Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 48

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entrevista_internacional (3)Quando se fala de beleza feminina, as italianas ficam entre as top 10 do mundo. Mas como se comporta o mercado beauty nessa verdadeira “Meca” da moda? Nesta entrevista, Pino Troncone revela todos os segredos

texto: Rebeca Alcoba | fotos: Arnaldo Bento e divulgação

Cabeleireiros.com: Você segue o sistema anglo-saxão de corte e coloração. De que forma ele é um diferencial para os profissionais?
Pino Troncone:
Venho de uma escola inglesa para cabeleireiros, onde há regras que delimitam o estilo dos cortes. Os ingleses são fortes tecnicamente, mas eu alio essa técnica ao jeito italiano de ver as coisas. É essencial fazer esse intercâmbio de conhecer a teoria e mesclá-la à realidade e às experiências.

C.C.: Qual é a importância da formação teórica na profissão de cabeleireiro?
P.T.:
É preciso compreender que não basta colocar uma tesoura na mão do profissional e mandá-lo fazer um corte de cabelo. Para atingir a excelência, há uma série de fatores, por exemplo, como ele se posiciona, o movimento corporal, o trato com o cliente...
O mais importante é saber arrumar os fios de acordo com o tipo de rosto de cada pessoa. Só assim o serviço será personalizado.

C.C.: Você vê com bons olhos as inovações tecnológicas do setor químico? Até que ponto os novos cosméticos auxiliam ou prejudicam a saúde capilar?
P.T.:
Quanto mais se avançou nessa área, surgiram mais danos à saúde, como quebras de cabelo
e alergias causadas nos clientes e nos profissionais. As pesquisas e a tecnologia foram fundamentais para o desenvolvimento de químicas seguras, como a coloração sem amônia, mas o cabeleireiro precisa aprender a lidar com essas inovações para garantir a segurança de todos.

entrevista_internacional (1)C.C.: E quando o cliente se excede? Trocando constantemente de coloração, abusando da moda
das escovas progressivas...
P.T.:
Nesses casos, o profissional não deve aceitar fazer o trabalho. Sempre explico as consequências do que está sendo solicitado, alertando sobre o que é bom ou ruim. Quando há insistência, tento fazer que a pessoa entenda a maneira correta de lidar com os cabelos. Quase sempre os clientes se excedem por falta de conhecimento e de assessoria. Muitos profissionais visam apenas o dinheiro, não o bem-estar da clientela. 

C.C.: Como é o mercado de cabelos na Itália? Ainda é tradicional se comparado com o restante da Europa?
P.T.:
As coisas deixam de ser tradicionais quando há concorrência. Então, a Itália não é mais tão tradicional. Por isso, para mim, é muito importante estar à frente da direção artística da rede Sanrizz. Essa responsabilidade me leva a melhorar constantemente e me ajuda a crescer e inovar.

C.C.: O aumento da vaidade masculina interferiu nas tendências de cabelos?
P.T.:
No meu salão, Troncone Hair Diffusion, pelo menos a cada 20 dias, ocorre um aumento da frequência de homens, não só na parte de cabelo, mas também no setor de estética. Para atendê-los, aplico a mesma estratégia feminina, levando em conta o look total.

C.C.: Quais fatores você considera na hora de fazer uma coleção?
P.T.:
É fundamental captar como o mercado se movimenta, e as tendências começam com a moda. Primeiramente eu vejo o que vai ser usado nas roupas, suas cores e formas. Depois, formato uma ideia e planejo como transformá-la em uma coleção de beleza. Então, escolho os rostos que irão estampar essa tendência. Me preocupo muito com o casting das modelos, pois somente conhecendo os rostos é que defino como serão os cortes para valorizar as características individuais. Meus castings geralmente possuem 90 modelos, dos quais seleciono cinco. Por fim, me concentro na necessidade de fazer um trabalho que se destaque.

entrevista_internacional (2)C.C.: Você trouxe para o BSG World Festival 2011 a coleção Chromatic Curve. Quais inspirações
motivaram essa produção?
P.T.:
A inspiração surgiu da nova arquitetura, por isso tudo tem um toque arredondado e colorido. Trabalhei com franjas diagonais arredondadas. Aliás, uso muito a geometria no meu trabalho, principalmente os triângulos.

C.C.: O que o profissional deve considerar para construir uma carreira sólida?
P.T.:
Ele deve começar com a paixão, pois é preciso amar o que se faz e trabalhar com um bom sistema. Quando se tem paixão, automaticamente, investe-se mais em conhecimento. O cabeleireiro precisa entender suas limitações como profissional e conhecer seus pontos fortes.

Descoberta profissional
Foi inspirado na figura paternal que Pino Troncone tomou gosto pela profissão de cabeleireiro. Seu pai, que trabalhava no continente americano, visitava o filho na Itália e aproveitava para estilizar seus cabelos. Inspirado por isso, Pino começou como assistente em um salão de beleza, onde lavava a cabeça dos clientes. Aos14 anos, mudou-se para Roma, onde trabalhou por cinco anos na rede Toni & Guy. Aos 19, foi para Londres e, depois de cinco anos, tornou-se diretor-criativo da Rede Sanrizz, na Itália.

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