Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 45

ImprimirQuestão de estilo

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ponto_de_vista (1)Liso ou black power? A forma de manter o cabelo afro revela mais do que simples penteados: deixa
clara a personalidade de cada cliente

texto: Renata Vieira | fotos: divulgação

Relatos históricos revelam que os cabelos já foram usados para mostrar poder e posição hierárquica. No século 18, por exemplo, a altura dos penteados indicava o status que a dama tinha na corte. Apesar de não vivermos mais nessa época, até hoje os fios são um importante símbolo de identidade.

Para as brasileiras, ter madeixas bonitas é condição para o bem-estar e termômetro para a autoestima. Segundo uma pesquisa realizada pela Seda em 2008, 95% das mulheres consideram os fios
como parte fundamental da aparência, e 84% os usam para afirmar seu estilo.

Com o sucesso das escovas progressivas e de outras técnicas de alisamento, muitas mulheres com cabelos afros aderiram aos fios lisos e escorridos. Algumas, porém, resistiram por gostarem deles ao natural. Mas, afinal, o que é mais saudável para as madeixas crespas? Alisá-las ou mantê-las como vieram ao mundo? Veja o que dois especialistas pensam sobre o assunto.

ponto_de_vista (2)LISO E PRÁTICO
Praticidade é uma das prioridades da mulher moderna. São tantas as tarefas diárias, que as madeixas devem ser bonitas sem exigir muitos cuidados. Por natureza, o cabelo crespo é mais seco e pede um grande aparato de cosméticos: xampus e condicionadores específicos, pomadas, produtos para redução de volume...

Quem tem o cabelo crespo e recorre à escova após a lavagem desperdiça um tempo precioso. Sem contar a insegurança pela pouca durabilidade do resultado, que fica comprometido com a transpiração e a umidade. Algumas clientes relatam que até o ar condicionado do trabalho consegue estragar a escova, que exigiu tanto esforço para ser feita.

Para essas mulheres, a solução está na possibilidade de acordar com os cabelos lisos e deixá-los soltos sem medo algum. Os fios lisos são mais previsíveis e favorecem cortes desfiados, rabos de cavalo e coques. Com a vantagem de que, quando bate aquela vontade de mudar temporariamente, o babyliss cria um lindo efeito cacheado nas pontas.

Por isso, nove em cada dez clientes pedem a facilidade dos fios lisos. Para o cabeleireiro, realizar essa transformação na estrutura dos cabelos é uma grande responsabilidade.

Afinal, o processo é praticamente irreversível. A cabeleira só volta ao estado original se houver paciência para aguardar o crescimento.

As escovas progressivas são as mais populares entre os métodos de alisamento, pois não exigem hidratações o tempo todo. Em minhas clientes, uso a guanidina para preencher os “poros” dos fios, deixando-os uniformes e, consequentemente, lisos. Para cada pessoa a concentração do produto pode ser diferente, por isso o profissional deve fazer o diagnóstico correto. Quanto mais frisado, menos liso o cabelo ficará – mas com uma escova rápida consegue-se um resultado ótimo e mais prático do que o feito no fio natural. Já se a cliente tem as madeixas bem crespas e deseja que elas fiquem lisérrimas, costumo utilizar o hidróxido de sódio, que é mais forte.

Um dos entraves para realizar um bom trabalho é que muitas vezes a cliente omite os processos químicos que fez. Ela chega ansiosa por resultados instantâneos e não quer que nada impeça o procedimento desejado.

Por isso, antes de qualquer serviço, é fundamental fazer os testes de mecha nos fios do alto da cabeça (que têm maior incidência de raios solares), na região central do couro cabeludo (que sofre com a pressão de rabos de cavalo e penteados) e na nuca (região mais protegida). Dessa maneira, verificam-se a elasticidade e a reação dos cabelos e pode-se prever o resultado. Outra dica importante é conhecer bem a empresa fornecedora dos produtos.

Para que o resultado tenha uma boa durabilidade, depois dos procedimentos é necessário orientar a cliente a utilizar em casa cosméticos desenvolvidos especialmente para cabelos alisados. Se isso não ocorrer, ela pode ficar insatisfeita com o trabalho.

ponto_de_vista (3)Já vi casos de pessoas que resolveram retomar os cachos com permanente. Quando não realizada por um profissional qualificado, essa técnica traz problemas de quebra e até de queda da fibra capilar. Ou seja: a insatisfação com o efeito liso e a tentativa de reverter o processo da maneira errada podem resultar na perda da cliente.”

Félix Filho, cabeleireiro especialista em corte e penteado

BLACK TOTAL
Exibir um cabelo com estilo black é um atestado de atitude. O afro é autêntico, expressa liberdade, ousadia e desenvoltura. Esse tipo de fio está preparado para qualquer eventualidade e, por ser deixado ao natural, é fácil de ser estilizado.  Hoje, o black power e o dreadlock são bastante utilizados no meio artístico e, consequentemente adotados por pessoas comuns e turistas que se encantam pela criatividade do cabeleireiro brasileiro.

Os cabelos crespos têm beleza diferenciada e estilo próprio. Eles são mais sensíveis e rebeldes, então, a melhor forma de tratamento é mantê-los ao natural, com hidratação e aplicação de vitaminas.

ponto_de_vista (4)Após a lavagem, é interessante usar leave-in ou cera para preservar o brilho e a maciez. Produtos específicos para esse tipo de madeixa também ajudam na beleza. Eles geralmente têm em sua fórmula ingredientes como manteiga de karité, abacate, lanolina, queratina ou pantenol. No meu salão de beleza, há grande procura por um xampu sem sal à base de mandioca, que garante flexibilidade ao fio.

O cabelo afro étnico – aquele desenhado com trancinhas – está fazendo sucesso. Ele é inspirado nas negras africanas, que prendiam os fios dessa forma para que eles não caíssem nos alimentos que estavam sendo preparados.

Moro e trabalho no estado da Bahia, onde esses penteados são extremamente comuns e estão no dia a dia das pessoas. Hoje, vejo as tranças tomarem os quatros cantos do mundo de uma forma incontrolável. Os turistas adoram a nossa cultura e não passam por aqui sem sentir um pouco da energia e do amor da estética afro. A cada dia, conseguimos ver um Brasil mais negro esteticamente, as pessoas estão mais autênticas.”

Negra Jhô, trancista especialista em cabelo afro

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