Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 24

ImprimirQueda de cabelos

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Conhecer o processo da alopécia androgenética ou queda de cabelos é o primeiro passo para ajudar clientes com este tipo de queixa

É muito comum nos depararmos com queixas de queda de cabelos por parte das mulheres que nos procuram para tratamentos capilares. Existe um trabalho da Universidade de Berclay, nos Estados Unidos, mostrando que quando uma mulher perde cabelos, ela experimenta uma sensação de dor que é maior do que quando ela perde o marido ou namorado! Daí a importância de se conhecer bem este processo para ajudar as pessoas com este tipo de queixa.

A calvície para as mulheres é muito preocupante quando ocorre além dos limites culturalmente aceitáveis, o que confere aos cabelos importante função psicológica. Assim, a queda dos cabelos é perturbadora sob vários aspectos; desde uma afecção subjacente (doença) até a aceitação pessoal e social, devendo ser encarada ao mesmo tempo como problema médico e estético. Um fato que tem chamado a atenção na atualidade diz respeito à preocupação e ao interesse das pessoas com a queda dos cabelos e o aumento da busca de solução.

Alopecia (alopekia- pelada, de alopex- raposa) Androgenética (andro- homem, gênica- transmissão por genes) é a condição genética comum de queda dos cabelos, produzida pela ação dos andrógenos circulantes. Há perda e afinamento progressivo dos cabelos, com quadro clínico facilmente reconhecido pelo recesso bitemporal anterior e médio dos folículos pilosos no couro cabeludo. No homem é deficiência de cabelos geneticamente determinada. Na mulher, além desse fator genético, associa-se também a presença de endocrinopatias androgênicas.

O número médio de cabelos varia de 100.000 a 150.000 fios, a média de perda diária localiza-se entre 50 e 100 fios ao dia nos adultos, e a de crescimento ao redor de 0,35mm por dia. Os cabelos das mulheres crescem mais rápido do que os dos homens.

A etiopatogenia (origem) da Alopécia é multifatorial, pois envolve fatores de ordem genética e hormonal. O quadro clínico de queda dos cabelos é o resultado da distribuição geneticamente determinada dos folículos pilosos com sensibilidade específica aos andrógenos e seus próprios receptores finais sensibilizados. Eventualmente, é agravada por fatores de ordem local (utilização de tópicos inadequados para os cabelos) ou emocional (o que é discutível).

Fator genético

Observou-se acima que a Alopécia apresenta origem genética e hormonal, ou seja, ela é causada por gene único autossômico e dominante com penetrância reduzida no sexo feminino. Na puberdade tem início uma modificação hormonal, em que os andrógenos atuam no interior dos folículos, geneticamente programados e localizados na região frontoparietal, levando à transformação do pêlo terminal em miniaturizado. Com isso há uma modificação biológica do pêlo, com progressiva diminuição do tempo da fase anágena após diversos ciclos.

Quando à embriogênese (formação do embrião) dos cabelos, Ziller encontrou diferenças na origem entre os da região frontoparietal e os da região occipitotemporal. A derme frontoparietal é derivada da crista neural, e a da occipitotemporal, do mesoderma (parte do embrião). Essa diferença quanto à origem embriológica pode também influenciar as conhecidas respostas dos folículos pilosos nessas regiões.

Fator hormonal

Manifesta-se nos locais em que a unidade pilossebácea androgênico-dependente (parte do pêlo que depende do hormônio) possui receptores específicos e, no caso dos pêlos, em áreas definidas do couro cabeludo, face, membros, púbis e axilas. Os cabelos respondem à ação dos andrógenos por sua diminuição, resultando em Alopécia, enquanto os pêlos respondem a essa mesma ação com crescimento normal para os homens e anormal para as mulheres com hiperandrogenismo cutâneo (aumento do hormônio masculino na pele), resultando em hirsutismo. Para melhor compreensão, está bem estabelecido o fato de que os níveis de andrógenos plasmáticos e a produção média são variáveis em homens e mulheres normais. No homem, a testosterona é o andrógeno de maior concentração, sendo secretada pelos testículos e glândulas adrenais; na mulher, a androstenediona (hormônio masculino) corresponde ao principal andrógeno que precede a formação da testosterona.

Assim, em mulheres normais, a testosterona pode ter origem tanto nos ovários como nas glândulas supra-renais pelos seus precursores - sulfato de deidroepiandrosterona (SDHEA) e a androstenediona.

A importância dos hormônios está muito vinculada à idéia de que a testosterona é a principal fonte de problemas relacionados à calvície. Sabe-se hoje que isso não é verdade, pois pacientes com calvície e sem problemas como este têm níveis idênticos deste hormônio. O item que mais importa é a taxa de conversão de testosterona em DHT e a quantidade ou qualidade de receptores de DHT. Assim, trabalhos mostram que indivíduos calvos apresentam mais receptores de DHT na área calva do que os que não apresentam este tipo de problema. Isso é determinado de maneira poligênica e têm interferência de ambos os pais e não está ligado ao sexo masculino como se pensava no passado. As interferências do meio ambiente são quase que nulas.

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