Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 32

ImprimirRevolução ou decoração

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A história mostra que muitos profissionais tiveram dificuldades em mostrar suas ideias inovadoras ao público

John SantilliJohn Santilli (cabeleireiro e ex-diretor da Vidal Sassoon Academy, trabalhou com Tony Rizzo e Sanrizz)

Os cabeleireiros se enquadram em duas categorias: revolucionários e decoradores. Enquanto os primeiros têm as características de um artista, os outros são como trabalhadores artesanais. Geralmente, ser revolucionário é sinônimo de não ser compreendido. Se esse tipo de profissional sugere um novo design de cabelo, por exemplo, os clientes tendem a ficar estressados, pois se consideram retirados de suas “conchas”.

Decoração é cópia, mas isso não quer dizer que seja fácil para o profissional fazê-la. “ARS” é a perfeição de uma técnica, e isso pode exigir um aprendizado pela vida toda, porque o decorador é como um artesão-mestre.

Existem inúmeros exemplos de calúnia nas antigas gerações de artistas – como Sócrates, que foi condenado à morte por suas ideias revolucionárias e por ser considerado um corruptor de jovens. Esse tipo de rejeição também acontece com profissionais que desenvolvem formas de arte como arquitetura, literatura e até mesmo design de cabelos.

Afinal, quando você sugere um “novo” estilo, está sendo um profeta. Essa inovação será aceita ou não? A história da técnica chamada “Marcel wave” (criada em 1908 por Marcel de France, ela encrespa os cabelos com a ajuda de ferros quentes) é um exemplo perfeito de algo que, no início, não foi compreendido.

Há algum tempo trabalhei para uma empresa que era reconhecida por profetizar novas tendências. Ela teve essa postura nos anos 1960, 1970 e 1980, e viu que novos trabalhos apresentados nessas décadas, depois de anos, se tornaram algo normal e cotidiano.

Como exemplo, gostaria de citar o clássico “bob”. Esse estilo de corte não foi amplamente aceito no início da década de 1960, pois não era tão trabalhado na nuca. Depois de o profissional finalizar o corte e mostrá-lo, alguns começavam a chorar. Outro exemplo é o “five point cut”, corte geométrico criado em 1963. Esse foi um corte que ganhou muita publicidade, mas que não foi exatamente aceito pelo público. Somente hoje em dia as pessoas têm interesse por ele.

Outro corte de cabelo que teve impacto foi o “greek goddess”, em 1967. Esse corte não tinha a base encaracolada e se resumia a ser curto com um estilo nas pontas parecido com o permanente. Hoje, não consigo entender por que em 1968 cortar os cabelos e fazer um pequeno permanente, ou colocar um pouco de gel, não era aceitável.

Lembro-me do italiano Franco Scarpa, que fez um corte de cabelo parecido com uma boina assimétrica e o demonstrou em Paris, em 1975. Muitos cabeleireiros ficaram horrorizados. Mas, nesse período, muitos profissionais já abriam os olhos dos clientes para inovações nas madeixas, e, depois disso, os cabeleireiros conseguiram o sucesso que mereciam.

Acredito que a pílula contraceptiva teve um papel importante na aceitação de novos estilos a partir de 1964. Ela libertou as mulheres de algumas restrições, e com essa “nova” liberdade elas conquistaram também o desprendimento para estilizar os cabelos.

Então, a partir desse período não só os cabelos bem arrumadinhos e com laquê tiveram seu espaço. Em 1969, Roger Thompson, integrante do time de Vidal Sassoon, foi o autor de um corte chamado “page-boy”, com uma linha mais curta no topo e longa embaixo.

Devemos ser gratos ao artista quando ele nos motiva a fazer coisas diferentes e torna nosso trabalho mais agradável. Ele ajuda os cabeleireiros na publicidade e faz o público ter interesse no trabalho profissional. Agora, é a vez das cores nos levar a uma nova geração. Com misturas realizadas de maneira artística e que apostem em luzes e sombras, vão ser apresentadas novas formas de olhar os cabelos
 

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