Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 44

ImprimirProdutos com um ideal

Avalie: 12345

cosmeticos_organicos (8)Vá além do que está escrito nos rótulos e saiba o que está por trás da fabricação dos cosméticos orgânicos

texto: Rebeca Alcoba | fotos: Nila Agency  e divulgação

Se nos anos 1990 ela era uma preocupação restrita aos defensores da natureza – vulgarmente chamados de ecochatos –, agora a ecorresponsabilidade está na boca do povo, nas prateleiras das lojas e na sacola de compras dos consumidores. Campanhas publicitárias enfatizando iniciativas sustentáveis, componentes naturais e embalagens ecologicamente corretas bombardeiam os meios de comunicação sem pedir licença.

É a onda verde, que inspirou também o setor de cosméticos. Entre os “verdes” é possível encontrar tratamentos corporais, capilares e até maquiagens. Todos eles acompanhados de certificados que avalizam a produção e de rótulos com termos específicos, como: comércio justo, desenvolvimento sustentável, carbon free, orgânicos... Este, aliás, vêm se destacando. Mas quais fatores credenciam um elemento como orgânico? O Ministério da Agricultura considera parte dessa categoria os produtos feitos com base nos princípios agroecológicos: uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais.

No segmento de beleza, a adesão à tendência orgânica é grande, mas a legislação é falha. Não existe uma certificação oficial para os cosméticos, e por isso é impossível estabelecer um padrão de qualidade.

“Os órgãos certificadores são privados, e o que existe na lei não se estende aos cosméticos”, revela Ming Liu, coordenador executivo do projeto Organics Brasil.

A lei a que Ming se refere começou a vigorar em 1o de janeiro de 2001 e se destina exclusivamente ao segmento alimentício. Ela determina que a produção agrícola só pode receber a certificação orgânica das empresas apontadas pelo Ministério da Agricultura, processo validado por um selo oficial, o Mapa.

Esse debate, porém, não é coisa de brasileiro. Estados Unidos e União Europeia enfrentam a mesma situação e procuram alternativas para oficializar seus cosméticos orgânicos. O que acontece por lá, e já está sendo copiado por aqui, é a apropriação de certificações agrícolas ou a inclusão dos produtos na categoria “natural”.

No primeiro caso, como o setor de alimentos é regulamentado, as corporações de beleza utilizam
em suas linhas os ingredientes com essa regulamentação. No segundo, tudo o que não se enquadra como orgânico é classificado como natural.

O manuseio dos produtos verdes está diretamente ligado ao conceito de desenvolvimento sustentável, que, segundo a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, é o tipo de progresso capaz de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer o atendimento às necessidades das futuras gerações.

Por que são bons?
Os cosméticos orgânicos são produzidos de maneira a respeitar a natureza, e esse conceito vem sendo utilizado como um bom argumento de compra. De acordo com Chao Tang, representante da Ikove Florestas, os produtos são totalmente livres de substâncias químicas pesadas, como fragrâncias sintéticas, lauril sulfato de sódio, parabenos, matérias-primas etoxiladas, silicone, parafina, óleo mineral e outros derivados petroquímicos. “Os cosméticos são monitorados continuamente para assegurar sua legitimidade”, completa. A realização de testes em animais e o uso de corantes também descredenciam qualquer certificação ecológica.

Para saber o que os compõem, substitua toda a lista de elementos sintéticos por itens naturais, como manteiga de cupuaçu, manteiga de cacau, extrato e polpa de açaí, extrato de aloe vera e óleo de buriti. Vinicius Vasconcelos, representante da Surya Brasil, indica que esses são os ingredientes mais utilizados pela indústria orgânica.

Todas as matérias-primas adquiridas precisam ser declaradas como comprovação de uso. “As certificadoras analisam também a relação trabalhista e as condições de higiene das fábricas. Além das visitas regulares, são feitas auditorias surpresas”, conta o coordenador do projeto Organics Brasil.     Se a empresa trabalhar com os dois tipos de produtos, a linha orgânica tem de ser separada da convencional. O Enviromental Working Group, dos Estados Unidos, divulgou uma tabela que ajuda a entender a relação do consumidor com essa tendência de mercado.  De acordo com ela, um adulto utiliza em média nove produtos de higiene pessoal por dia, expondo-se diariamente a 126 substâncias químicas. Dos 10.500 ingredientes utilizados nos produtos, 89% não foram totalmente avaliados quanto à segurança, e um terço contém ativos que podem ser classificados como possíveis causadores de câncer.

Essas informações demonstrama importância de conhecer o que você consome e despertam a dúvida
de como os consumidores têm agido ao comprar seus cosméticos. Uma enquete publicada no portal Cabeleireiros.com ajuda nessa investigação: 80% dos internautas responderam que leem a composição dos cosméticos; mas, na hora de pagar a mais por um orgânico, só 40% consideram essa ação válida, enquanto 23% nem sabem o significado do termo. Mesmo assim, as expectativas no segmento apontam para um crescimento de 7,4% até 2012, comforme previsão da Euromonitor Internacional.

cosmeticos_organicos (4)Tudo o que é bom dura pouco!
Os cosméticos orgânicos fazem valer esse ditado. Rigidez no controle produtivo e a necessidade de mão de obra numerosa encarecem o processo, e a composição natural diminui a vida útil dos produtos. “Eles acabam mais rápido por terem menos conservantes, por isso os frascos também são menores”, conta Ming. As embalagens quase sempre são biodegradáveis, recicláveis ou recicladas. Alguns fabricantes evitam até a utilização de plásticos, pelo fato de eles soltarem resíduos que podem contaminar  o conteúdo.

Se são mais caros e duram menos, por que esse mercado cresce tanto? Ming atribui a evolução como uma resposta ao trabalho de marketing das empresas, à recomendação boca a boca e à quantidade de conteúdo.

“A informação desperta a curiosidade, e as marcas estão se preparando para explicar por que o público deve gastar duas ou três vezes mais em um orgânico”, enfatiza.

Casos de sucesso
Algumas marcas despontam em iniciativas na área ecorresponsável, mesmo sem transformar seu conteúdo em orgânico. O grupo O Boticário traz um exemplo interessante: “Nem todos os nossos produtos são verdes, mas modificamos consideravelmente o processo de fabricação”, esclarece Rebeca de Mattos Daminelli, coordenadora de responsabilidade social da marca.

O grupo tem mais de 1.245 projetos ecológicos apoiados, duas reservas de proteção ambiental e iniciativas de preservação nas reservas Guarapiranga e Billings.

“A sustentabilidade está assustando menos e hoje faz parte do diálogo das pessoas.” Um dos programas fomentados pela empresa que ainda segue tímido é o de bioconsciência, que estimula o recolhimento das embalagens pós-consumo. Os clientes entregam os frascos vazios e as lojas encaminham esse material para reciclagem.

A Vita Derm desenvolveu um  movimento chamado Sustainable Beauty Movement (SBM), que consiste na fabricação de uma linha natural com matérias-primas da Amazônia. A renda da venda de dois sabonetes em barra – cremoso e hidratante corporal – é revertida para o Instituto Ayrton Senna e para as comunidades ribeirinhas de Manaquiri, município localizado a 30 km
de Manaus (AM). 

Na ponta da língua
Confira a definição de outros termos ecorresponsáveis COMÉRCIO JUSTO
É uma junta comercial baseada em práticas de negociação que fortaleçam a cooperação e a parceria entre produtores, comerciantes e varejistas. O comércio justo permite aos produtores vender para os comerciantes e varejistas, estimulando a política de geração de renda, além de proporcionar uma certificação às empresas que aderirem à iniciativa. O projeto foi oficializado em 2006 pelo Sistema Brasileiro de Comércio Justo e Solidário, instituição que agrega iniciativas privadas em busca da comercialização de itens por um preço justo.

CARBON FREE
Iniciativa tomada para reduzir a emissão de carbono no processo produtivo ou para compensar essa emissão com o plantio de árvores. Sabe-se que o gás carbônico afeta diretamente a camada de ozônio, provocando o efeito estufa. Foi criado também um selo para diferenciar as empresas que abraçam essa ideia, o Carbon Free.

fonte: Sistema Brasileiro de Comércio Justo e Solidário (SBCJS)

cosmeticos_organicos (1)Principais certificadoras
Cada uma tem seus selos e padrões para conferir a certificação aos cosméticos. Mesmo sem uma indicação oficial, o que a empresas levam em conta na hora de escolher uma certificadora é a tradição no mercado. Ao lado, estão os selos mais conhecidos, alguns independentes e outros formados pela união de várias corporações.

BCS – Alemanha
www.bcs-oeko.de

IBD – Brasil
www.ibd.com.br

Ecocert – França
www.ecocert.com.br

IMO – Suíça
www.imocontrol.com.br

Natrue
www.natrue.org

Cosmos
www.cosmos-standard.org

Galeria de fotos:

  • Capture | JAM
  • Fantasy | Raffel Pages
  • Carbon Free
  • BCS - Alemanha
  • IBD - Brasil
  • Ecocert - França
  • IMO - Suíça
  • Natrue
  • USDA Organic

Deixe um comentário:



Buscar

Notícias

Newsletter

Assine e receba as novidades da revista em primeira mão.



Publicidade


Revista Cabeleireiros.com

Login Cadastre-se