Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 48

ImprimirNovas técnicas, novos procedimentos

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antes_e_depois (6)Como a tecnologia revolucionou os serviços de beleza? Passeie pelo flashback das principais inovações e veja como elas influenciam a rotina dos profissionais

texto: Rebeca Alcoba | fotos: Divulgação e reprodução do livro Art Coiffure: The Raffel Pages Collection (Raffel Pages, 2010)

Não é preciso regredir tanto no tempo para conferir o quanto a tecnologia se desenvolve rapidamente no setor da beleza. Com a organização capitalista atual, conquistar inovações tornou-se uma tarefa sistemática. “Visitamos os salões perguntando como é o trabalho dos profissionais e quais são suas necessidades. Também vamos a feiras internacionais para conferir as tendências e pensar em equipamentos que ajudem na realização das tarefas”, explica Nilton dos Santos, gerente de engenharia e controle de qualidade da Taiff.

A aproximação das empresas com os cabeleireiros dinamiza o mercado e agiliza a produção de acessórios mais funcionais. O próprio Nilton conta que, mesmo sendo engenheiro, aprendeu a manejar ferramentas como secador e prancha para sentir na pele as necessidades do público-alvo.

antes_e_depois (14)Alguns exemplos de inovações? O secador no formato em que conhecemos surgiu em 1900, foi ganhando novas roupagens e ficando mais leve e potente. Tanto que o desafio atual é criar modelos sem fio e movidos a bateria. Já pensou? Faltando energia elétrica, não haveria mais o risco de a secagem ficar pela metade.

Por outro lado, engana-se quem pensa que o modelador de cachos, mais conhecido como babyliss, é algo moderno. Pelos idos de 79 d.C, na Roma antiga, já eram usados métodos rudimentares para ondular e cachear os cabelos.

Secagem
Por volta do ano 1800, os secadores eram aquecidos a álcool e a corda. Os primeiros elétricos, de mão, nasceram no início do século XX, e demoravam cerca de duas horas para secar um cabelo. O modelo de hélice foi criado em Chicago (EUA), já a versão em metal é francesa.

Mas há um secador “das antigas” que é visto ainda hoje: o modelo de coluna. “Exportamos esse produto para o Uruguai, a República Dominicana e o Suriname, locais em que as pessoas estão habituadas ao uso de bobes”, confirma Nilton.

Ele também compara as potências dos aparelhos: o de coluna alcança de 500W a 800W, enquanto os portáteis atingem 2.400W. “Além disso, a adição do íon negativo revolucionou o resultado das ferramentas atuais, tanto em termos de qualidade de cabelo quanto de agilidade”, termina.

Ondulação
No século XVI, era moda na Europa utilizar ferros aquecidos para ondular os cabelos. As ferramentas passavam por fornos e o metal era enrolado nas madeixas. Uma variação foram os papelotes: os fios eram envolvidos em papéis e marcados com uma ferramenta de duas partes iguais, metodologia semelhante à das pranchas atuais.

Um nome importante na arte da ondulação foi Marcel Grateau. Em 1872, o cabeleireiro francês desenvolveu um aparelho que era aquecido em um forninho e mantinha a ondulação por mais tempo.
Atualmente, a técnica de enrolar os cabelos em material aquecido permanece, mas as ferramentas mudaram. Há uma infinidade de modeladores de cachos elétricos, com temporizadores, cabos giratórios e revestimentos variados que protegem os fios.

antes_e_depois (2)Permanente
Em 1930, Charles Nessler aperfeiçoou as “ondas Marcel” e começou a utilizar a eletricidade para aquecer os tubos em que se enrolavam os cabelos. A máquina ficava em um ponto fixo do salão, aonde as clientes se deslocavam. Começava o processo de ondulação permanente.

Foi nos anos 1980 que o permanente, feito com amônia e bigudins, virou febre no Brasil. Atualmente, a versão digital ocupa o espaço das técnicas anteriores. Além da tecnologia, o estilo buscado pelas mulheres mudou. “Antigamente, elas faziam permanente para dar volume em cachos menores e definidos. Com o digital, o efeito é outro: o cabelo fica levemente ondulado, com brilho e sem frizz, como se se tivesse feito babyliss”, comenta o expert Lyu Matsunaga, do salão Tampopo Hair Cutting Team.

Esse novo processo utiliza a mesma química, mas, em formato gel, apresenta um odor mais fraco e praticamente o dobro de durabilidade em relação ao permanente convencional.

antes_e_depois (3)Alisamento
Muitas técnicas surgiram ou se aprimoraram ao longo dos anos. Quem tinha o cabelo muito crespo aderia aos henês, e os mais maleáveis passavam pela touca de gesso. Agora, existem inúmeros tipos de relaxamento e escovas progressivas. “A touca de gesso era um alisamento permanente feito com amônia e farinha de trigo que servia para alinhar os fios de forma reta. Tal procedimento foi substituído pelos alisamentos de amônia e pelas escovas progressivas, nas quais a chapinha faz o trabalho da farinha de trigo”, conta Vivian Esteves, cabeleireira do Salão Scenário.

O grande desafio do setor de alisamentos é desenvolver produtos que garantam madeixas lisas e saudáveis. Por isso, o mercado vive em uma constante luta com os percentuais de químicas e adição
de elementos nutritivos para rebater o efeito dessas bases. Segundo Vivian, a onda do formol foi passageira, e os produtos com essa química não trazem segurança para o cliente nem para o cabeleireiro.

antes_e_depois (1)Os cabelos enrolados que precisam de redução no volume podem ser submetidos ao realinhamento térmico com cisteína da cana-de-açúcar e rubi. “Esse processo é tão suave que pode ser feito, com a devida autorização médica, em adolescentes e grávidas”. Ela também se vale da selagem térmica à base de acido acético e aminoácidos, apontando-a como a melhor substituta para a progressiva de formol.

Porém, a técnica mais inovadora é o alisamento a laser à base de amônia, conhecido como Photon Hair. Ele apresenta 2% de amônia, contra os 16% de uma escova definitiva, com ação potencializada pela luz laser de LED.

Já o hidróxido de guanidina é a mais nova química para os cabelos afros. “Era um pecado utilizar henês, produtos com base em hidróxido de sódio, ou seja, soda cáustica. A guanidina não é tão forte quanto os henês e garante um resultado liso e brilhante”, confirma.

antes_e_depois (4)Produtos
Ao longo dos anos, as linhas capilares mudam consideravelmente, criando cosméticos diferentes para determinadas necessidades e tipos de madeixas. O Neutrox, por exemplo, foi lançado em 1974, como o primeiro condicionador de cabelos do Brasil, introduzindo no País o conceito de tratamento dos fios. Ele revolucionou a prática de cuidados capilares, pois antes só existiam os cremes rinse, usados para desembaraçar os fios. Hoje, o condicionador é isento de sal e ganhou uma família: Bye Bye Cabelos Oleosos, Reparação Poderosa, Mar & Piscina, Homem... Ao todo, são dez linhas com finalidades específicas.

Outro produto histórico é o Denorex, comercializado até hoje. Foi introduzido no Brasil em 1975, para combater a caspa por meio de um regulador de oleosidade. O slogan da campanha de lançamento era “Parece, mas não é”, referindo-se ao fato de ele parecer remédio, mas ser xampu.

A linha acaba de ser expandida com mais três versões do produto: Active Power, Deep Clean e Hydra Protect. “Segundo dados da Nielsen, o nicho anticaspa representa 15% do mercado de xampus. Por isso, o Denorex foi reformulado e inclui até a versão 2 em 1. Tudo para atender às necessidades de nosso público”, afirma Gabriela Garcia, diretora-executiva da Hypermarcas, detentora da linha.

Confira também:

Escova Térmica - Alisamento térmico é alternativa mais segura à escova progressiva

Tranças afro - Aprenda a fazer tranças afro

Galeria de fotos:

  • Modelador de cachos Bubbles com revestimento cerâmico
  • Antigo secador elétrico de mão
  • Ondas Marcel
  • Secador de coluna
  • Aparelho de permanente aquecido
  • Antigo modelador de cachos
  • Neutrox
  • Neutrox
  • Neutrox
  • Neutrox
  • Neutrox
  • Neutrox
  • Neutrox
  • Neutrox

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