Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 54

ImprimirO próximo passo

Avalie: 12345

trajetoria_sucesso (1)Ele já trabalhou nos principais salões de beleza do Brasil, mas quem gosta de desafios como o cabeleireiro Eron Araújo vive esperando pelo que vem a seguir

texto: Rebeca Alcoba | fotos: divulgação

Imagine se, durante um dia de trabalho, o carro do hairstylist Celso Kamura parasse em frente ao salão e ele convidasse você para trabalhar em sua equipe? Foi justamente isso que aconteceu com Eron Araújo. A história sobre sua descoberta profissional é digna de uma trama de novela.

Quando foi trabalhar com Celso, Eron tinha apenas 19 anos e era autodidata. Ele começou mexendo nas madeixas da mãe. “Tingia o cabelo dela em casa aos 10 anos de idade. Usávamos uma escova de dentes velha como pincel e uma sacola de supermercado para proteger as mãos”. Com o tempo, aprendeu a fazer escova e a cortar cabelos. Então, auxiliou uma cabeleireira que atendia na própria casa. De lá, foi trabalhar no Salão Vizoni, localizado no bairro Santa Cruz (SP).

Na época, Eron tinha uma cliente que escovava os cabelos com ele, mas cortava e coloria com Celso Kamura. “Um dia, o Celso estava viajando e ela me disse que precisava cortar o cabelo. Realizei o trabalho e, quando ela voltou no salão do Kamura para fazer a cor, ele ficou eufórico”, conta.

A princípio, a cliente pensou que essa euforia seria seguida de uma bronca, mas na verdade ele queria o telefone de quem havia feito o corte. “Ele me ligou, mas fiquei com medo de ir até o salão dele. Eu era muito moleque, mas já admirava o Celso. Assistia a suas apresentações nas feiras e ficava como um bobo”. Depois da abordagem ao vivo, Eron não teve escapatória: ele começou a trabalhar no Spettacolo, ainda no bairro da Aclimação, e passou por todas as etapas do salão. Até mudar de nome para C.Kamura e de endereço para o bairro dos Jardins. Foi quando Eron prosseguiu para o MG Hair e, por fim, para o Studio W.

Se com Celso Kamura ele aprendeu a fazer moda, passando pelos extintos Phytoervas Fashion e Morumbi Fashion até chegar a SPFW, com seus mentores subsequentes Eron soube como relacionar-se com o mercado (Marco Antônio di Biaggi) e a ser um bom empresário (Wanderlei Nunes). O cabeleireiro apresenta um currículo invejável e, a respeito dos profissionais que serviram de exemplo para  sua carreira, ele analisa: “O Celso é um artista, o Marco Antônio, um grande marqueteiro, e o Wanderlei, um visionário”.

trajetoria_sucesso (2)Nova etapa

Quase 25 anos após ser “picado” pelo bichinho da beleza, Eron resolveu abrir o próprio salão. “Minha cabeça tinha batido no teto. Não tinha mais para onde ir. Eu me sentia angustiado, não por questão financeira, porque no W eu tinha um salário invejável”, explica. O único ponto que o deixava inseguro em se tornar independente era se teria tempo para continuar cuidando de cabelos, em vez de ocupar-se com a área administrativa de um salão. Quando o cliente e atual sócio, Guido Pavan, disse que se responsabilizaria por esse departamento, tudo ficou resolvido.Foi assim que, no fim de 2011 o bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, ganhou um espaço luxuoso de 1000 metros quadrados chamado Blend, que significa misturar em inglês e tem tudo a ver com a idealização do proprietário.

Diferentemente do que ocorre em outros estabelecimentos, Eron não quis identificar o salão com o próprio nome ou iniciais. A ideia é ter um espaço democrático, atrativo para os clientes e para os profissionais que integram a equipe. Aliás, essa foi a maior dificuldade para abrir o Blend. Segundo ele, mesmo havendo bastante mão de obra, muitos escolhem a profissão pelos motivos equivocados. “Eles querem trabalhar num salão de luxo só pelo dinheiro, não para crescer profissionalmente. Quando entra numa empresa pensando apenas na questão financeira, dificilmente você será bem-sucedido”.

Eron ainda aconselha que, para ser um profissional de sucesso, é preciso estudar muito e ter cuidado com a vaidade. Ele começou como autodidata, mas quando teve oportunidade não pensou duas vezes antes de investir em especializações. Matriculou-se na Academia Vidal Sassoon, em Londres, para aperfeiçoar as técnicas de corte, e aliou-se a marcas como L’Oréal Professionnel e Wella para a parte de colorimetria.

Eron não se envergonha de ter vindo da periferia para o mercado de luxo. Ao contrário: considera isso muito bom por conseguir lidar com as diversas camadas sociais. “Cada perfil de cliente tem um desejo, e preciso saber dar forma a isso”, explica. Sempre participa de matérias jornalísticas, mas é contra profissionais que buscam construir seus nomes em cima da mídia. “Tudo o que é baseado só na mídia é passageiro, não tem consistência”. Ele atende algumas personalidades, mas não se gaba disso. “As pessoas têm que reconhecer você pelo valor do seu trabalho. Todos os meus clientes famosos pagam pelos serviços que recebem”.

Eron gosta de fazer pesquisas, entender a moda hair do passado e trazer essas referências para a atualidade. “O cabeleireiro precisa ter essa base para ser bom”. É fã dos looks da Madonna e, coincidentemente, faz aniversário no mesmo dia de sua musa. “Desde 1980, ficava atraído pelo fato de ela mudar de visual constantemente. Eram mudanças rápidas e corajosas”.  Apesar de já ter se aventurado no mundo da maquiagem, ele prefere se dedicar aos cuidados capilares, principalmente corte. Quando questionado se há algo que não saiba fazer, é enfático: “Não consigo entender um cabeleireiro que diz cortar, mas não pentear, ou penteia, mas não faz cor. Um profissional que é apaixonado pelo que faz tem de entender de tudo”.

Galeria de fotos:

  • Eron Araújo
  • Fachada do Blend, localizado no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo

Deixe um comentário:



Buscar

Notícias

Newsletter

Assine e receba as novidades da revista em primeira mão.



Publicidade


Revista Cabeleireiros.com

Login Cadastre-se