O gênio angolano das tesouras



Da África para o Brasil, o conceituado hairstylist trouxe em sua bagagem conceito, tendências e muitas histórias
texto: Geiza Martins | fotos: Gilberto Marques, Moisés Moraes e divulgação
Quem assiste aos movimentos precisos de Viktor I nos shows dos principais eventos da coiffure não imagina as situações pelas quais este angolano radicado no Brasil passou até alcançar o sucesso.
Isso porque nem sempre o nome do hairstylist, 39, esteve ligado à fama. Aos seis anos, Victor Gonçalves (seu nome de batismo) perdeu a mãe, a bailarina Milokas, em um acidente de carro. O episódio marcou sua vida. “A última vez que vi minha mãe, ela estava colocando apliques e perucas, porque era uma artista. Naquele momento, nasceu em mim a vontade de arrumar e transformar as pessoas”, conta.
Ainda pequeno, Victor aproveitava toda e qualquer oportunidade para pentear madeixas alheias. “Já pensei em ser bailarino. Fiz alguns testes, mas o sonho de trabalhar com cabelos falou mais alto.” Dois anos depois da morte de Milokas, ele abandonou sua terra natal, que vivia uma guerra civil, e foi para a África do Sul. A estadia por lá demorou apenas o tempo necessário para ele obter a documentação para viajar até Portugal, onde foi criado pela avó Cristina.
“No momento em que coloquei os pés em Lisboa, percebi que estava mais próximo do mundo da moda e da beleza.” Aos 12 anos, ele já exercitava seu talento, cortando o cabelo de parentes e amigos. Mas, para começar a trabalhar na área, era necessário ter um curso profissionalizante. Mais uma vez, ele colocou o pé na estrada e foi até Barcelona, onde havia o curso que sonhava em fazer, no Instituto Llongueras. “Para me sustentar, trabalhei como garçom e barman, mas logo fui descoberto pelo mestre Luis Llongueras e fiz um estágio não remunerado em um dos salões da rede.”
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