher as opções sem formol. E, durante o processo, deve-se evitar o contato do produto com o couro cabeludo”, explica.

quimica (3)Também é necessário adotar alguns cuidados para proteger a saúde dos fios e do couro cabeludo, como utilizar água de morna a fria durante a lavagem e hidratar sempre. No inverno, para quem não consegue deixar de usar água quente, Karen indica o uso de produtos à base de silicone, que hidratam e evitam maiores perdas de manto lipídico.

O que não combina?
Confira o parecer técnico de Patrícia Hufangel Toscani, engenheira-química da Ponto 9 Professional, sobre as dúvidas mais importantes:

• É possível identificar químicas no cabelo, mesmo que a cliente não as mencione?
Sim. Para isso, é imprescindível que o profissional faça o teste de mecha antes da aplicação de qualquer produto químico. Se o cabelo for relaxado, deve-se perguntar à cliente se o cosmético utilizado anteriormente tinha cheiro forte. Em caso afirmativo, a substância pode ser amônia. Se houve algum tipo de ardume nos olhos, é provável que contivesse formol. O alisamento sem nenhum odor pode ser guanidina ou sódio, mas, se não tinha cheiro e houve ardência no couro cabeludo, deve ser hidróxido de sódio.

Nas colorações, a identificação é mais fácil, pois pela raiz crescida há diferença de tonalidade. Nesse caso, é necessário avaliar a elasticidade dos fios, pois, se não houver resistência, os cabelos não aguentam receber nenhuma química.

• Quais são os processos químicos incompatíveis?
Aquimica (4)lisamentos à base de tioglicolato de amônia não devem ser misturados aos de hidróxido de guanidina ou sódio. Eles possuem base e pH diferentes.
Relaxamentos não podem ser feitos com descoloração, pois são processos químicos muito fortes; em consequência, os cabelos podem não aguentar e se romper.
Coloração é compatível com descoloração e alisamento à base de tioglicolato.

ENQUETE
Qual destes processos químicos é o mais popular?
52% Alisamento
35% Coloração
8% Relaxamento
4% Cauterização
2% Permanente
Enquete realizada em julho de 2011 com os leitores do portal Cabeleireiros.com.

Confira também:

Guanidina e os mitos sobre relaxamento de cabelo

Galeria de fotos:

  • Chic Order | Raffel Pages
  • Cruise Collection | Richard Ward
  • The Coral Reef | Seung-Ki Baek to Rush London
  • Química

1 Comentário:

  1. Foto: Monielli
    Monielli: 09/10/2011 às 04:19
    Adorei essa materia


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