Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 10

ImprimirVisagismo: harmonizando a beleza

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Mais uma vez, a arte interage com a beleza oferecendo técnicas e fundamentos da linguagem visual, facilitando todo o processo de criação, através do visagismo.

Analisando o físico e a personalidade de cada pessoa, visando à harmonia estética, o profissional consegue criar uma imagem ideal para cada cliente. Por se tratar de um serviço determinante, na execução de qualquer procedimento envolvendo beleza, Osvaldo Alcantara faz um alerta para a importância do visagismo, no exercício do trabalho artístico do profissional cabeleireiro.

Cabeleireiros acreditem que, pelas perguntas que recebo na TV TAIFF, não mais haverá um profissional, em qualquer área, sem curso de visagismo. Vale lembrar que o visagismo não é aplicado apenas em maquiagem, corte e penteado: visagismo é estética na postura, adequação, maneira de se vestir e até no comportamento. Não se pode fazer um corte, hoje, sem antes estudarmos a altura do pescoço, tamanho da orelha, olhos, nariz, queixo etc. Se não fizermos isso, ao invés de melhorar a figura da pessoa, corremos o risco de destruir a sua imagem.

Acredito que o profissional deve ter consciência de que é um escultor da imagem do cliente, por isso deve ter o cuidado de analisar até a forma da boca, queixo, enfim, todos os ângulos. Temos que usar o que chamamos de proporções e os eixos, verticais e horizontais, do rosto e pescoço.

Visagismo é o estudo com análise de tudo o que acontece no corpo, postura e personalidade, responsável pela imagem pessoal, que varia de acordo com o tipo físico da pessoa, das atividades que exerce e o que freqüenta. Atualmente, até na coloração deve-se aplicar o visagismo para acertar na cor, não esquecendo do corte, em harmonia com o todo. É impossível um cabeleireiro querer, apenas para acompanhar a moda, cortar um cabelo ou fazer uma cor. Como fazer uma mecha, franja ou desconectar o cabelo sem levar em conta o tamanho do pescoço e da orelha do cliente?

Entre as perguntas que recebo, diariamente, teve esta: “Tenho um cabelo armado e com onda estreita, 1,60m de altura e rosto redondo. Tenho medo de ir ao salão e sair com o cabelo ainda mais feio, como uma bruxa. O que faço?” Nesse caso, se o profissional não fizer uma análise, estudando cada aspecto antes de realizar um corte, a cliente sairá parecendo um balaio armado. Também me questionam sobre onde encontrar um cabeleireiro que saiba trabalhar com visagismo. Geralmente não perguntam preço ou se o salão é o melhor do bairro.

Não esqueçam que hoje cada salão tem um preço diferenciado, embora, muitas vezes, não demonstre o merecido valor. Se eu fosse dono de um salão colocaria no meu estabelecimento uma placa escrita assim: corte de cabelo e coloração, de acordo com o visagismo.

O visagismo também deve ser aplicado no trabalho da manicure profissional, principalmente no uso das cores que chamamos de colorimetria nas unhas. Nem sempre aquela cor que está na moda, ou o próprio comprimento da unha, é ideal para todas. Deve-se conversar com a cliente tentando explicar o que, esteticamente, não lhe fica bem.

Na coloração, então, acontecem verdadeiras tragédias! Aplica-se sempre a mesma cor, o que torna a própria vida familiar uma monotonia sem fim. Alguns ao tentarem mudar já passam de “8 para 80”. Quantas senhoras passam pela nossa frente, com um tom de pele branca e com os cabelos vermelhos, que mais parece uma bola de fogo. O profissional torna-se o responsável por isto. Não é que ele não possa acompanhar a moda, porém ele deve ter o cuidado ao atender, de explicar e alertar que, ao invés do vermelho vivo ela poderia usar um marron médio ou escuro que quebrasse a violência da cor, valorizando o que a cliente tem de mais bonito.

Durante muitos anos fui apresentador de festa de debutante. Alegria dos pais (que gastam fortunas para debutar a filha), avós, tios e todos os seus amigos. Quando aparece aquela menina de 15 anos, automaticamente todos os olhares são voltados para a mesma. Algumas já com mechas, cores audaciosas no cabelo e maquiagem de artista de cinema. Cabelo com penteado para noite, como se fossem na estréia de um grande musical. Eu olhava de cima do palco e escutava os murmúrios: onde está aquela menina de 15 anos? Pelo cabelo e maquiagem não houve ali nenhuma noção de visagismo, levando em conta a idade de quem estava usando. E nós profissionais somos na verdade os culpados por isso.

Senhores profissionais, a nossa função é melhorar o mundo, pela beleza, pelo tratamento e pelo o que as pessoas representam dentro de uma sociedade, pois o cliente não é somente a parte externa. Temos que levar em conta, também, o interior de cada uma. Afinal, nosso trabalho tanto pode realçar como estragar. Vem daí a importância do profissional visagista que, com o conhecimento, consegue o efeito desejado: a harmonização da beleza.

Obrigado amigos, e até a próxima.

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