Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 27

ImprimirUm diamante a ser lapidado

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Francisco Henrique, presidente da Associação Nacional do Turismo Afro-BrasileiroFrancisco Henrique, presidente da Associação Nacional do Turismo Afro-Brasileiro, fala sobre o crescimento do mercado especializado em cosméticos para o público afro no Brasil

texto: Liana Pires
fotos: Moisés Moraes (entrevistado) e divulgação (produtos)

Cabeleireiros.com: Na última década, a indústria de cosméticos realizou investimentos consideráveis no mercado afro. Por quê?

Francisco Henrique: A Associação Nacional do Turismo Afro-Brasileiro (Antab), juntamente com a Organização Internacional de Beleza, realizou uma pesquisa que constatou que, de 2006 para 2007, o crescimento de cosméticos voltados para a beleza afro foi de 23,7%. Isso é apenas a materialização de uma realidade de crescimento que pode ser vista desde 2001, quando as grandes empresas de cosmetologia perceberam que o público étnico era altamente consumidor. O Brasil é o primeiro país fora da África em contingente afro, sendo seguido pelos EUA. E os negros brasileiros têm poder aquisitivo de compra. O contrário é um mito.

C.C.: Qual foi a reação das empresas a esse crescimento do consumo de produtos voltados ao público afro?
F.H.: Elas perceberam que perdiam espaço para o mercado europeu, pois o consumidor acabava importando os produtos que não encontrava em território nacional. Os cabelos afros, por sua textura, requerem muitos produtos e tratamentos. Assim, tanto os homens quanto as mulheres gastavam muito dinheiro para realizar a manutenção, afinal, não existiam produtos específicos para quem, por exemplo, utilizava dreads ou tranças, e era necessário comprar os importados. As empresas nacionais e multinacionais perceberam a perda de receita e resolveram investir nesta fatia do mercado.

C.C.: As empresas de cosméticos encontraram dificuldades em se adaptar ao mercado afro?
F.H.: Em 2006 iniciei, por meio da Antab, um trabalho de conscientização das empresas para valorizar o consumidor que utiliza os produtos afros. Foi um trabalho de “oba-oba”, mostrando que o público comprava produtos importados pela falta dos nacionais. Assim, as empresas entenderam que não tinham domínio desse mercado porque não entendiam a linguagem para chegar até o consumidor. Elas investiam em linhas de relaxamento e não valorizavam a etnia.

C.C.: Ao longo desse processo, o trabalho das trançadeiras foi desvalorizado?
F.H: Pelo contrário! Antes, as empresas não viam as trançadeiras como profissionais, mas a moda hoje é baseada na criatividade. A aceitação das pessoas à realização de tranças e dreads é ótima, pois tudo o que é novidade causa curiosidade. Não podemos esquecer que a tendência é valorizar a cultura afro, a identidade própria e o trabalho artesanal. Além disso, essa é uma técnica democrática, que pode ser usada por loiras, morenas, brancas, negras, e apresenta um preço mais barato do que um relaxamento realizado com produtos importados. É uma arte que vem das mãos e da cabeça, e não do papel e caneta.

C.C.: Quais são os projetos da Antab para 2008?
F.H.: Hoje, a Expoafro é a única consultora de beleza, em São Paulo, no mercado afro e, em 2008, vai participar de nove feiras nacionais, além de promover cursos e workshops a partir de 7 de abril em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Temos planos para a Copa do Mundo de Futebol que acontecerá em 2010, na África do Sul. Para o evento, pretendemos realizar um trabalho para que o público encare a cultura afro não só como um local onde abrigará um jogo de futebol, mas como referência da beleza negra

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