Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 54

ImprimirVidal: o mestre das tesouras

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trajetoria_sassoon (2)Iniciamos um especial de três edições sobre a vida do cabeleireiro que transformou o mundo das tesouras

texto: extraído do blog Hairstorming, de Sergi Bancells | fotos: reprodução

Quinta-feira, 1o de abril de 2004. O dia em que conheci Vidal Sassoon. Não falta muito para fazer oito anos dessa data marcante. Aproveito a oportunidade da divulgação de Vidal Sassoon: O Filme para relembrar com alegria a fantástica trajetória do mestre que levou o universo dos cabeleireiros a uma nova dimensão.

Vidal vem de uma família muito pobre da região londrina de East End. Seu pai, um imigrante grego chamado Jack Sassoon, abandonou a família quando Vidal e seu irmão, Ivor, ainda eram crianças. Betty, sua mãe, não conseguia sustentar a família e mandou os filhos ao orfanato judeu Maida Vale, localizado no noroeste de Londres. Na época, Vidal tinha somente cinco anos. Ficou ali até os 11.

Após o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo britânico enviou um milhão de crianças ao campo, entre eles, o jovem Sassoon. “Na época, eu tinha muita vontade de voltar para Londres, mesmo que isso significasse dormir nos abrigos. Nunca me dei conta de que estávamos lutando para sobreviver. Simplesmente aceitei aquela situação e continuei em meu caminho. Sempre tive muito entusiasmo”, lembra Vidal.

trajetoria_sassoon (1)Sassoon sempre foi um guerreiro. Após o término da Segunda Guerra Mundial, ele, então com 17 anos, se tornou o membro mais jovem do “43 Group”, um agrupamento paramilitar antifacista integrado por veteranos de guerra que fazia frente ao avanço do nazismo britânico. Destacou-se como um bravo combatente no conflito, sendo apelidado pelas publicações da época como o “cabeleireiro guerreiro antifacista”.

Pouco tempo depois, em 1948, foi à Grã-Bretanha para alistar-se no exército hebreu na Primeira Guerra Árabe-Israelense. Tinha 20 anos e já mostrava a determinação inabalável que marcou toda sua vida. Segundo ele, essa viagem a Israel foi um divisor de águas. Tanto que, em 1982, já multimilionário, Sassoon voltou a Jerusalém, onde fundou a instituição Vidal Sassoon International Center for the Study of Anti-Semitism, um centro de investigação dedicado ao estudo e à divulgação das causas e dos efeitos do antissemitismo no mundo.

Paixão por cabelos
O primeiro mestre de Vidal Sassoon foi o cabeleireiro Adolf Cohen, que mantinha um salão na rua Whitechapel, 101. Quando Vidal tinha 15 anos, sua mãe queria que ele fosse aprendiz de Cohen, mas descobriu que para isso teria de pagar 100 guinéus mensais (primeira moeda de ouro britânica feita à máquina) ao profissional. A família Sassoon não tinha dinheiro, mas, ao observar os bons modos do garoto, Cohen aceitou ser o mentor do menino sem cobrar nada. “Não existem muitos jovens educados como você”, disse.

Logo no início, Cohen exigiu que Vidal fosse trabalhar com as calças bem passadas e os sapatos e as unhas bem lustrosos. “Mas como vou fazer isso se estamos em guerra e passo a noite em abrigos para proteger-me dos bombardeios?”, perguntou-se Sassoon. Mas imediatamente deu um jeito de tornar possível o pedido do mestre: descobriu que, se dormisse sobre as calças sem se mexer muito, elas não amarrotariam. Além disso, contou com a ajuda dos militares para lustrar os sapatos e limpava suas unhas com xampu. “Com o professor Cohen, aprendi o que era disciplina, algo que desenvolvi posteriormente com minhas equipes: ele dizia que, para desenvolver um trabalho admirável, primeiro é preciso mostrar que somos dignos de admiração”, lembra Vidal.

trajetoria_sassoon (3)O famoso corte Five Point Cut: a evolução antes da revolução
Em 1954, Vidal abriu o primeiro salão na Bond Street, mas demorou nove anos de luta para conseguir algo realmente novo e inovador; então criou seu primeiro grande corte revolucionário. Ele o chamou de Five Point Cut, corte angular com plano horizontal que recriava o clássico corte Bob e que provocou todo tipo de reações. Para ele, foi uma liberação que acabou com anos de trabalho árduo, insatisfação e falta de segurança: por fim, conseguiu algo que ia mudar para sempre a história do mundo dos cabelos.

Enquanto muitas mulheres abraçaram o novo estilo, sentindo-se livres e atraentes, não foram poucos os cabeleireiros tradicionalistas que falaram mal de seu trabalho. Mas a mudança já havia começado e ninguém poderia detê-la. A modelo do primeiro Five Point Cut foi Grace Coddington, que anos depois se converteria na diretora criativa da versão americana da revista Vogue, como braço direito da célebre Anna Wintour (quem, por sua vez, inspirou a criação da personagem Miranda Priestly, do filme O Diabo Veste Prada).

Galeria de fotos:

  • Vidal Sassoon
  • Vidal Sassoon International Center for the Study of Anti-Semitism
  • Cartaz de divulgação de Vidal Sassoon: O Filme, ainda sem estreia prevista no Brasil

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