Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 32

ImprimirO que define um visagista

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Conheça as características que diferenciam o visagista, o cabeleireiro e o hairstylist

Philip Hallawell
(autor do livro Visagismo: Harmonia e Estética, publicado pela Editora Senac)


Quando eu era criança, uma costureira fazia os vestidos da minha mãe. Copiava moldes e modelos de revistas nacionais e importadas. O corte e o acabamento eram bons, mas ela não era criativa – era artesã.

Minha sogra, além de boa costureira, sabia modificar os modelos e criar seus próprios. No entanto, não criava moda – era estilista. Os grandes nomes da alta costura, como Christian Dior, estavam num outro patamar – eram artistas.
A diferença entre um cabeleireiro, um hairstylist e um visagista é semelhante: baseia-se em conceitos de trabalho, métodos utilizados, conhecimentos adquiridos e atitudes. A maneira mais simples de explicar tudo isso é definindo o que cada um faz.

O cabeleireiro profissional é um artesão. Ele domina as técnicas de lavagem, corte, penteado e coloração e está habilitado a executar esse trabalho, mas não cria estilos. Aprendeu a reproduzir e mesclar determinados efeitos visuais, e copia com alguma sensibilidade artística cortes padrões e trabalhos de hairstylists, mas não tem muita criatividade.

A maioria dos profissionais se encontra nessa faixa, porque os cursos de cabeleireiro se limitam a ensinar as técnicas básicas (como a reprodução de efeitos visuais) e a utilização delas para executar determinados cortes. Não ensinam o que os efeitos expressam e muito menos a linguagem visual, essencial para a criação de estilos, a não ser que a pessoa seja dotada de rara inteligência visual. Também não estimulam a expressão individual.

O hairstylist é um estilista. É um cabeleireiro que consegue executar os trabalhos com grande sensibilidade e com
algum grau de criatividade. Possui excelente técnica, muita experiência e boa inteligência visual. Por isso, consegue perceber o que favorece o cliente esteticamente. Por causa desta inteligência (dom), sabe intuitivamente o que os efeitos expressam.

Apesar disso, só podem ser considerados artistas aqueles que conseguem criar um corte de acordo com uma intenção, traduzir uma idéia numa imagem – poucos vão além da expressão artística. O visagista é um artista. Não é necessariamente um cabeleireiro, porque essa arte se aplica a todos os aspectos estéticos da face e a imagem toda. Há visagistas de várias profissões. Eu, por exemplo, sou artista plástico. Não sei executar um corte, fazer luzes ou maquiar, mas posso indicar a melhor opção de corte, coloração, penteado e maquiagem para qualquer indivíduo.

Para ser visagista, é essencial saber conduzir uma consultoria que parte desta pergunta: “O que você deseja expressar através de sua imagem?”. A consulta envolve a análise física do rosto – do formato, das linhas das feições, das proporções e da cor da pele. O método que desenvolvi é baseado na constatação que o rosto determina a identidade de uma pessoa, porque linhas e formas têm significados universais que são percebidos emocionalmente. O temperamento e o que a imagem expressa são revelados quando se sabe interpretar esses símbolos. Então, o estudo do visagismo envolve questões psicológicas e antropológicas, além de considerações estéticas.

Quando o cliente decide o que quer expressar, o visagista precisa saber traduzir essa intenção numa imagem. Para isso, é necessário dominar a linguagem visual – estudo do funcionamento da imagem –, que envolve questões de harmonia, estética e estilo. O visagista determina o formato e a estrutura do corte, o movimento das mechas, a cor do cabelo e o design das sobrancelhas, entre outros aspectos da imagem. Se for cabeleireiro, também executa o trabalho. Caso não seja, passa as informações a outro profissional, preferencialmente um visagista, para que ambos falem a mesma língua.

Talvez a maior diferença entre o visagista, o cabeleireiro e o hairstylist é que, enquanto estes estão atentos à estética da imagem – o que é agradável e bonito –, o visagista se preocupa em revelar as qualidades da pessoa, seu lado “luz”, e a imagem que lhe fará bem e trará benefícios em suas relações. Nem sempre a imagem mais adequada é a mais bonita dentro dos padrões da sociedade ou da moda. Mas será a melhor. E será personalizada

1 Comentário:

  1. Foto: Elizabete
    Elizabete: 06/09/2009 às 22:50
    Muito interessante. Mas podemos executar as duas funções..


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