Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 19

ImprimirO Futuro Já Começou

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Reciclagem e tecnologia são tão fundamentais quanto o pente e a escova.

Do alto dos meus 57 anos no ramo, posso me atrever a fazer previsões sobre o futuro da nossa profissão. Há anos, diziam que um cabeleireiro munido de uma escova e um pente não passaria fome. Hoje, concluí que esse conceito deve ser modificado. Com o aparecimento de novas tecnologias, se o profissional não se atualizar e não tiver um profundo conhecimento técnico, dificilmente sobreviverá apenas com seu talento e habilidade.

Fico triste quando, em uma demonstração, escuto um diálogo como esse: “Que cor linda, o que você usou nesse cabelo?". Quem está no palco responde: “Apliquei tal cor e descolori uma parte”. E o espectador indaga: “Ah, mas eu fiz isso em minha cliente e não deu certo”. O cabeleireiro não sabe que o técnico aprendeu tudo sobre cabelo e está representando uma grande empresa. E que a sua própria falta de informação torna a cabeça de suas clientes um mero campo experimental.

O futuro é de quem estuda. O jovem tem o poder do aprendizado nas mãos, ao contrário dos grandes profissionais que já se aposentaram, como aqueles da minha época, capazes de fazer verdadeiras alquimias com a água oxigenada. Os produtos tinham cheiro forte, o que permitia diferenciar cada um deles. Hoje, até o odor é maquiado e, a cada dia, uma avalanche de substâncias novas surge no mercado. Algumas desestruturam, umas frisam e outras defrisam. E esta enorme oferta atual, se por um lado abre um leque muito maior de possibilidades, por outro, pode fazer com que um cabeleireiro menos experiente estrague um cabelo, por pura falta de informação. Nos Estados Unidos, na França, na Espanha e na Inglaterra - países que sediam as principais academias -, existem os consultores técnicos. Eles diagnosticam a saúde do fio, com cuidado e conhecimento, e só depois encaminham a cliente para o profissional indicado. É a cor que necessita de mudanças? Ele chama o colorista. Se a forma não está lá “essas coisas”, o responsável por permanentes e alisamentos entra em cena. Tudo se resume em especialização.

No Brasil, as técnicas são difundidas empiricamente, ou seja, olhamos quem sabe fazer e aprendemos na prática, mas isso vai terminar. O investimento na formação profissional vem sendo cada vez mais valorizado. A prova disto é que duas ou três faculdades brasileiras pretendem ministrar cursos sobre cabelos. Outra prova: eu, aos 75 anos, decidi me inscrever em um curso especializado da USP e estendi esta área de interesse até aos cursos do Centro Técnico da Ikesaki. Daqui pra frente, disciplinas como Tricologia e Cosmetologia serão ensinadas porque, hoje, a cliente que procura um salão de beleza está globalizada, sabe o que quer. Ela está antenada com o que acontece no mundo e quer soluções práticas, duradouras e que acompanhem as tendências. Ela sabe que um penteado muito alto está fora de moda ou que determinado tom não combina com sua cor de pele. O meu conselho é: sente-se na cadeira da escola, se for preciso. Pense no que você deixou de fazer. Além de saber cortar e colorir, é preciso conhecer profundamente a matéria-prima de seu trabalho, o cabelo e, claro, as novas tecnologias que surgem a todo instante.

Estive há pouco tempo na Alemanha, a convite da Wella, e fiquei impressionado com a tecnologia empregada na descoberta e desenvolvimento de novas ferramentas de beleza. Observei testes totalmente automatizados para medir a resistência de todo o tipo de fio à química. Eles não brincam em serviço! Constatam a viabilidade de cada ingrediente, o que precisa ser melhorado e como aplicar cada mistura.

Por isso, insisto na necessidade do conhecimento aprofundado do fio de cabelo. Quando você o conhece, pode constatar o que deve ser feito e usado. Assisti a uma palestra sobre nanoqueratinização. Vivo viajando, me reciclando, mas descobri que não sabia nada sobre o assunto. Fiz perguntas, porque o segredo da reciclagem está na curiosidade. Vejo muitos cabeleireiros que assistem a apresentações e shows e não pedem para subir ao palco, para tocar no cabelo... As únicas perguntas que ouço são superficiais. Precisamos discutir, não apenas com outros profissionais, mas também com a nossa própria equipe. Pergunto a você, cabeleireiro, quando foi a última vez que seu staff se sentiu à vontade para dizer quais as suas necessidades, as das clientes e do salão?

Talvez o salão precise de novos equipamentos. Até bem pouco tempo, eles se resumiam a secadores com cúpulas acrílicas. Mas, atualmente, a tecnologia criou aparelhos inteligentes, que só faltam falar. Meu conselho: invista em inovações tecnológicas e modernize seu salão. Se antigamente o cabeleireiro dizia: “com o pente e com a escova, não morro de fome”, hoje precisa de muito mais. O futuro será com tecnologia, informação e atualização constante.

Eu vi o princípio da nossa profissão. Afinal, comecei em meados de 1950. Estou na metade e ainda quero ver o futuro. Para finalizar, garanto: ainda tem muita coisa por vir. Quem parar não seguirá a história, pois ela não tem volta. Só conhecimento e lembrança.

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