Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 15

ImprimirUnidos pela legalização

Avalie: 12345

É preciso que o ensino desta profissão, que tem o dom de embelezar, seja reconhecido para que a profissão seja legalizada.

Há muitos anos lutamos pela legalização da profissão, mas infelizmente ainda não conseguimos, pois existem muitos interesses divergentes naqueles que apregoam esta legalização. Lembro-me que, certa vez, fomos num grupo de 30 a 40 pessoas a Brasília para conversarmos sobre a legalização. Mas, na verdade, o que aconteceu foi cada grupo falando dos problemas que enfrentavam em seu próprio Estado. Os assuntos foram diversos, porém ninguém falou sobre a legalização.

Enquanto cada um puxava a brasa para a sua sardinha, um senador me chamou de lado e perguntou: “Vocês são todos da mesma turma, ou não se conhecem?” Enfim, foi uma verdadeira Torre de Babel!...

Na verdade, nós precisamos da legalização da profissão, como acontece em todo o mundo, onde é preciso, no mínimo, cursar quatro anos para ser considerado um profissional. Sendo dois anos na escola e dois no trabalho de auxiliar.

Na Itália e na França, assim como em outros países de primeiro mundo, mesmo depois de estudar os quatro anos e se formar profissional, o cabeleireiro precisa pedir autorização do sindicato da classe para poder abrir seu salão. Existe um processo, no qual é necessário preencher uma ficha com os dados do profissional, para ser avaliada por uma comissão, que decidirá se o mesmo poderá abrir seu estabelecimento. Vocês podem perceber que realmente existe uma organização e todos convivem bem.

Nos Estados Unidos a legalização é completa, tanto que lá os salões de beleza são distintos: um só para cabelos, e outro para manicure e estética.

Outro detalhe muito importante são os preços, que são discutidos pelos sindicatos da classe e regulamentados. Existe uma tabela e todos devem segui-la. Caso algum profissional deseje fazer alterações, o preço deve ser superior ao da tabela, nunca inferior.

Pelos anos que me restam, e espero que sejam muitos, ainda verei a nossa profissão regulamentada. Assim, todos teriam uma chance e viveriam melhores. Volto a falar da experiência da menina do interior que queria ser cabeleireira e eu a aconselhei a procurar uma escola para aprender a profissão. Depois de três meses ela me procurou para agradecer e contar que não iria trabalhar como cabeleireira e sim abrir uma escola. Sem dúvida, foi um dos maiores absurdos que ouvi na minha vida. Inesquecível!

Por isso, acredito que todos os profissionais deveriam se unir não só para salvar nossa profissão, mas para lutar pelo seu reconhecimento legal. Conheço muita gente esforçada no Brasil que há mais de 20, ou 30 anos luta por este objetivo. Dou um valor imenso a estas pessoas, pois todas as vezes que as encontro sempre afirmam estar quase conseguindo legalizar a profissão. Nota-se no olhar delas a esperança de realizar este sonho. Para elas faço questão de mandar um abraço, pela luta quase inglória que abraçaram. E eu, dentro de minha simplicidade e amor pela profissão, digo a estes heróis: obrigado por conhecê-los, e obrigado pelo esforço que fazem, mesmo sem reconhecimento. Muito obrigado por tê-los como amigos.

Deixe um comentário:



Buscar

Notícias

Newsletter

Assine e receba as novidades da revista em primeira mão.



Publicidade


Revista Cabeleireiros.com

Login Cadastre-se