Matéria da Revista Cabeleireiros.com - Edição 26

ImprimirVisagismo - Saiba orientar seus clientes

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É importante que os profissionais ligados à beleza sejam capazes de aconselhar os clientes de forma correta e didática na escolha de um estilo pretendido

O que faço quando uma cliente diz que deseja um visual semelhante ao de uma atriz, mas vejo que não vai ficar bem para ela?” Essa é uma pergunta que sei que alguém fará no decorrer dos meus cursos, e um dilema que todos os cabeleireiros enfrentam freqüentemente.

Essa questão é difícil de resolver e, geralmente, estressante para o profissional e a cliente. Isso porque ela está entusiasmada com a idéia de que aquele visual é perfeito, e dizer simplesmente que não ficará bom provocará resistência. Além de se sentir contrariada, talvez se ofenda. Afinal, o hairstylist estaria questionando seu senso estético. O cabeleireiro que irritar a cliente corre o risco de perdê-la; mas, por outro lado, ser omisso e criar uma imagem que sabe que é desfavorável não é ético nem profissional. A cliente terá toda a razão de reclamar se não gostar do resultado!

A verdade é que, se o profissional não tiver argumentos baseados em experiência e não apenas na intuição e no senso estético, nunca conseguirá contornar essa situação. Para convencer a cliente de que a imagem pretendida por ela não é adequada, é preciso saber analisá-la, explicando o que se expressa por meio das linhas, formas e cores, como elas interagem com o formato do rosto e a cor da pele, e como pode afetá-la emocional e psicologicamente. Tudo isso faz parte do estudo da linguagem visual e do visagismo.

Recomendo, em primeiro lugar, nunca contrariá-la imediatamente. Pergunte o que a imagem desejada expressa para ela. Pela resposta, sugira outra que revele a mesma coisa, porém que seja adequada ao formato do rosto e à cor da pele. Assim, talvez ela perceba que está simplesmente querendo se adequar à moda.

Algumas clientes transferem à imagem de uma atriz atitudes e características admiráveis com base no personagem dela na novela. Mas, em muitos casos, os cabelos representam algo bem diferente ou são inexpressivos e comuns. O estilo pode ter sido criado para a atriz, e não para o papel que interpreta. Elas, geralmente, não refletem se o corte é adequado à sua personalidade, ao seu estilo de vida ou à sua profissão nem sabem que ele estabelece uma identidade. Assumir as características de outra pessoa e, especialmente, de um personagem idealizado, ou seguir a moda cegamente, é perigoso.

Há pouco tempo, no dia anterior ao início de um curso do qual um cabeleireiro participaria, visitei seu salão. Ele estava atendendo uma cliente que queria um corte no estilo chanel, mas estava com dificuldade em persuadi-la a não adotá-lo. Então me pediu para fazer uma consultoria. O que ela pretendia realmente não ficaria bem. Aceitei ajudá-lo, pois essa era uma oportunidade para mostrar o valor do visagismo.

Comecei dizendo que, para o cabeleireiro, era essencial saber o que ela desejava transmitir por meio dos cabelos, mesmo que nunca houvesse pensado nisso. Para ajudá-la a refletir, mostrei o que seu rosto expressava. Expliquei que a cútis, de formato retangular e traços retos, revelava uma personalidade forte e decidida, entre outras coisas. Falar da personalidade somente pela análise do rosto cria um impacto muito grande, ajuda a pessoa a pensar sobre o que deseja acentuar ou diminuir e dá credibilidade e autoridade ao profissional para orientá-la corretamente.

Continuei a análise perguntando o que fazia. Era proprietária de uma pizzaria e de outro restaurante. Observei que ela precisava de uma imagem agradável, que fosse receptiva aos outros, e ela concordou. Nesse momento, perguntei se ela percebia que intimidava as pessoas com sua força, e ela me respondeu que isso era um dos seus maiores defeitos. Expliquei que o estilo chanel, para uma mulher do temperamento dela, ia acentuar isso, porque as linhas curvas para dentro e o corte reto na base “fecham” a pessoa numa espécie de capacete, como se estivesse pronta para uma batalha. Foi aí que ela percebeu que esse estilo seria totalmente inadequado estética, emocional e profissionalmente, sem que eu tivesse de dizer isso.

Além disso, ela comentou que usou o estilo chanel durante muitos anos e, naquele momento, entendeu que era muito agressiva por causa dos cabelos. Por fim, quis um corte que mostrasse seu lado alegre, dinâmico e amigável, e saiu do salão totalmente satisfeita com o atendimento e feliz com o resultado.

Quando uma pessoa mostra uma fotografia de um tipo de cabelo que deseja, não é necessário sucumbir à vontade dela e fazer uma mera cópia. Essa situação é ótima para iniciar uma consultoria, descobrir o que ela pretende expressar mediante o visual e criar um estilo personalizado ou customizado, a essência do visagismo. Com certeza ela vai agradecê-lo pela orientação qualificada.

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