Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 28

ImprimirUma carreira de sucesso

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Ele não tem nada da formalidade que normalmente é atribuída aos europeus. Simpático e apaixonado pela profissão, o espanhol Mikel Luzea iniciou sua trajetória como cabeleireiro aos 19 anos de idade. Hoje é um dos mais renomados hairstylists internacionais. Em férias no Rio de Janeiro, ele falou com exclusividade à Cabeleireiros.com sobre estilo de vida, moda e tendências 
texto: Liana Pires
fotos: Leonardo Rozário

Mikel Luzea no Rio de Janeiro (4)Cabeleireiros.com: Além de você, na sua família alguém atua como cabeleireiro?
Mikel Luzea: Não, e eu também nunca tinha pensado em ser hairstylist. Foi algo fortuito, não uma profissão que pensei em seguir desde pequeno. Passei por outras experiências profissionais, sempre ligadas ao mundo do desenho e da imagem, mas não gostei de nada. Aos 19 anos, “experimentei” o mercado dos cabeleireiros e adorei. Vi que servia para o serviço e percebi que o faria para sempre. 

C.C.: Quais os cursos importantes de que participou?
M.L.: Estudei em Pamplona, na Espanha, e logo fui a Londres, onde permaneci por quase cinco anos. Nesse período, trabalhei em diversos salões, entre eles o Toni & Guy. Em 1996 voltei a Pamplona para abrir meu primeiro salão de beleza. 

C.C.: Que lugares visitou ao longo da carreira?
M.L.: Londres e Miami foram os principais. Fui trabalhar em Miami, mas não gostei e voltei à Espanha. A moda de cabelos nos Estados Unidos não é tão avançada, a clientela é muito conservadora, clássica. Meu estilo de trabalho é mais europeu. 

C.C.: Você disse que seu estilo de trabalho é europeu. Como definiria essa linha?
M.L.: Sobretudo vanguardista. Gosto de conhecer as tendências, porém acredito que não é porque um estilo está na moda que ele deve ser usado por todo mundo. Procuro personalizar meus trabalhos, já que a moda de cabelos não é tão definida quanto a de figurino: ela é mais ampla. O corte chanel, por exemplo, foi um “boom” nos anos 1960 e agora está de volta com força. Mas não é por isso que todo mundo deve usá-lo. Um cabeleireiro precisa adaptar o estilo à pessoa, e não utilizá-lo simplesmente porque é moda. 

C.C.: Os europeus são mais exóticos e inovadores?
M.L.: Londres é a meca do mercado de moda para cabelos, seguida de perto pelas cidades espanholas. Tudo que ocorre de novidade neste setor sai primeiramente da Inglaterra. Assim, qualquer hairstylist que se preze deve visitar Londres pelo menos uma vez, para conhecer o corte e a estilização realizados lá. 

C.C.: E os japoneses? Possuem cabelos autênticos?
M.L.: Não acredito nisso. Tenho uma amiga cabeleireira que acabou de visitar o Japão e me disse que o dia-a-dia dos salões de beleza de lá não seguem esse conceito de modernidade. É o contrário. Os orientais que vemos em feiras relacionadas à beleza geralmente viajam pelo mundo todo, têm um alto poder aquisitivo e por isso exibem cabelos vistosos e modernos. Mas o cotidiano dos salões não é assim. O Japão pode passar uma imagem, mas a realidade é outra. 

C.C.: Hoje, o conceito de visagismo está sendo bastante utilizado. Por que ele não era considerado antes?
M.L.: Antes, a moda de cabelos e de roupas era uma ditadura. Nos anos 1960 e 1970 um estilo era criado e todo mundo o usava, independentemente de ele ficar bem ou não para a pessoa. Agora, a moda adquiriu um conceito mais amplo. Há tendências, mas existe a idéia de personalizar o estilo. Na Europa, por exemplo, é possível visitar uma loja de roupas e encontrar peças que mesclam os anos 1950, 1960 e 1980. Nos cabelos ocorre o mesmo. Utilizamos idéias de outras décadas e as misturamos à personalidade e ao estilo de cada pessoa. 

C.C.: Nesta democracia, os homens ficaram mais vaidosos?
M.L.: Sim. A freqüência masculina nos meus salões é de 30%. Atualmente, percebo que os homens se preocupam mais com a imagem. Nesta viagem ao Brasil, vejo um salão de beleza em cada esquina, e percebo que as pessoas se preocupam muito com a imagem. Ainda não há como comparar a postura masculina à feminina, mas ela vem crescendo. 

C.C.: Quais serviços são mais procurados no seu salão?
M.L.: Fazemos qualquer trabalho relacionado a cabelos, além de maquiagem e manicure. Estou me preparando para incluir serviços de estética, pois este é um mercado em desenvolvimento. A freqüência de crianças não é muito grande, pois na Espanha existem locais especializados para elas. 

C.C.: Você disse que vê um salão em cada esquina no Brasil. Como o mercado brasileiro de cabelos é visto no exterior?
M.L.: Os espanhóis não têm muito conhecimento do que ocorre por aqui. De vez em quanto, revistas em cabelos publicam o trabalho ou a trajetória de algum brasileiro, mas não tenho nenhuma referência. Conhecemos com mais profundidade as tendências britânicas, francesas e italianas, que são as que mais se destacam. Nesse mercado, a Espanha está passando por um momento muito bom. Do Brasil e de qualquer país americano, incluindo os Estados Unidos, não chega muita coisa para nós. 

C.C.: E com relação à moda?
M.L.: Da moda brasileira conhecemos os biquínis, mas, quanto a outro tipo de produto, somente o que é mostrado pela televisão, no São Paulo Fashion Week, por exemplo. 

C.C.: Esta é a sua primeira vez no Brasil?
M.L.: É a quarta, pois gosto muito do País. Há seis anos estive no Rio de Janeiro, mas já conhecia Salvador e Natal. O Brasil sempre chamou minha atenção, e estou muito contente por ter sido convidado para trabalhar no Creative Color International (evento que será realizado de 30 de agosto a 2 de setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo). Aos 24 anos conheci a floresta amazônica. Sempre que tenho oportunidade, venho para cá. Gosto muito da cultura e da música. 

C.C.: Qual é a importância dos prêmios em sua carreira?
M.L.: Ganhei duas vezes o prêmio da AIPP (Associação Internacional de Imprensa Profissional). Os prêmios são importantíssimos para o cabeleireiro, pois tornam seu trabalho conhecido. Tenho três salões de beleza na Espanha, e os prêmios que ganhei significaram publicidade grátis e, conseqüentemente, mais clientes. Além disso, marcas famosas passam a querer se vincular ao seu nome. Sou embaixador da L´Oréal Professionnel na Espanha e sempre viajo para cursos e ateliês. Um prêmio propicia para o cabeleireiro o mesmo que para um ator. O cachê costuma dobrar. Todo cabeleireiro é um artista, mas também empresário. É um trabalho duro, de muitas horas, e os prêmios servem como motivação. 

C.C.: Quando você cria uma tendência, quais fatores são levados em conta?
M.L.: Faço coleções de cabelos há 12 anos, e acredito que o hairstylist precisa prestar atenção a vários detalhes: vestuário, maquiagem, pose da modelo, ambientação. Todas as minhas coleções têm uma história, para que não se tornem simples fotografias de cabelos. 

C.C.: Você tem algum hairstylist como fonte de inspiração?
M.L.: Nunca tive ídolos de nenhum tipo, seja no mercado de cabelos, seja em outro campo. Também não espero ser ídolo de ninguém. A única coisa que quero é fazer bem meu trabalho, para que as pessoas o apreciem. 

C.C.: Que características um hairstylist deve ter para prosperar no mercado da beleza?
M.L.: Ele deve ter claro que está gostando do que faz, porque nessa profissão existem muitas pessoas que cortam cabelos porque acreditam que não podem fazer outra coisa. Na Espanha isso acontece corriqueiramente. Ser um cabeleireiro de sucesso exige trabalho, constância, foco e um pouco de sorte. Mas esse último fator tende a ser o menor, cada um cria as circunstâncias para que a sorte ocorra. 

C.C.: Esses fatores também valem para um salão de sucesso?
M.L.: Sim. A dica é não baixar a guarda e sempre olhar para a frente. Se isso não for feito, dificilmente as coisas vão acontecer, mesmo que se tenha sorte

Galeria de fotos:

  • Mikel Luzea no Rio de Janeiro (1)
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