Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 30

ImprimirOs cabelos e as estações do ano

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Ivan StringhiUm cabeleireiro de sucesso precisa saber adequar a cor e o corte dos cabelos dos clientes ao estilo de vida deles e ao local onde residem

Ivan Stringhi (hairstylist e presidente do Projeto Tesourinha)

Para ter sucesso na carreira, o cabeleireiro precisa entender que vende sonhos. Não adianta simplesmente preparar a tintura e aplicá-la na cabeça de um cliente. Primeiro, é necessário fazer o diagnóstico da cor dos cabelos, dos olhos e da pele dele, além de perguntar sobre as nuances e os estilos de roupa que ele costuma usar no dia-a-dia em determinada estação do ano. Além disso, o profissional deve pesquisar o clima da região na qual está trabalhando. Afinal, imagine alguém que mora em um lugar cuja temperatura média é 38ºC com um tom vermelho-fogo na cabeça. Vai parecer um farol!

Para que isso não aconteça, o cabeleireiro deve fazer uma ficha com a “receita” de cada cliente. Assim, poderá vender melhor o sonho que idealizou. Durante a conversa antes do início do trabalho, é indicado que o profissional fique na mesma altura dos olhos do cliente, para criar uma sinergia. Dessa maneira, é mais fácil propor as cores de fundo (pois mechas em fios naturais não ficam bem) e as complementares.

Na conversa com o cliente, é interessante que o hairstylist mostre referências do que deseja fazer. Elas podem ser retiradas de revistas, nas quais o brilho, a energia e as cores vivas de carros, pinturas e construções podem ser vistas. As referências são a base para a criatividade. Isso é válido tanto para área de beleza quanto para qualquer outra. Se elas não existissem, o profissional não conseguiria criar, mas só copiar.

Mas que cores utilizar? Essa pode ser uma dúvida freqüente. Acredito que não exista uma lei para a beleza, mas uma coerência. No inverno, as nuances quentes, como os tons de chocolate e cereja, são mais indicadas. Elas não são chapadas, por isso é necessário fazer um trabalho de tonalidades para dar movimento ao fundo.

Tons para o ano todo
No inverno há cores quentes de fundo e mechas suaves, nada largas. Essa estação do ano aceita um queimado suave nas pontas, que é totalmente diferente de uma descoloração partida do meio da cabeça até a raiz. Para conseguir realizar um bom trabalho, é necessário fazer uma emenda entre o que foi realizado nas extremidades e os fios naturais. Se isso não acontecer, vai parecer que falta técnica, e o visual ficará empobrecido.

Mas o profissional precisa saber adequar os fios dos clientes à passagem das estações do ano. Os cabelos de inverno se transformam quando chega a primavera: tornam-se mais claros e menos pesados. Essa alteração é normal, já que a pele e o figurino mudam. É indicado que o profissional sugira uma alteração na cor de fundo dos cabelos, clareando-os em três tons. Isso também já prepara os fios para o verão.

Um mês antes do início da estação mais quente do ano, é interessante sugerir ao cliente uma visita ao salão para preparar os fios, realizando uma reestruturação que os deixará fortes para receber uma tintura. Durante o verão, cabelos bem tratados e cuidados por profissionais eficientes costumam não desbotar, porque a coloração já é mais clara. Se o cabeleireiro sugerir uma nuance cobre, por exemplo, no primeiro sol que o cliente tomar os fios irão desbotar. Por isso a cor não é indicada para essa estação.

Então, no que apostar? As cores do verão baseiam-se em fundos naturais com clareamento de pontas. Loiros, brancos, castanhos de sol e raiz natural são os “truques” mais utilizados. Nos anos anteriores, alguns profissionais tentaram emplacar uma tendência de raiz clara e pontas escuras. Mas não pegou. Parecia que a raiz estava mal tingida.

Com base em todas essas dicas, é importante que o profissional tenha em mente que não adianta usar, nos cabelos do cliente, uma tonalidade que não combine com o clima de onde ele mora e com seus costumes. Fazendo isso, você deixará seu cliente parecendo um peixe fora d´água. É preciso entender que o papel do profissional é dar à clientela o que ela precisa, e não o que ele quer

 

 

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