Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 13

ImprimirSalão de beleza: contas pessoais, negócios à parte!

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A garantia de sucesso em um empreendimento começa com a certeza de que, administração financeira de uma empresa e conta bancária do dono são procedimentos distintos e inconciliáveis.

Foi-se o tempo em que o cabeleireiro era apenas aquela pessoa responsável pelos cortes de cabelos nos salões de beleza. Com a sedimentação da Internet e as constantes evoluções tecnológicas, esse profissional tornou-se peça fundamental dessa grande engrenagem que se tornou o mercado de trabalho e os salões. A moda, e a atualização contínua, sempre foram práticas comuns entre os cabeleireiros. Mas, daqui para frente, a tendência é que isso deixe de ser uma prática, de iniciativa própria, para tornar-se obrigatoriedade.

Por causa da crise financeira no país, os profissionais estão cada vez mais preocupados em economizar o seu dinheiro ou usá-lo bem. Problemas com o desemprego e com a diminuição no salário dos profissionais, que já estão nos salões, tornam-se fatores importantes no final do mês.

No país, a maioria dos salões de beleza que fecham as portas, não consegue separar as finanças pessoais das da empresa. Infelizmente, é comum pagar despesas pessoais com o dinheiro do salão e entrar no cheque especial para cobrir um estouro de caixa. Essas atitudes podem levar o salão de beleza e o cabeleireiro para o buraco. Misturar as finanças pessoais com as contas do próprio negócio é uma das principais causas da mortalidade dos salões de beleza.

Segundo dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas), 71% de micros e pequenas empresas encerram suas atividades antes do quinto ano de atividade. Acredito que um dos principais motivos do imbróglio financeiro é que os cabeleireiros não têm regalias na conta da empresa como têm na conta pessoal, pois muitos bancos não oferecem crédito para um salão de beleza, que na grande maioria é informal. Então, o cabeleireiro acaba utilizando o limite bancário de sua conta pessoal para saldar dívidas do salão.

A primeira providência para desfazer o nó nos orçamentos é ter duas contas bancárias: uma para o cabeleireiro e outra para o salão. Mas de nada adianta ter duas contas bancárias, se o cabeleireiro continuar a usar o cheque pessoal para saldar despesas do salão. A conta bancária da empresa tem de ser usada para pagar contas que forem do salão, ou seja, da empresa.

Os empréstimos bancários também devem ser feitos sempre em nome da empresa, ou seja, do salão. Grande parte dos cabeleireiros faz empréstimos no seu próprio nome, e quando acontece alguma dificuldade para pagar é o seu nome (pessoa física) que fica sujo, dificultando ainda mais o capital de giro do salão.

Lançar as despesas pessoais na contabilidade das empresas, até meados dos anos 90, era uma forma de burlar o fisco. Inchando os gastos, o salão não dava lucro. Não dando lucro, não recolhia imposto. Mas, a economia mais estável e a abertura do mercado tornaram a transparência nas contas cada vez mais importante, mesmo nos salões menores.

Existe um fato curioso, que freqüentemente acontece nas minhas palestras: o cabeleireiro não sabe o que realmente ganha, porque não tem controle. A grande maioria não tem condição de pagar os serviços de um gerente ou de um administrador; ele mesmo acaba fazendo os pagamentos do salão com o seu próprio dinheiro e, o que é pior, não pedindo reembolso. No final do mês o cabeleireiro realizou um ótimo faturamento, fez grandes jornadas de trabalho, mas não viu a cor do dinheiro. Existem casos que o profissional é dono do salão e percebe que compensaria mais ser empregado, recebendo sua comissão no final do mês.

Veja algumas dicas para não misturar as finanças pessoais com as contas do salão:

  • Não tire dinheiro do caixa do salão para pagar despesas particulares, como escola do filho ou a prestação do carro.
• Não use o seu cheque especial para quitar dívidas do salão.
• Se pagar despesas do salão, como papelaria, produtos, enfim... Com o seu cheque ou cartão, traga a nota e peça reembolso.
• Caso o salão possua um fundo de reserva, não utilize para despesas particulares. Imprevistos podem acontecer a qualquer momento.
• Se tirar dinheiro do caixa do salão para necessidades pessoais, desconte a importância do lucro a que tiver direito no final do mês ou semestre.

Precisamos tomar cuidado com as finanças do salão, porque o custo do dinheiro é muito alto.

Gostaria de receber sua sugestão sobre assuntos que poderiam ser abordados em treinamentos, ou artigos (e-mail: caorista.fnr@terra.com.br).

Que Deus abençoe a todos, e até à próxima edição

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