Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 44

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entrevista_internacional (1)As muitas milhas viajadas mostraram o segredo do sucesso para o hairstylist Paul Gehring: estudar, trabalhar com paixão e respeitar a diversidade de culturas e de desejos

texto: Liana Pires | fotos: Carlo Battillocchi

Cabeleireiros.com: No seu site, você diz que tem um estilo “made in Europe”. O que isso significa?
Paul Gehring:
Vivi e trabalhei em muitos países e isso fez meu trabalho “falar” diversas línguas. Apesar da moda ser algo internacional, percebi que as mulheres querem parecer mais jovens e atraentes. Cada país e cada cultura interpreta esses objetivos de maneira distinta.

C.C.: Como você se sente ensinando outros profissionais?
P.G.:
Ensinar é a forma mais eficaz de aprender, de se aperfeiçoar e de não se acomodar. Fico feliz quando posso ajudar cabeleireiros interessados a melhorar suas habilidades. Por outro lado, me sinto desapontado quando vejo que muitos profissionais se sentem forçados a participar de cursos ou que não entendem que é preciso aprender novas coisas por toda a vida.

entrevista_internacional (3)C.C.: Foi por causa desse sentimento que você desenvolveu o programa de treinamento on line?
Como ele funciona?
P.G.:
No ar desde fevereiro de 2011, os seminários on line foram desenvolvidos para cabeleireiros de todos os cantos do mundo que querem se inspirar e melhorar suas habilidades. É uma imersão em tendências femininas e masculinas, penteados, técnicas de coloração e coleções para clientes com mais de 40 anos, pessoas que realmente fazem o cabeleireiro ganhar dinheiro.

Os vídeos são filmados em diferentes países para mostrar a realidade dos cabeleireiros e as suas necessidades. Desenvolvemos aplicativos para IPhone e IPad, adaptando as aulas para plataformas que podem ser acessadas de qualquer lugar e a qualquer momento.

C.C.: Os cabeleireiros gostaram da ideia?
P.G.:
Ainda não tivemos tempo para mensurar os resultados. Só sei que o mundo está se transformando rapidamente e que nós estamos no limiar de uma grande mudança com relação a internet, as redes sociais e a educação on line.

entrevista_internacional (4)C.C.: Quais são as principais diferenças entre looks técnicos e visuais fashion?
P.G.:
Por que um look fashion também não pode ser técnico? Há uma confusão de que a única técnica válida é a inglesa [que utiliza a geometria] e eu gostaria de enfatizar que muitos cabeleireiros bons usam outras técnicas. Como fazer ondas latinas com técnicas inglesas? Não dá!

C.C.: Qual é a técnica de corte mais fantástica?
P.G.:
À mão livre, que cria formas respeitando a estrutura e o movimento natural dos cabelos.

C.C.: E a mais usada?
P.G.:
A técnica inglesa.

C.C.: Que cores vão ser hits em 2011?
P.G.:
Diferentemente das cores que serão lançadas pela indústria de cosméticos, nas ruas as tendências apontam para tons naturais. Enquanto respondo às suas perguntas, estou em um casting e acabei de ouvir o booker dizer para uma modelo: ‘Se você quer ser contratada, livre-se das luzes nos cabelos’. Hoje, a moda aponta para a monocromia e por isso é importante selecionar com cuidado a cor que melhor se adapte ao cabelo da cliente. Para isso, você tem que estudar o tom natural da pele, dos olhos e dos fios e só então optar pela harmonia ou pelo contraste.

C.C.: Uma forte tendência é a franja curta. O que você acha dela?
P.G.:
Usar a franja curta exige atitude. Ela é uma aposta certa para mulheres que têm a mente aberta e não pensam o tempo todo em agradar seus maridos. Além disso, usar franja é mais barato do que aplicar botox.

entrevista_internacional (5)C.C.: Se essa é uma tendência, que cortes e penteados estão fora de moda?
P.G.:
Estão por fora cortes pesados, muito achatados e com formas geométricas compactas. Já os penteados estão naturais e sem finalização perfeita.

C.C.: Barcelona é conhecida por sua intensa vida cultural. Como essa característica influencia o seu trabalho criativo?
P.G.:
Barcelona é a cidade mais internacional da Espanha. Os afro-americanos, por exemplo, trançam seus cabelos e vêm até o salão colocar extensões e fazer um corte moderno.

C.C.: Que estilista de moda você considera uma inspiração?
P.G.:
São tantos! Mas vou escolher Coco Chanel, porque ela se permitiu pensar além do estilismo de
roupas e seu design emancipou as mulheres; e Tom Ford, que é um gênio. Além de designer de roupas, diretor de arte, empresário e marqueteiro, ele agora é um brilhante diretor cinematográfico!

C.C.: Qual é a coisa mais absurda que um salão de beleza pode fazer?
P.G.:
Oferecer serviços a preço de barganha. Preço baixo = salários baixos = inexistência de futuras gerações de cabeleireiros.

entrevista_internacional (2)C.C.: E a melhor coisa?
P.G.:
Ter profissionais que sabem valorizar seus serviços e conhecimentos.

C.C.: Que serviços trazem mais dinheiro para o salão?
P.G.:
Consultoria de imagem e revenda de produtos.

C.C.: O que você conhece do Brasil?
P.G.:
Conheço um monte de modelos brasileiras, e eu amo trabalhar com elas, pois estão sempre alegres. O mundo precisa de muito mais brasileirismo! Amo a música do País e tenho uma coleção enorme de MPB! Ficaria honrado de fazer um show para meus colegas brasileiros.

Paul Gehring é estilista, professor, consultor de imagem e proprietário do Paul Gehring Coiffure & Fashion

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