Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 44

Imprimir Roque and beauty!

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trajetória_de_sucesso (6)Curioso para saber quem administra a carreira dos melhores maquiadores do Brasil? Conheça a trajetória de Roque Castro

texto: Rebeca Alcoba | fotos: Moisés Moraes

O burburinho chegou à redação no final de 2008.

– Gente, o Roque abriu uma agência de maquiadores e levou todo mundo com ele!

Não consegui relacionar o nome à pessoa, mas sabia que se tratava de alguém influente no meio da beleza. Interroguei na hora: 

– Que todo mundo é esse? Os principais maquiadores do Brasil?

Me falaram que sim, e logo vieram à lembrança o Daniel (Hernandez), o Silvio (Giorgio) e o Robert (Estevão).

Pensei com os meus botões: “Esse Roque é bom mesmo! Quem é ele?”. A questão é exatamente esta: o Roque quase não aparece. Ele “apenas” dá suporte para a equipe de maquiadores e fotógrafos da agência Capa brilhar. E isso tem acontecido com frequência.

Com dois anos de existência, a Capa comanda o backstage dos principais eventos de moda do País. Seu casting assina a beleza da Casa de Criadores, do Rio Moda Hype e do Minas Trend Preview, além de mais da metade dos desfiles do Fashion Rio e da São Paulo Fashion Week. E a rotina dos beauty artists é agitada: cada um prepara de cinco a sete modelos por estilista.

No total, a agência já ultrapassou a marca dos 500 desfiles, sem contar as campanhas publicitárias e os editoriais de moda. “Hoje, contabilizei as ordens de serviço e vi que, em dois anos, a gente já
fez 2.650 trabalhos”, conta Roque.

trajetória_de_sucesso (3)No dia da entrevista, em 21 de dezembro, ele me mostrou a revista Elle Brasil toda marcada por post-its coloridos. Perguntei o que eles significavam e descobri que cada papelzinho era referente a um trabalho da agência. Incluindo a capa. Diante dessa rotina frenética, será que ele já levou calote?

A resposta veio enigmática: muito (pausa) pouco. Para Roque, o segredo do sucesso se concentra em quatro pilares: boa memória para lembrar quem nos ajudou, atender bem os clientes, estar sempre disponível e gostar do trabalho dos agenciados. “Você tem que tratar bem tanto os clientes que fecham um editorial de R$ 100,00 quanto os que gastam R$ 50 mil em uma campanha. Foi por isso que os meninos se acostumaram comigo: eu sei representá-los.”

trajetória_de_sucesso (1)Na coxia do teatro
Quem vê o cotidiano acelerado (sem descanso em fins de semana ou feriados) nem imagina o que esse paulistano de 42 anos já fez. Começou nas coxias de teatro, produzindo peças como Buffet Glória e Meninos da Rua Paulo, com os irmãos Selton e Danton Mello. “Viajei o Brasil todo com eles. Depois, trabalhei na época áurea do Massivos (casa noturna de São Paulo), e cheguei a substituir a cantora Bebete Indarte, que era a estrela da noite paulistana.”

Já envolvido no cenário clubber dos anos 1990, teve contato com pessoas que estavam à frente da informação de moda na época. Foi assim que Roque trabalhou com a jornalista Erika Palomino e com o produtor Carlos Pazetto, ainda no Phytoervas Fashion, evento precursor da SPFW. E foi nessa experiência que ele conheceu o mercado de beleza.

Começou organizando os camarins para a cabeleireira e maquiadora Cris Narvaes. Seu trabalho era controlar as modelos que estavam prontas ou atrasadas e tomar as devidas precauções para que desfilassem impecáveis.

Nesse meio tempo, o beauty artist Daniel Hernandez viu seu potencial. “Ele falou: Roque, você é bom e quero que trabalhe comigo!” Daniel o levou para a Glloss MGT, agência de fotógrafos, maquiadores e cabeleireiros, cujo dono é outro maquiador top: Marcelo Gomes. “Adorava trabalhar lá e jamais pensava que iria sair. Quando fui demitido, senti que tiraram o meu chão”, confessa.
Ele saiu da Glloss em outubro de 2008 e, dois meses depois, abriu a própria agência, a Capa, com um amigo que estava cansado de atuar como engenheiro químico.trajetória_de_sucesso (4)

Um bom exemplo de Roque em cena aconteceu durante o Oi Fashion Rocks (2009), quando precisou lidar com o “estrelismo” das gringas Miranda Joyce (maquiagem) e Samantha Riley (cabelo). “Elas disseram que não iríamos dar conta do trabalho. Então, disse para Samantha: ‘Estamos aqui para dar apoio, mas, se continuar sendo grossa, vamos embora!’” Ainda eram 2 horas da tarde e o evento iria começar às 21h30. Elas retrocederam e, às 18 horas, todas as modelos já estavam prontas. “A minha função é acalmar a todos e tentar resolver os problemas. No camarim, não adianta discutir. O trabalho tem que acontecer e o resto se resolve depois.”

Entre Vogues e desfiles
Em março de 2011, ficou pronta a escola de maquiagem da Capa, um sonho de Ricardo dos Anjos abraçado pela agência. A grade curricular oferece três cursos: automaquiagem, formação para maquiadores e especialização. As instalações, lindas e novinhas, contam com uma biblioteca repleta de livros bacanas.
trajetória_de_sucesso (7)“O maquiador brasileiro está começando a procurar formação. Tem que ficar de olho nas referências e saber o que trazer do exterior para cá.”
Roque também acredita que o brasileiro precisa ser criativo e ter estilo próprio para se posicionar em outros países. Esse conselho parece dar certo, porque o casting da Capa já assinou a beleza da Vogue Japão, Vogue Paris, Vogue Itália e Harper’s Bazaar. “Agora, eles sabem que tem maquiador bom no Brasil. Por isso, se você não é bom mesmo, nem se arrisque no mercado.” Mas, se você é do balacobaco, quando o cliente perguntar quanto é o cachê, diga para ele: “Ah! Isso você acerta com o Roque”.

Galeria de fotos:

  • Kids Collection | J-7
  • Kids Collection | J-7

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