Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 22

ImprimirOs Franceses que fizeram história

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Quando se fala em beleza, logo vêm à cabeça os nomes Jacques & Janine. Afinal, com muita dedicação e amor à profissão, o casal conquistou o sucesso profissional e, hoje, administra 64 unidades da rede em todo o Brasil

Por Wanessa Lopes
Foto: Moisés Morais


Franceses e donos de uma das maiores redes de cabeleireiros do Brasil, eles se conheceram em São Paulo, fincaram raízes no Brasil e construíram um “império” de beleza. Hoje, o casal tem na bagagem a tradição do nome e o amor à profissão. Jacques e Janine Goossens, realmente, dispensam apresentações. Desse “império” fazem parte, atualmente, 64 unidades da rede que leva o nome do casal. Os mestres da beleza já não atendem mais como no auge da carreira, mas administram o negócio com muito cuidado e determinação.

A história profissional de Jacques começou ainda em Paris. Ele poderia ter sido professor, médico, engenheiro ou advogado, pois, por volta de 1947, o campo de escolha das áreas profissionais era bastante limitado. A carreira militar era preterida, porque todos estavam fartos de tudo que pudesse lembrar a guerra. Porém, existiam os ofícios que não exigiam formação teórica, mas sim prática, jeito e dedicação.

A mãe de Jacques, Mme. Line, não enxergava futuro para o filho em qualquer uma das carreiras convencionais, mas, ao contrário, ela via o destaque de alguns colegas de seu marido, que era cabeleireiro. Pegando o filho pela mão, levou-o para o salão de um dos amigos de Roland Goosens, pai de Jacques, e lá, aos 18 anos, ele começou a trabalhar e a se familiarizar com a profissão. Já diz o ditado: “filho de peixe, peixinho é”...

Jacques realmente tinha o dom para a coiffure. “Fiquei uns três anos estudando o ofício. Fazia muitos penteados e, com isso, formei minha clientela. Depois tive de servir o exército, pois era obrigatório. Quando voltei, comecei novamente a trabalhar. Porém, eu estava muito triste e precisava de uma coisa nova”, revela.

Ele buscava mais possibilidades, queria aventurar-se. Um salão que estava inaugurando em São Paulo decidiu contratar um cabeleireiro francês. Com a fama que já havia conquistado em Paris, Jacques foi indicado por uma pessoa da L’Oréal para ocupar a vaga. O francês chegou no Brasil no final de 1952 e deu todo o glamour que o salão precisava. Janine conta que os proprietários deste salão, que Jacques trabalhou, eram construtores e não conheciam o mercado da coiffure. “Apesar disso, eles eram empreendedores e tinham visão de futuro. Após um ano, houve uma briga societária e Jacques saiu para novos horizontes”.
Tornou-se sócio do Sacha e, novamente, um ano depois - com o movimento crescendo dia após dia -, ele percebeu que era necessário expandir. Deixou o Sacha e, em 1955, abriu o seu salão, em sociedade com um colega. Em 1957, num belo sábado, recebeu o convite para descansar em um sítio, em Mogi das Cruzes, interior de SP, onde aconteceria um piquenique. Ele aceitou e não sabia o que o destino lhe reservava neste lugar.

Foi justamente nesse ano que começa a história de Janine Merlino, seu nome de solteira aqui no Brasil. Ela tinha 18 anos quando veio de Paris com o irmão e os pais, que haviam decidido emigrar para que o filho não fosse alistado e nem lutasse na Guerra da Argélia. Na França, após os estudos, ela fez um curso de estética em uma tradicional escola e chegou à conclusão de que havia encontrado seu caminho.
Ao chegar ao país tropical, a família adaptou-se. A mãe, Mme. Rose, costureira, foi contratada em um atelier de alta costura, e o pai foi admitido em uma boa empresa. Janine recebeu orientação da Câmara de Comércio Francesa e conseguiu um emprego também no Sacha, por onde Jacques já havia passado. Mera coincidência.

A prática foi trazendo o aprimoramento profissional, e o desejo de embelezar as pessoas crescia a cada dia em Janine. Ela descobriu a profundidade de seu trabalho. “A estética, para mim, deve proporcionar às pessoas prazer, felicidade, brilho, equilíbrio e auto-estima. Deve exaltar o belo e a sensibilidade do ser humano”, comentou.

Assim como Jacques, um dia ela recebeu um convite para descansar e também foi para “o piquenique”. Os dois se encontraram pela primeira vez, foi amor à primeira vista. O pedido de casamento aconteceu em três dias e, após três meses, ocorreu o casamento.
Nascia o primeiro Jacques & Janine, na Rua Augusta. A esteticista diz que não surgiu apenas da união dos dois, mas também do casamento da coiffure e da estética. Juntos, eles difundiram o conceito de Beleza Completa. O sucesso foi tanto que, hoje, eles comandam 64 unidades da marca. São 60 franqueados e 4 salões próprios. As franquias estão nos seguintes estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo, além da unidade internacional, em Miami.

Janine não atende mais, mas cuida pessoalmente da formação da equipe e ainda encontra um tempinho para colocar no papel toda sua experiência de vida. Tanto que já lançou dois livros: Muito Além da Beleza (Jacques e Janine Goossens – Editora GKR) e Beleza – Um Conjunto em Harmonia (Janine Goossens – Editora Harbra).

Jacques já não atende mais como no auge de sua carreira, mas ainda tem algumas queridinhas que preferem as mãos do francês à de qualquer outro cabeleireiro. “São poucas, mas ainda há algumas pessoas que não cortariam o cabelo com outro profissional, de jeito nenhum”, afirma com um sorriso discreto.

O casal confessa que administrar e treinar a equipe de todos os salões é uma tarefa árdua. “Os cinco primeiros franqueados foram fáceis, porque foram pessoas criadas dentro do salão, com o mestre Jacques. Esses profissionais conheciam de perto as regras e o conceito de ser Jacques & Janine. Já os outros salões foram mais difíceis, por isso, mantemos uma equipe que vai de unidade em unidade dar treinamento e difundir o nosso conceito, de beleza completa”, explicou Janine.

A primeira tarefa do casal, quando existe alguém interessado em abrir uma franquia da marca, é tentar desanimar essa pessoa, no bom sentido. “Nós mostramos todos os lados ruins de ter um salão. Se percebermos que a pessoa insiste e realmente acredita que dará certo, mesmo diante das dificuldades, aí então nós podemos ouvi-la e adotá-la como franqueada. O primeiro passo é mostrar as dificuldades, principalmente quando ela não é do ramo”, afirmaram.

Quem freqüenta os salões Jacques & Janine são pessoas que gostam de estilo e procuram o bem-estar. Buscando atender a diversos públicos, o casal lançou, no ano passado, um novo conceito de atendimento: o Jacques & Janine Basic. O objetivo é atender à mulher básica, que tem pouco tempo, mas quer estar sempre bela para enfrentar a rotina diária. Hoje, já são quatro unidades e todas ficam em lugares com grande concentração de empresas ou de comércio. “É justamente nesses centros empresariais que encontramos as mulheres que têm pouco tempo para gastar em um salão. No Basic, elas podem comer um lanche e, ao mesmo tempo, fazer as unhas ou cuidar dos cabelos”, comenta Janine. Os preços são mais acessíveis, porque existe um número menor de serviços prestados.
E, por falar em mulher, o que seriam das noivas se não fosse o estilo Janine de ser? Em uma de suas viagens, há muitos anos, à Índia, a esteticista notou que as noivas daquele país são cultuadas com mimos de beleza até uma semana antes do casamento. Ela gostou do que viu no oriente e trouxe a idéia para o Brasil. Fez adaptações para o estilo brasileiro e batizou a idéia de “Dia da Noiva”. Desde então, o serviço é oferecido por todos os salões da rede e foi reproduzido pela concorrência. Não pensem, porém, os homens, que não existe o “Dia do Noivo”. A rede Jacques & Janine também oferece o mesmo bem-estar para os noivos relaxarem antes do grande dia.

As mãos desse casal de sucesso também já cuidaram das madeixas e da pele de muitos famosos. Janine conta que, no apogeu de carreira, eles atendiam a muitos artistas e modelos. “Nessa época, tínhamos um extremo cuidado em preservar e respeitar a pessoa. Não usávamos isso como forma de nos promover. Queríamos que ela fosse respeitada e não assediada em nosso salão, por isso, fazíamos nosso trabalho discretamente”, comentou Janine.

O conhecimento de Janine e a paixão pela beleza fizeram com que, nos anos 70, ela fosse convidada a ser editora da revista Claudia, uma das mais vendidas no Brasil. Janine aparecia na redação duas vezes por mês, uma para discutir a pauta e outra para entregar a coluna. “Eu tinha informações sempre recentes de tendências da França e divulgava em minha coluna na revista. Não tinha, e nem tenho, formação jornalística, mas meu conhecimento me proporcionou essa grande experiência. Foi muito bom para mim”, disse a esteticista.

Além de administrar todo o patrimônio de beleza, Jacques também encontra tempo para exercer outro cargo, o de presidente da Intercoiffure Brasil. Ele foi eleito no ano passado, em agosto, e já faz planos para 2008. “Estamos trabalhando incansavelmente para o 20º Congresso Mundial da Intercoiffure, que acontecerá em maio do próximo ano, no Rio de Janeiro. Teremos profissionais de diversos países para a troca de experiências, de tendências e estilos. Queremos que seja um sucesso e que os mais de mil convidados encontrem o charme e a alegria do Brasil”, pontuou o francês, com total apoio da esposa.

Uma história de almas gêmeas. Assim é a vida de Jacques e Janine que, ainda sustentando o sotaque francês, não costumam usar a palavra orgulho para descrever tudo o que construíram. Eles tratam tudo com muita simplicidade. “Nosso foco sempre foi, e é, o da satisfação do cliente, não só externamente, mas também internamente, criando uma visão positiva e bonita de si mesmo. Essa é a maior riqueza que um profissional pode alcançar. O importante é fazer o trabalho com amor”.

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