Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 31

ImprimirUma arte interdisciplinar

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Baseado em conhecimentos de diversas disciplinas, o visagismo é uma arte interativa

Philip Hallawell
(autor do livro Visagismo: Harmonia e Estética, publicado pela Editora Senac)

Visagismo é uma palavra usada para designar a arte de criar imagem e estilo personalizados. A idéia de ter um estilo próprio existe há séculos, pois sempre houve pessoas que desejaram expressar, através da imagem, sua personalidade, senso estético e modo de pensar e agir. Há culturas inteiras, como as africanas, nas quais isso é norma. Cada pessoa cria sua imagem usando intuição, criatividade e sensibilidade artística.

Nas culturas européias e orientais, isso só se aplicava a alguns indivíduos, mas nos últimos 50 anos cada vez mais pessoas procuram estabelecer sua individualidade pela imagem, diante da ameaça de perdê-la para a massificação e a uniformização. Além disso, há uma diversidade de modos de pensar e agir e a crescente necessidade de desenvolver a criatividade.

O desejo de se expressar pela imagem pessoal é uma mudança extremamente significativa, e está se manifestando com espantosa rapidez em todas as classes sociais. Essa situação gera muitos desafios para o profissional de beleza, pois não adianta ter o desejo de atender às necessidades do cliente sem dispor de um método baseado em conhecimentos específicos.

Dominar o ofício tecnicamente, embora essencial, não é suficiente, porque conhecer o interior do cliente – suas necessidades e desejos – e depois expressar isso visualmente dependerá da intuição e da sensibilidade. Há anos se fala em revelar a real e verdadeira beleza interior, mas isso raramente é conseguido. O que se vê é uma beleza padronizada, sem individualização.

O visagismo é uma arte interdisciplinar e visual, aplicada ao ser humano. O método que criei foi o resultado da associação de diversas áreas: a linguagem visual, a teoria dos símbolos arquetípicos, a análise de temperamentos e a ciência cognitiva.

Chamo o domínio da linguagem visual, básico a todas as artes visuais, de alfabetização visual. Ele envolve conhecer e dominar composição (equilíbrio visual), proporção (harmonia), estrutura e ritmo visual, perspectiva (planos e profundidade), percepção de espaços e de formas, luz, cor, textura, expressão e análise visual. Esse conhecimento permite reconhecer padrões visuais, como formatos de rosto e o que expressam, e criar imagens que revelam uma intenção, por exemplo, um corte de cabelo que mostre credibilidade, dinamismo e sensibilidade.
Em 1973, ao ler O Homem e Seus Símbolos, último livro do psicanalista e antropólogo Carl Jung, associei sua teoria sobre os símbolos arquetípicos com conhecimentos da linguagem visual. Percebi que toda imagem é estruturada nesses símbolos, inclusive o formato e as feições do rosto. Esses símbolos são percebidos por todas as pessoas da mesma forma, portanto, são uma linguagem universal. Saber identificá-los e interpretá-los permite ler o que o rosto expressa, inclusive o temperamento. Isso simplifica o exercício da arte milenar da fisiognomonia e ajuda a entender os conceitos da psicomorfologia.

Mais recentemente, conheci o trabalho de Joseph LeDoux sobre como o cérebro processa certos estímulos que disparam os sistemas básicos humanos, resultando na produção de emoções. Essas associações mostram que sempre reagimos emocionalmente às imagens antes que possamos raciocinar sobre elas. Isso explica porque a imagem afeta a auto-estima e as relações pessoais. Ela é a identidade da pessoa, e precisa expressar o que ela sente que é. Em outras palavras, a imagem exterior precisa se encontrar no espelho com a imagem interior.
A criação da imagem pessoal não é uma questão simplesmente estética. O profissional precisa também ter conhecimentos de conceitos de temperamento, personalidade e identidade. É por isso que o método que viabiliza o visagismo começa a ser utilizado por fonoaudiólogos, profissionais da medicina estética e moda, psicólogos e dentistas, que há anos trabalham com a “personalidade do sorriso”, além de cabeleireiros e maquiadores. Aos poucos, eles começam a trabalhar de forma interativa, tratando a imagem como um todo e buscando revelar uma verdadeira beleza. Aquela que vem de dentro, a beleza do ser.

Foto do antes A adequação de imagem acima foi feita por uma equipe de visagistas com a intenção de revelar os aspectos fortes, extrovertidos e dinâmicos do temperamento desta mulher e lhe proporcionar credibilidade, sem a perda de sensibilidade.Foto do depois
 

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