Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 44

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hits_de_beleza (8)Já parou para pensar na quantidade de tendências lançadas em 100 anos? Confira o que cada década do século 20 reservou de melhor e o que poderia ter passado despercebido

texto: Rebeca Alcoba | fotos: divulgação Agência Fotosite, Dior, Imagenet, Imagenet/Neal Preston, Imagenet/Ross Halfin, Pantene, Paramount Home Entertainment e Paulo Rocha

O luxo da Belle Époque (1900 e 1910)
O século 20 começou com um ideal de beleza rebuscado. Vestidos com armações largas, corpetes esmagadores e cabelos estruturados eram acompanhados por uma peça de vestuário que se tornou símbolo da aristocracia da época: o chapéu.

Se antes o chapéu era quase obrigatório, a liberação feminina se encarregou de deixar de lado esse modismo. “Atualmente, o acessório é usado para compor um visual descolado na praia ou em casamentos diurnos e ao ar livre”, diz o cabeleireiro Beto Carramanhos.

E, como ele nunca é usado sozinho, valem alguns cuidados na hora de escolher o modelo ideal: enquanto o panamá pode ser usado casualmente, os de festa merecem penteados soltos ou presos na altura da nuca, dependendo do modelo e da roupa. “É importante que o chapéu encaixe bem na cabeça e, para isso, o cabelo não pode atrapalhar. Os coques facilitam a colocação e a retirada
do acessório”, aponta Beto.

hits_de_beleza (5)Chanel melindroso (1920)
A estilista Gabriele Coco Chanel popularizou o corte, mas o baú do chanel (ou bob, se preferir) reserva muitas surpresas para quem deseja saber a origem do estilo, inspirado em Joana D’Arc. Antes de Coco, a atriz de cinema mudo Louise Brooks já fazia sucesso com ele.

Desenvolvido pelo cabeleireiro polonês Antek Cierplikowski, o chanel foi reinventado em 1920: “Mais longo, em degradê e formato de V”, explica o hairstylist português Samuel Rocher.

Hoje, o corte cumpre o maior milagre da moda, que é a capacidade de se reinventar. Aliado a isso, tem a seu favor uma mudança de atitude feminina: cultivar os cabelos curtos já não é mais um ato revolucionário, e sim uma expressão de personalidade forte. Tanto que a coleção Fall/Winter, de Samuel, traz um look de nuca bem curta e desfiada, que abre espaço para três possibilidades de estilização.

hits_de_beleza (6)O descobrimento da química (1930)
Impulsionadas pela fábrica de divas criadas por Hollywood, duas tendências marcaram os anos 1930: as ondas permanentes e o loiro ultraclaro. A mulher sexy da época tinha os cabelos curtos e ondulados, assim como os da atriz Marlene Dietrich. “Para fazer a ondulação permanente, a ponta de cada mecha era envolvida por um papel e enrolada em formato de caracol ou presa com presilhas de alumínio”, conta o cabeleireiro Robin Garcia. A descoloração pegou carona nas ondas e atraiu muitas adeptas. Inspiradas também pelo cinema, as seguidoras da atriz Jean Harlow entraram de cabeça no platinado.

De lá pra cá, algumas coisas mudaram. O instrumento mais utilizado para conquistar a ondulação é o babyliss, que imprimiu praticidade e versatilidade no tamanho dos cachos. Além disso, a finalização polida deu lugar ao messy hair. “Em 1930, os penteados eram feitos com muita perfeição. Hoje, é tudo natural”, comenta Robin.

Quanto aos acessórios, o período trouxe à tona os casquetes. Como os cabelos eram divididos de
lado, eles preenchiam a lateral que ficava com menos fios. Há quem os use até hoje de maneira elegante.

hits_de_belezaDe volta aos longos (1940)
Para entender a moda hair da década de 1940, basta se lembrar dos cabelos de Gisele Bündchen, dividi-los de lado e carregar na finalização. O resultado dessa imagem é o look de outra famosa: a atriz Veronica Lake. Ela atraiu fãs com suas madeixas longas, loiras e onduladas, que cobriam parcialmente o rosto.

Quando presos, os cabelos da época ganhavam formas esculturais, definidas à base de enchimentos e de mechas eriçadas. Foi o auge do coque banana. As redes para arrematá-los e os turbantes também deram as cartas no período.

Hoje, as mulheres preferem penteados displicentes. “Os cachos são feitos com babyliss e trabalhados com as mãos, deixando uma forma indefinida e natural”, analisa o hairstylist Charles Veiyga. Ele aposta que a era do liso escorrido dará vez a cabelos volumosos e profetiza: “Veremos uma retomada da busca por penteados estruturados.”

hits_de_beleza (10)Nos tempos da brilhantina (1950)
Duas vertentes rebeldes da juventude foram responsáveis pela imagem dos anos 1950: os bad boys e as pin-ups. As mocinhas estampavam calendários dando vida ao estilo pin-up, eternizado pela modelo Bettie Page. Já os rapazes penteavam os cabelos para trás, deixando o topo alto com finalização molhada.

Isac Muniz, cabeleireiro do C. Kamura, comenta que a estilização forte e brilhante ainda é adotada por eles, mas, em vez de Glostora (produto utilizado na época), as ceras e as pomadas com diversos graus de fixação fazem esse papel. Além disso, há uma diferença no estilo do corte: “Lá atrás, o cabelo era todo grandinho. Agora, a lateral é mais curta para destacar o topete”, ressalta Isac.

A democracia da moda sinaliza uma volta dessa estética, que hoje é chamada de burlesca e é adotada pelas garotas modernas. Os cabelos estão negros ou descoloridos e levam franjas retas e bastante curtas. “As mulheres têm medo de colorir os fios de preto porque a limpeza da cor é feita com descoloração, procedimento que pode danificar a estrutura capilar.” Ele conta que é raro as clientes optarem pelo black total. Elas preferem ficar loiras, mesmo que seja um loiro-escuro.

hits_de_beleza (16)Expoente da elegância (1960)
Os penteados sessentinhas eram cheios de glamour, pois refletiam o comportamento das jovens da alta sociedade. Topos altos e fofinhos arrematados por fitas de cetim ou tiaras eram usados diariamente. Há pouco tempo a moda resgatou essa inspiração.

“A tendência 60’s foi retomada por Amy Winehouse, Kate Perry e Hilary Duff. Os desfiles de Karl Lagerfeld e da Prada também reeditaram esses looks, que alongam a face e são muito femininos”, esclarece Wilson Eliodório.

O cabeleireiro Vidal Sassoon foi o grande nome da década. Ele renovou a moda de Londres, desenvolvendo cortes femininos curtos e geométricos. “Ele é meu ídolo! Um grande mestre das tesouras. Criou cortes atemporais e revolucionou o chanel. Um estilo à la Sassoon é eterno como um vestido Valentino. E as novas gerações estão descobrindo isso”, avalia Wilson.

Já para os homens, foi a vez das madeixas longas, na altura dos ombros. Era o início do movimento hippie que iria se estabelecer na década seguinte. “Hoje, os cabelos compridos funcionam para alguns roqueiros. Os atores Johnny Depp e Ashton Kutcher usam fios mais alongados, mas investem em bons cortes. Isso ainda é legal!”, afirma.

hits_de_beleza (7)Liberdade total (1970)
Embalados pelos movimentos hippie, flower power e black power, os cabelos compridos dos anos 1970 eram uma das bandeiras do naturalismo. Geralmente as madeixas tinham um aspecto sem vida por falta de cuidado. “Hoje não seria assim. É possível adotar um visual hippie utilizando a gama de cosméticos e tratamentos atuais”, explica Soraia Ferretti, diretora do salão LunaBlu. Para ela, essa onda natural pode ser encarada pelo lado da responsabilidade ecológica, com a escolha de produtos que não agridem o meio ambiente [veja uma matéria sobre o assunto na página 42].

Os lisos eram divididos ao meio e mantinham-se cobrindo os ombros. Já os crespos... Ah! Esses avultaram em volumes grandiosos, porque, se o “black era beautiful”, então ele deveria assumir suas proporções originais. “O movimento black power significou a liberdade e a aceitação pessoal. Quanto mais armado fosse o cabelo, mais contestador seria o visual”, comenta Soraia. Ela aponta que muitos clientes a procuram para reavivar seus cachos, porém a estética atual não é tão exagerada quanto à setentista e os cabelos crespos reaparecem domados graças à fixação e às tecnologias de cacheamento.

Em termos de coloração, o final da década presenteou as mulheres com reflexos e luzes. As ricas cortavam seus cabelos repicados e coloriam com nuances de loiro e fundo acinzentado, no estilo Farrah Fawcett.

hits_de_beleza (9)Moda multiplicada por três (anos 1980)
Se nos anos 1970 os cabelos crespos eram avantajados, durante os anos 1980 o mais ainda era menos e tudo foi elevado ao cubo. Graças ao permanente, em geral feito sobre os fios já repicados, o estilinho poodle fez a cabeça de homens e mulheres. Até as crianças aderiram ao corte com o topo mais curto e o comprimento repicado.

Mas tocar nesse assunto em 2011 soa retrógrado, e, mesmo notando um retorno recente à estética oitentista, essa tendência passa longe das madeixas. A hairstylist Wanda Alves atribui o fracasso dos permanentes à indústria cosmética. Para ela, o assunto foi tão explorado no passado que houve a necessidade de mudar o foco. “As empresas mandam na moda. Elas definem épocas para vender determinados produtos, e perceberam que o nicho dos alisamentos era mais lucrativo, porque há uma quantidade maior de cabelos crespos e volumosos do que lisos”, enfatiza.

Wanda defende o recurso do permanente e explica que a técnica evoluiu graças às linhas novas de produtos e aos bigoudins. Além disso, a ideia de que essa intervenção seja muito nociva à saúde dos fios vem sendo desmitificada. “Até uma escova malfeita danifica, porque nela há a tração mecânica e uma fonte de calor. Logo, aproximando demasiadamente o secador do cabelo, ele quebra”, comenta.

Entre as químicas do permanente, a base de tioglicolato de amônia é a que menos exerce alcalinidade sobre a estrutura do fio. “Adoraria que o permanente voltasse, porque sou dessa época e acho que as pessoas não fazem ideia das coisas incríveis que podem ser feitas com a técnica.” Além do permanente, hoje existe a possibilidade de criar volumes dentro da gama de progressivas, com raiz volumosa e pontas onduladas. “No final, em vez de alisar com a prancha, utilize o babyliss nas pontas.”

hits_de_beleza (2)A supremacia dos lisos (1990)
Enquanto as guitarras distorcidas de bandas como Nirvana e Guns N’Roses faziam barulho nos recém-lançados compact discs, os cabelos desses e de outros ícones ficavam cada vez mais minimalistas, longos e lisos. Impulsionados pela moda grunge, mais uma vez os fios repartidos ao meio voltaram à tona, tanto para eles quanto para elas.

Com a diferença que, nos anos 1990, quem não tinha o cabelo liso começou a alisar. Principalmente as brasileiras. Alexandre Villa Verde, hairstylist do salão Ophicina do Cabelo, comenta que as clientes preferem os fios com essa textura por acharem práticos para o dia a dia. Estava aberta a temporada da ditadura dos lisos.

A onda punk também apareceu e – exotismos à parte – deixou um legado forte. Os moicanos e os cortes e penteados no estilo dos índios norte-americanos foram redescobertos pelos rebeldes. Já no final da década, os alisamentos e relaxamentos abriram espaço para a escova definitiva. O badalado alisamento japonês, demorado, caríssimo e à base de formol, era acompanhado pelo boom das chapinhas.

Em termos de coloração, as mechas roubaram a cena. “Surgiram as majicontras (tons vermelhos e acobreados) e as mechas strongs, que eram marcadas e largas”, lembra Wagner Lisboa, terapeuta capilar do Ophicina do Cabelo. Ele indica que ainda hoje os fios iluminados continuam em alta, mas as técnicas são outras e deixam um efeito sutil. Alexandre completa: “As mechas foram afinando e ficando naturais. Estamos no auge do ombré hair, em que o resultado é discreto”.

Confira também:

Dicas para fazer mechas californianas.

Galeria de fotos:

  • O luxo da Belle Époque (1900 e 1910)
  • Chanel  melindroso (1920)
  • Chanel  melindroso (1920)
  • Chanel  melindroso (1920)
  • O descobrimento  da química (1930)
  • De volta aos longos (1940)
  • Nos tempos da brilhantina (1950)
  • Nos tempos da brilhantina (1950)
  • Expoente da elegância (1960)
  • Expoente da elegância (1960)
  • Liberdade total (1970)
  • Liberdade total (1970)
  • Moda multiplicada por três (anos 1980)
  • Moda multiplicada por três (anos 1980)
  • A supremacia  dos lisos (1990)
  • A supremacia  dos lisos (1990)

1 Comentário:

  1. Foto: Dady
    Dady: 30/03/2011 às 23:13
    muito interessante essa matéria vou colocar no meu blog .como uma das curiosidades.http://dadybeautysalon.blogspot.com/


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