Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 31

ImprimirUm cabeleireiro educador

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Ricardo Chamorro conta os segredos de uma trajetória que o fez se tornar artistada Redken e coiffure star do Homa Salon, de São Paulo

texto: Liana Pires
fotos: divulgação

Ricardo ChamorroA fala mansa e o visual fashion, características, em princípio, opostas, são somente alguns dos atrativos de Ricardo Chamorro, 41 anos. Nele, os óculos Valentino tornam-se um mero acessório, completando o exterior de um hairstylist apaixonado pela profissão, pela cultura brasileira e pela transmissão de conhecimentos para outros profissionais.

As viagens quase semanais que Ricardo faz pelo Brasil e pelo exterior para ministrar cursos da Redken não o permitem, apenas, seguir o trajeto “aeroporto, hotel e trabalho”. “Passear pelas ruas com um olhar observador é o mesmo que ter aulas de história e de cultura”, acredita.

Com sangue chileno e alma brasileira, o profissional não se faz de rogado ao dizer que adora a cultura nacional e que conhecê-la faz parte de seu trabalho. “Em Manaus, ao ver pessoas com cabelos no estilo indígena ou latino, você sente a história viva”, diz.

Essa postura atenta faz o profissional relacionar constantemente o cenário de beleza nacional com o europeu e o norte-americano. Ele considera que o brasileiro precisa dar mais valor a si e ao seu trabalho, e profetiza que em uma década os profissionais nacionais estarão lançando tendências no mundo todo. “Esse processo já começou, pois hoje os brasileiros se interessam por arte, moda e couro cabeludo. Eles começaram a despertar para o ser profissional, e não apenas fazem corte e cor”, afirma.

História de vida

Ser cabeleireiro era um sonho que Ricardo cultivava havia muitos anos. Ao chegar ao Brasil, vindo de Santiago do Chile, com 10 anos, ele percebeu que o País seria um local acolhedor para sua família, que se mudou pelas dificuldades que a ditadura de Augusto Pinochet impunha. “Havia muito desemprego. Aqui, meu pai se tornou metalúrgico e construiu a vida. Era um homem que fazia tudo, nada era impossível para ele. Se lhe dessem uma tesoura, ele cortava cabelo”, lembra.

Antes de ingressar no mercado de beleza, o hairstylist trabalhava na Infraero, mas percebia que não conseguia ficar entre quatro paredes desempenhando uma função administrativa: sua parte artística ficava retida. “Então, há 19 anos larguei tudo, fiz um curso de cabeleireiro e, depois, um ano de Senac”, conta.

Mesmo formado, Ricardo não se sentia um profissional completo. Rapidamente ele foi convidado a trabalhar em um salão de cabeleireiros em Guarulhos, o qual sempre o intrigou. “O dono era muito duro com seus funcionários. Falava forte com os profissionais e exigia cursos e participação em eventos. Pensava que nunca ia querer trabalhar lá, até que recebi o convite”, diz.

O salão em questão era o Monde K; e o proprietário, Kleber Jorge. Nesse emprego, Ricardo aprendeu que para seguir na profissão era necessário ir fundo na história da moda, o que até hoje considera fundamental. “Para ser cabeleireiro, é necessário saber contar a história do trabalho que está fazendo no cliente. Assim, você mostra que está conectado com o que aconteceu e vai acontecer”, acredita.

Mas mesmo assim ele não se sentia completo. Até que, em 1998, o Monde K recebeu a visita da gerente de educação da Redken, que levou consigo alguns produtos. “Apaixonei-me de cara pela parte da educação, ainda mais quando aliada a um bom produto. Comecei a freqüentar todos os cursos da Redken”, diz.

A partir desse ponto, quando a Redken entrou na sua vida, Ricardo começou a se considerar um profissional. “Foi o despertar de uma paixão. Sinto-me mais educador do que cabeleireiro. Gosto de transmitir conhecimentos e ver pessoas despertando para a profissão. O meu maior pagamento é observar que usam as dicas que dei”, conta ele, que está acostumado a dar treinamento para grandes platéias, como aconteceu no simpósio da marca realizado no Chile em 2008, com 1.500 pessoas. “A Redken me confere estafa e prestígio”, brinca.

Não demorou muito para Ricardo se tornar especialista da Redken. Após quatro anos, em 2003, ele foi convidado para o seleto grupo de artistas da marca. Desde então, divide-se entre o trabalho de educador e o de cabeleireiro do Homa Salon, no qual está desde a inauguração. “O metro quadrado de profissionais experientes no Homa é muito grande. Estou cercado por feras, tecnologia, instalações e bons produtos”, diz.

Mercado brasileiro

Ricardo é um entusiasta quando o assunto são os cabeleireiros brasileiros. Ele não hesita em dizer que os profissionais têm a arte aflorada, mas falta técnica. Para ilustrar esse pensamento, ele afirma que, se um americano tiver somente um pente para fazer um penteado, ele não consegue fazê-lo, alegando que é muito técnico e não possui os apetrechos dos quais precisa. Se o mesmo acontecer com um brasileiro, ele consegue desenvolver um lindo trabalho.

Segundo ele, os americanos ficam loucos com as criações artísticas dos brasileiros. “Só falta acreditarmos uns nos outros.” Entre os maiores destaques nacionais, ele ressalta os trabalhos de Claus Borges, Mauricio Pina, Mari Nicácio, Viktor I e Ivaldo Lima, que “não deixam nada a dever aos estrangeiros”. “Sempre sonhei em trabalhar com esses profissionais. Realizei esse sonho, porque hoje dou curso para eles”, comenta.

Tendências

Ricardo vê uma mudança significativa nas tendências do mercado mundial de beleza. Para ele, até pouco tempo atrás, a moda era muito segmentada: o estilo americano era urbano; o de Milão, tribal; e o de Paris, moderno. Hoje, as principais capitais têm uma ”conversa de comadres” e cada uma assume algo da outra. “Com isso, precisamos nos especializar em todas as áreas para personalizar os clientes. Não adianta adotar só o estilo urbano, porque você desagrada, assim, às clientes clássicas”, aconselha.

Ele considera que a mulher se libertou, sabe o que está acontecendo no mundo da moda e quer adaptar as tendências ao seu estilo. Para a primavera/verão, o profissional diz que as flores são tendência e que o cabeleireiro precisa tê-las no kit de trabalho.

Fã de carteirinha da constante atualização profissional, ele deixa de lado a glamorização da profissão e confessa: “Quero que cada movimento diferente de escova faça parte do meu trabalho. É uma heresia dizer que o outro não tem nada a ensinar”, diz ele, que acredita que ser cabeleireiro é uma viagem à história e à técnica.

Frases
 

“É necessário saber reproduzir as texturas nos cabelos, e isso só pode ser feito com conhecimento dos produtos de finalização. Com eles, é fácil criar estilos.”

“As referências têm que vir de todos os lados. As coisas se repetem, mas com uma roupagem diferente. É necessário fazer um estudo das décadas e trazê-las à tona.”

“Hoje, cabelos cheios e ondulados fazem um flerte com os anos 1970, quando os fios se soltaram, as cinturas das roupas ficaram altas e as fitas foram utilizadas como adereços.”

“O que era imposição social, hoje, é liberdade de escolha. Faça, crie, você tem livre arbítrio.”
 

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