Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 30

ImprimirO que é onicologia?

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leticia balbinoSe antes os cuidados com as unhas se resumiam a cortá-las, lixá-las, desbastar as cutículas e aplicar esmalte, hoje já é possível identificar o tipo de unha e tratá-la com produtos específicos

Letícia G. T. Balbino
(farmacêutica industrial onicologista)

Há cerca de três anos, chegou no Brasil uma nova ciência: a onicologia cosmética (onico = unha + logia = estudo), que estuda as unhas e seus tratamentos estéticos. Ela permite melhorar a qualidade das unhas, e não apenas esconder seus defeitos. Afinal, ter unhas saudáveis e bonitas é tão importante quanto ter cabelos luminosos e bem-tratados.

Quando o assunto é “colocar as garras de fora”, quem nunca se queixou de unhas fracas ou que demoram a crescer? A razão pode ser o que os especialistas chamam de síndrome das unhas frágeis (SUF). Muito comum, ela é caracterizada pelo aumento da fragilidade das lâminas ungueais (termo técnico que define a unha) e afeta quase 50% da população. Estima-se que atinja até 90% das mulheres adultas.

Aproximadamente 1/3 de suas causas ainda não foram completamente elucidadas, mas acredita-se que ela tenha origem tanto vascular (quando o sangue não consegue entregar os nutrientes na concentração necessária para a formação de unhas saudáveis) quanto física ou traumática, como pressão constante ou esbarrões nas unhas. Para a maioria das mulheres com SUF, o incômodo é estético, mas muitas se queixam de dores.

Clinicamente, a SUF se manifesta sob duas formas: perda de nutrientes responsáveis pela adesão entre as microplacas de queratina que compõem as unhas e/ou dificuldade da matriz formadora em produzir unhas resistentes. No primeiro caso, a unha descama com facilidade; no segundo, ela fica muito fina e quebra corriqueiramente.

O que torna as unhas estruturas tão frágeis é a sua composição: a lâmina ungueal saudável contém aproximadamente 10% de água, sendo pobre em lipídios. Sua capacidade de reter líquidos é pequena, o que a torna mais sensível à desidratação e aos danos causados por choques e tensões.

Fungos (micoses) e exposição a agentes químicos, como produtos de limpeza e cosméticos (a maioria dos esmaltes contém formaldeído, que pode enfraquecer as unhas), além de traumas repetitivos (digitação), podem interferir na adesão necessária para que as moléculas de queratina formem unhas compactas e resistentes. Esses fatores parecem atuar de maneira cumulativa, desencadeando alterações ungueais ao longo do tempo. Além disso, com o aumento da idade, as unhas perdem ainda mais lipídios e, portanto, ficam mais suscetíceis a quebras.

O mito de que a resistência das unhas se relaciona com a quantidade de cálcio vem sendo desmentido. Cientistas comprovaram que é a quantidade elevada de enxofre que permite que as moléculas de queratina se prendam umas às outras. O cálcio pode atuar como complemento, mas tudo indica que só sua aplicação não altera a estrutura das unhas.

A essa altura surge a pergunta: o que é necessário para manter unhas fortes e compridas? A resposta está na onicologia. Já existem no Brasil produtos amparados por estudos científicos sobre ativos necessários para tratamentos de fortificação e pró-crescimento. Alguns deles são: extrato de porcelana, cisteína, fosfolipídios reconstrutores e fontes de enxofre quelato.

Antes de iniciar o tratamento estético, a possibilidade de micose nas unhas deve ser afastada. Mas não vale investir nisso se você é adepta da “onicofagia”, ou hábito de roer as unhas. Esta não é uma simples questão de ansiedade. Segundo especialistas, o costume surge na infância, e normalmente está ligado à carência emocional. Mas isso é tema para uma próxima conversa

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